terça-feira, fevereiro 19, 2008

Espiando o Infinito



Era uma noite, como outra qualquer, quando espiei o infinito.




Era 23:55, quando fui para cama, fiz minhas preces, agradeci o Todo pelo tudo que tinha e olhei para a minha companheira que deitava ao meu lado. No vai e vem da segunda respiração, justamente quando achei que a falta de sono me tocara, fui lançado para fora de mim.




Estava dentro e fora, de tal maneira, que observava o mundo e ao mesmo tempo sentia meu corpo em profundo relaxamento na cama. Não tive medo, já experimentara isso tudo antes, porém dessa vez, era mais que perfeito; todas as sensações vinham ao mesmo tempo de forma equilibrada e eu podia sentir essa familiaridade tão comum como quando você encontra, depois de muito tempo, um amigo do peito.




Minha consciência não tinha forma, apenas me fazia presente e atravessava paredes e árvores; concreto e céu. Como se observasse a velha São Paulo da janela de um trem, via seus prédios passando por mim, como se o cenário estivesse em movimento e não eu. Vi pessoas, na calada da noite, ainda indo para casa e notei os animais noturnos que saem de suas tocas e enchem a noite de sons e vida. Num vôo de sonhos, que era mais real que a última lembrança que tinha. Percebi que jamais conseguiria explicar essa experiência sem parecer loucura ou imaginação.



Tão rápido quanto fui, voltei; e abri os olhos assustado por dar-me de conta que não mais que dois minutos havia passado, enquanto eu jurava que estava fora por horas.




Era 23:57, quando tentei falar, explicar para a minha companheira que me olhava confusa, mas não consegui. Não saia palavras e sem conseguir me expressar, vi luzes explodindo na minha testa. Eram como fogos de artifício numa festa de reveion supresa, em que eu era o único convidado. Fiquei quieto, observando aquele show de cores, tentei ao máximo não deixar a mente atrapalhar com perguntas, pois o importante era o que eu experimentava e não entender a razão pela qual sentia aquilo. E justamente, quando comecei a sorrir, curtindo o espetáculo como se fosse criança, é que vi o infinito.




Percebi o toque gentil do vento nos meus ouvidos, como se quisesse me contar algo; tentando ouvir, escutei algo que só posso descrever como canto do infinito. Chovia estrelas na minha cama; quando segurei a eternidade nas minhas mãos. Mexi os dedos e toquei a própria manifestação. Era como se tudo fosse maleável; como se tudo pudesse ser moldado para a nossa própria satisfação.




Ouvi conversas, descobri segredos, tive insights que dariam mil livros, ou ainda, milhares de canções. Sabia que não consegueria assimilar tudo aquilo; e desejei ardentemente guardar tudo o que senti no meu coração; era como se eu sonhasse que achara um baú cheio de ouro e soubesse que não consegueria levá-lo comigo, quando o sonho virasse areia escorrendo nas mãos.




Não sabia o que ocorreria em seguida e isso era fantástico; foi então que percebi que todas as vezes em que nos deixamos levar pela vida, sem se preocupar com o que há escondido na próxima esquina; tudo vira festa, cada passo se torna uma conquista. Cada experiência, um presente; cada pessoa, uma vida a ser descoberta e vivida.




O infinito não é o espaço sem fim, nem muito menos o alcance do brilho das estrelas; o infinito se reflete no olhar do vizinho, do amigo, do filho; no meu caso, nos olhos da pessoa que mais amava.




Era 23:58, quando percebi os olhos mais cintilantes que já vi. Não eram estrelas, era apenas o olhar de uma parceira de jornada, que em silêncio, observava as idas e vindas do companheiro, nessas viagens para o infinito que começam e terminam dentro de um olhar.








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