domingo, maio 27, 2007

Um Presente da Deusa

Era uma surpresa – ela disse e foi me conduzindo para um teatro que ficava na Rua Borges Lagoa, próximo do metrô Santa Cruz em São Paulo – Você vai gostar – ela continuou dizendo e eu confiei; a melhor parte de ter alguém do seu lado que te conhece bem é o fato que há sempre algo fantástico por trás dessas pequenas surpresas; mas jamais pude imaginar que ela me levaria para um encontro com a Deusa.

A semana não fora fácil: prazos, chefes, trabalho, stress e todo ABC da vida corporativa na cidade de São Paulo que quase me levara a beira de um ataque de nervos. Crise mil colocando sombra em todas as outras coisas que realmente valiam à pena. Reclamava, mas no fundo sabia que já passara por aquela situação antes e ela se repetiria de novo, afinal sempre maldizemos a escuridão e se esquecemos da nossa própria luz.

Era Sábado e eu só queria ficar em casa, planejando fazer coisas que não seriam feitas, quando ela me ligou: – Te espero na Santa Cruz ás 8:00. Não se atrase.

Atrasar? Eu nem queria ir, mas fui. Surpresas são sempre bem vindas, mesmo naquela noite fria, onde o cobertor valia mais que qualquer programa noturno ao lado da mulher que se ama. Cheguei ás 19:50 e a encontrei no metrô. Ela sorria, tinha algo nas mangas; eu segui as regras do jogo da surpresa e nada perguntei além de: - “Podemos comer algo antes?”

Ela riu e foi me guiando por ruas que conhecia, porém para um destino oculto. Poderia ser qualquer lugar; poderia ser qualquer coisa. Não era.

“Lakshami a Deusa” era o nome da peça no Teatro João Caetano. Na porta do teatro, havia músicos indianos caracterizados e uma mulher vestida de Lakshami , sentada numa flor de lótus gigante. Os mantras eram tocados e cantados e a melodia, junto com o cheiro de incenso envolvia a todos que esperavam em fila a hora de entrar e assistir a peça. Auri então olhou pra mim e perguntou: “Não sei se será bom. Se não for, me perdoa!”

Perdoar??? Só aquela cena na porta do teatro já valera a pena - Ficou maluca? perguntei - Você acabou de me dar um presente que despertou a minha alma.

De todos os deuses da cultura hindu, Lakshami era uma das minhas favoritas. Manifestação da Mãe Divina - Deusa do amor, da beleza, da sorte, da prosperidade e do sucesso – Lakshami, de acordo com o panteão de Deuses Hindus, também é a consorte de Vishnu – O Deus do Amor; que volta e meia, retorna a terra como Avatar e quando o faz, traz Lakshami consigo.

Adorada em toda a Índia, Lakshami é também a padroeira das mulheres.

Meu primeiro contato com a Lakshami ocorreu através de um texto que li de um amigo meu, Lázaro Freire, onde ele contava que através de uma experiência de meditação durante uma prática espiritual, sentiu a presença dessa divindade ao seu lado. A mensagem que ele escreveu é uma das mais belas descrições de amor a mulher, que um homem poderia ter escrito e mesmo não tendo ainda um contato profundo com espiritualidade, após a leitura do mesmo, percebi que também sentia a presença de Lakshami ao meu lado.

Passei uma semana em estado de graça, vendo e sentindo essa Deusa em todas as mulheres que encontrava. O texto do meu amigo despertara minha alma para a divindade que está em todo lugar.

Sim, a visão daquela Lakshami representada por uma atriz, levou-me novamente a esse estado de graça e a peça nem tinha começado.

As cortinas se abriram e assistimos um curto documentário sobre a Índia e suas mil faces e quando terminamos, surge novamente no palco a deusa Lakshami, dessa vez encarnada por uma dançarina com os gestos, os movimentos, os passos, os quatro braços. Cada braço representando algo, cada gesto representando um conhecimento, cada movimento contanto uma história. O sari vermelho, os adornos de ouro e os olhos da dançarina era a própria imagemda Mãe Divina.

Auri olhava o seu moleque maravilhado e o menino das nuvens não piscava, estava totalmente seduzido pela dança da Deusa, pelo mantra que em seu nome ecoava por todo o teatro.

Num gesto, representando a fortuna que ela despeja do céu para todos que desejarem, a dançarina espalha pétalas douradas por todo o palco e em cima de outras atrizes representando suas devotas. Vejo que uma pétala voa do palco e vem em minha direção; estendo a mão, mas o vento a leva na direção do meu peito; e compreendo que a riqueza que Lakshami envia a terra é na verdade um tesouro só compreendido pelo coração.

