sábado, fevereiro 02, 2008

Carnaval e Espiritualidade

Já se tornou um hábito no meio das pessoas que se dizem espiritualizadas a máxima de comparar o carnaval ao umbral ou ao inferno. São muitos os entendidos do assunto que afirmam que essa festa é a oportunidade perfeita para que assediadores, obsessores, demônios e afins façam a festa com o descuido da galera, sem contar outras tantas explicações baseadas em estatísticas, onde se explica que essa é a época em que mais ocorrem acidentes em estradas, proliferação de doença sexuais e outras dezenas de provas afirmando que o carnaval deveria ser extinto do calendário brasileiro.

Ok, já sabemos de tudo isso, mas alguém já parou para pensar que ao mesmo tempo em que existe o lado negro do carnaval , existe também um lado bom nessa festa popular; afinal posso estar errado, mas acredito que tudo na natureza ( e no mundo dos homens) resulta em equilíbrio.

Sabemos que as sombras criam vida nos salões, mas não estaria a luz também presente na alegria, na dança, na energia das pessoas que por alguns dias esquecem a dureza do dia-a-dia e vai a avenida sambar? Por todo o país um show de cores dá lugar ao cinza do suor pelo pão que nunca custou tanto. E eu aqui fico me perguntando: não seria isso um aspecto positivo de uma festa que já foi considerada pagã pelas igrejas, por justamente considerar pecado pessoas rindo, cantando e dançando, quando deveriam estar ocupadas rezando?

Antes que alguém me acuse de defensor do carnaval, queria deixar bem claro que não sou tão chegado assim a samba, pulei carnaval quando era criança, mas não dá para deixar de admirar um povo que transforma queda em passo de dança, que transforma o grito diário num canto de alegria, e nada melhor que o carnaval para representar isso.

Quando penso nesses salões em dias de carnaval, não dá para deixar de pensar que as trevas estarão por lá, assim como os ventos da obsessão e do assédio, mas tenho certeza que também por lá estarão os anjos da alegria e os amparadores do sorriso que não perdem uma oportunidade de ver gente feliz. E tudo isso pra mim não
passa de puro EQULIBRIO á brasileira.

Eu não sei sambar e prefiro um bom vídeo com pipoca a ver escolas de samba na avenida, mas ainda me emociono ao pensar que talvez num morro desses qualquer, um traficante trocou o som da metralhadora por um batuque, e somente por um dia ou quem sabe dois, ele tem a oportunidade de dançar com a vida e deixar a morte que não sabe sambar esperando a festa acabar.


Frank

Um comentário:

nessinha disse...

olá! tuas crônicas são muito boas.

apenas gostaria de avisar que, no segundo parágrafo desse texto, está escrito "existi" ao invés do correto "existe". (podes apagar ou editar esse comentário, sem problema). só achei que deveria avisar...

:)

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply