sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Should I stay or Should I go?

Eu quero partir.

Quero voltar para o País que tanto amo e tenho saudade. Só tem um único problema: se partir, vou acabar voltando para cá.

Deixa-me explicar melhor. Moro em Londres há quatro anos e todos os brasileiros que conhecia que voltaram para o Brasil, retornaram para cá depois de alguns meses; em certos casos, depois de dias.

Será que sentiram falta do “fish and Chips”?

Será que sentiram falta do clima inglês?

Ou será que sentiram falta da rainha, ou melhor, do rosto da rainha estampado nas cédulas dos pounds ganhados e supervalorizados de cada dia?

Não sei responder, só sei que estou com medo de ir embora e acabar voltando.

Depois de quatro anos fora do País, criamos raízes, ganhamos novos amigos, construímos família e pensamos até em mortgage. Depois de um certo tempo passamos a reclamar do lugar que vivemos do mesmo jeito que os nativos reclamam: morrendo de amor pelo lugar que se odeia morar.

Vamos ficando e se tornando um pouquinho do lugar em que vivemos e quando vemos, já estamos dando informação na rua; já conhecemos bem o indiano da lojinha e até sabemos o nome do carteiro. Porém, um dia bate a saudade num telefonema da mãe; num churrasco com toda a família naquele domingo ensolarado; no gosto do pão de queijo ausente ou ate mesmo no pão na chapa com cafézinho preto que a gente jura ainda sentir bem o cheiro.

- Vou voltar! – gritamos triunfantes, só para nos darmos conta que a mochila virou guarda-roupa e que a Londres temporária foi ficando assim permanente.

O “vou voltar” vai ficando mais enfraquecido e num ato de maturidade e segurança do que queremos, decidimos numa roda de pint no Pub: - Quer saber? Eu vou é ficar! – mas o que fica mesmo é a indecisão.

Ficar ou partir? Should I stay or Should I go?

Sei lá. I don’t know!

Vou deixar para decidir depois do Bank Holliday; mas se até lá alguém poder me aconselhar, por favor, atire a primeira carta ou e-mail. E se alguém souber de algum companheiro que voltou para o Brasil e ainda esta por lá sem fazer planos de voltar, envie meus parabéns ao fulano e diga ao sicrano que se ele escrever um livro contando como fez isso, eu serei o primeiro a comprar.

Frank

Notas: Texto escrito em Dezembro 2004/Janeiro 2005, quando eu ainda morava na Inglaterra. Estou enviando ele pela primeira vez para o blog em resposta a um amigo-irmão ou seria um irmão-amigo que me fez essa pergunta esses dias. Se você deve ficar ou partir, só seu coração sabe. Se eu pudesse mandar um recado para meu eu do passado, eu diria: Ei, velho Frank, ainda não achei esse companheiro!

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