Não consegui conter e uma pequena lágrima escorreu do olho esquerdo, seguido de outras, que escorreram pelo meu rosto paralisado por puro contentamento. Quando eu já pensara ter visto tudo; a luz se apaga e ouço uma das vozes mais belas que já ouvi na vida cantando uma canção de devoção a Deusa. A luz se acende e constato que no palco está aquela que eu já tinha reconhecido pela voz, a cantora indiana Meeta Ravindra.

Nada mais consigo escrever sobre o que ocorreu a partir daí. Deixo que vocês imaginem o que uma peça como essa é capaz de provocar num menino maravilhado pela cultura oriental tanto quanto é pela cultura ocidental. Não sou religioso, mas ali, naquela peça em homenagem a Deusa da Prosperidade, meu coração era profunda devoção.

Minha alma estava desperta por aquele presente que recebi da Deusa manifestada na mulher que estava ao meu lado. Meu peito nutrido pelo amor e pela beleza que encanta não somente os olhos, mas principalmente o coração.


Frank

Para saber mais informações sobre a Lakshami, consulte site:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusalakshmi.html

quinta-feira, maio 24, 2007

O Verdadeiro Amor

Amargurada, quase afogada por suas próprias lágrimas; ela pensava em suicídio. Por seu amado foi deixada; do tudo não restou mais nada, além do vazio.

A vida até então sagrada, lhe devorava a alma com a lembrança do rosto de quem partiu. A morte tão evitada, agora era desejada, enquanto ela olhava o rio.

Porém o rio corrente que lhe convidava ao fim, refletia os raios de sol e ela sentiu uma leve fragrância de jasmim.

Sua tristeza virou surpresa ao ver um facho de luz surgir em sua frente e entrar em seu peito; e antes que ela pudesse entender direito, escutou uma voz que a acalmou por inteiro e foi lhe explicando sobre um tipo de amor, que de todos, era o verdadeiro:

" Não tema, criança.
Não chore desse jeito.
Lembre de onde veio,
Sintonize no Amor Verdadeiro

Esse amor te acolhe, te dá suporte
Esse amor te auxilia, te faz forte
Esse amor não escolhe, te desenvolve
Esse amor te sacia; vai além da morte

Esse amor é atemporal e infinito
E por ser tão bonito
Enche os olhos de lágrimas
Arranca-te mil sorrisos

Esse amor é incondicional
Não depende de cor ou credo
Não depende de bem ou mal
Se você está longe ou perto

Esse amor toca fundo o coração
E te faz recordar das estrelas
Como se fosse uma conhecida canção
Transforma fé em certeza

Esse amor não julga
Não aponta o dedo
Não machuca
Não é baseado em medo

Esse amor não é masculino
Ou feminino
Nem é velho
Nem menino

Esse amor é maior que você e eu
E ainda sim, é parte de tudo
Independente dos nomes que o mundo lhe deu
Esse amor envolve esse mundo

Esse amor é corda
Segurando o planeta no ar
Esse amor é a porta
Para você lembrar

Lembrar que você é maior que a dor
Mais forte que qualquer paixão ardendo no peito
Sintonize no Verdadeiro Amor
E sentirá esse amor te envolver por inteiro


Frank

terça-feira, maio 22, 2007

O Dentista e os Mantras

Os mantras são sons sutis que devidamente repetidos , juram todos que experimentam, levam o praticante a um bem estar tremendo ou a um processo de relaxamento profundo que muitas vezes acaba em estado alterado de consciência ( só quem provou, pode explicar o que isso significa ao certo, mas muitos dizem que voçê é capaz de ouvir o seu anjo, ver o Padre Cícero ou enxergar uma maneira de pagar as suas dívidas, sem usar o cheque especial). A palavra mantra vem do sânscrito e significa, literalmente, parar de pensar. Ao repetir (japa em sânscrito) esses mantras, esses sons produzem uma repercussão no seu corpo ou na alma. Os místicos e estudiosos de
religiões orientais de plantão defendem que os mantras são na verdade sons/vibrações cósmicas que despertam o divino dentro de cada um e os poderes latentes que cada ser humano têm. Há mantras de todos os tipos e para as mais diversas finalidades: arrumar marido, não chorar na frente do chefe, afastar vampiro e no meu caso, para dor de dente.

Algumas pessoas têm medo de espíritos, eu tinha medo de dentistas. Verdadeiro pavor do som daquela maquininha * que perfura nossos dentes como se abrisse um buraco em calçada; calafrios só de imaginar a boca aberta, o algodão, a mangueirinha que gruda no céu e no inferno da casa dos dentes. Já tinha se tornado uma fobia. Bastava colocar os pés em um consultório para começar meu ataque de pânico, ansiedade, suor frio e falta de ar.

Dor de dente não marca hora, chega de repente e quando percebemos já está instalada nos nervos, lembrando que fomos negligentes e não limpamos direito a casa. Então, lembramos do cara que nos fez prometer que voltaríamos no seu consultório de seis em seis meses ou procuramos desesperadamente algum amigo que indique uma dentista confiável, que não tenha parentesco com o Dr Menguele. Foi através da indicação do meu amigo Fernando Golfar que cheguei até o consultório do Dr Nelson. O consultório ficava na Brigadeiro com a Paulista, em Sampa, pertinho do meu serviço e eu já o conhecia dos cursos no IPPB, mas até então não sabia que ele era dentista.

Cheguei no consultório desconfiado. Já havia percorrido a via crucis da busca por um dentista. Estava com um canal mal feito que poderia tornar-se algo pior que uma dor latente, se não fosse tratado, junto com uma bolha de pus que assustou os dentistas que tinham me atendido anteriormente . O curioso é que na teoria esse canal já havia sido tratado. Os nervos deveriam ser finados e o dente estar mumificado. Fiz o tratamento na Inglaterra, quando morava por lá, mas trouxe um souvenir do sofrível sistema de saúde inglês comigo e precisava a todo custo desfazer-me dessa lembrança de viagem.

Logo de cara, percebi que Nelson seguia a mesma filosofia sacana espiritualista da qual faço parte. Doutrina secreta do “perco o amigo, mas não perco a piada”.

- Senta e relaxa. – ele disse com um sorriso sacana – Não vai doer nadinha.

Eu não sabia se ria ou chorava de ódio, eu estava ali aterrorizado por estar prestes a enfrentar a “maquininha” e aquele sujeito fazendo piadinha.

- Já vi que você está nervoso, vou por uma musiquinha de consultório dentista : o CD das 10 mais da Alfa Fm!

Não agüentei, cai na risada e quando a música começou, não era o Top Hits dos dentistas, e sim um belo mantra tibetano.

- Gostou, né? – disse ele rindo – Agora, vai abrindo ... – disse rindo.

A música era tudo o que eu precisava, mas o bom humor do Nelson e as risadas estavam realmente me fazendo ficar a vontade, quase com vontade de realmente estar ali. O medo foi diminuindo, a tensão desaparecendo. Fui trocando, pouco a pouco, o barulho da “máquininha” da minha fobia pelo som dos monges cantando Om Mani Padme Hum. Quem criou o mantra, jamais imaginou que ele pudesse ser usado para dor de dente e funcionou. Todo o stress fui sumindo e pude enfim, relaxar.

- Caramba, esse canal é pra inglês ver, não é? – ele disse vendo o estrago. Era mesmo. O tratamento tinha custado uma fortuna em Londres e agora eu descobria que não tinha sido feito apropriadamente. Além da dor, crescera também ao redor da gengiva essa bolha que me preocupava tanto.

- E a bolha? – perguntei.
- É uma fístula, Frank, não há o que temer, pelo menos, não ainda – disse rindo - Ela é apenas um sinal que há infecção nessa região. Daremos um jeito.
- Mas todos os últimos dentistas disseram que eu só me livraria através de cirurgia?
- Há fistulas e fistulas, não creio que o seu caso seja para cirurgia. Vamos limpar o canal, depois veremos o que ocorre com ela. Agora, abre a boquinha...

Fui relaxando, ao som dos mantras, depois de um certo tempo, nem parecia que eu estava fazendo tratamento dentário. Estava anestesiado, mas confesso que nem precisava, estava tão tranqüilo com a música e tão sereno, que quase me sentia confortável, como se estivesse na casa de um amigo, conversando, ouvindo música e dando risada.

- Caramba, Frank – disse ele a certa altura.
- O que foi? Problemas? – perguntei preocupado.
- Eu não sabia que você era devoto do Sai Baba! Cara, quanta saliva!!! – disse rindo. Era o Nelson em ação. E quem precisava de máquina do riso, com ele por perto.

O canal foi aberto, tratado e a bolha assustadora sumiu. Voltei outras vezes no consultório, e a recepção sempre foi a mesma : o bom humor e o profissionalismo do Nelson e as músicas maravilhosas dos CDs que ele usa para acalmar pacientes traumatizados como eu, que dão mais trabalho que criancinhas. O trauma se foi e eu poderia dizer que foram os mantras, mas devo essa ao Nelson, que além de meu dentista, agora se tornou também um grande amigo.

Ps: Segundo o Dr Nelson Uehara, o nome correto da “maquininha aterrorizadora” é caneta de alta-rotação.

Frank Oliveira

O Lago e o Brilho das Estrelas



Ela olhava a noite refletida no lago. Seus pensamentos não se faziam voz, afinal não era momentos de palavras e sim de apenas silêncio, contemplação. Em momentos assim, tudo parece tão perfeito, tudo no seu devido lugar. A vida brincava lá fora de se preocupar, ali só existia contemplação.

Ele a observara. De tudo já falaram, só ficara o reflexo no lago. A comunicação era olhares ouvidos e pensamentos escutados. Eles eram diferentes, mas tinham algo em comum: eram pedras rolantes refletidas no lago.

Através dele, ela via sonhos, desejos a serem realizados. Um mundo se abrindo com possibilidades; uma estrada aberta que poderia levá-la a todos os lugares que sempre sonhara. Ele refletia seus sonhos, como se fosse um lago, que mostrava a imagem de um futuro preste a se realizar.

Através dela, ele se renovava; o inverno dava lugar à primavera e a escuridão se afastava, revelando que realmente o escuro que sua alma mergulhara, era apenas ausência da luz da renovação.

Duas pessoas e um lago.

O lago que separava a realidade, onde eles tinham vidas distintas e mundos paralelos.

O lago que refletia o brilho de seus olhos, mesmo no escuro da noite.

O lago que refletia algo mais que não precisava ser expresso em palavras, apenas em olhares e em estrelas que lembravam os dois: a jornada estava apenas começando e o destino... infinito.

Frank

Foto: http://www.sampaonline.com.br/postais/fontedoibirapuera.htm

domingo, maio 13, 2007

Dia Das Mamães

Ok, todos os dias é dia da mãe!

Sim, todos os dias é dia de dizer "Eu te Amo" para quem realmente importa para gente.

Tudo bem, a midia se aproveita para faturar uma nota em datas como essa; milhares de flores são entregues, máquinas de lavar, jogos de talheres e todos aqueles presentes que os filhos e maridos adoram entregar e acham que toda mamãe merece.

Mas mesmo sabendo do amor dos filhos e da dedicação do marido, toda mãe adora ouvir "Eu te Amo".

Mesmo todos os dias sendo Dia das Mães, toda mãe quer ouvir "Feliz Dia Mamãe!" no seu dia, e por isso, por tanto e por muito, aqui estou eu expressando meu amor a minha mãe e desejando que esse amor seja compartilhado para todas as queridas mães e amigas que conheço.

Sem frase feita, sem mensagem escrita por outros, sem poema decorado; gostaria de dizer a todos vocês:

Feliz Dia das Mães, amigas queridas!


Frank

sexta-feira, maio 11, 2007

Frio


Faz frio – congelante. O frio vai assim invadindo, pela fresta da porta, pela janela suada , pelo olhar gélido das pessoas nas ruas.

Faz frio e não tenho o teu calor – o meu travesseiro não tem orelha , o meu céu perdeu o sol – desde que o calor dos seus braços partiu e chegou o frio.

Faz frio – zero grau na serra, -15 quando saio do banho e 25 graus debaixo do cobertor, mas queria 40 , enrolado em seu corpo.

Faz frio e o rádio toca músicas de inverno e eu lembro que podia ser pior – eu poderia viver no Alaska, poderia estar congelado pela obsessão de não conseguir viver sem você, mas vou bem, apenas sinto frio. Frio interno e externo. Não há luva que esquente melhor minhas mãos que seu corpo, não há meias para os meus pés friorentos que querem se esquentar nos seus.

Faz frio e antes que meu coração fique congelado, deixa-me ligar o aquecedor do meu coração e escrever para você.

E você? Sente frio também?

Frank

segunda-feira, maio 07, 2007

A Virada Cultural: Sonho e Pesadelo

Tudo estava diferente. O centro de São Paulo tinha uma outra atmosfera. Era madrugada e milhares de pessoas estavam nas ruas, celebrando, cantando e seguindo de praça em praça, rua em rua, em busca das mais variadas atrações que o evento “Virada Cultural” proporcionava.

A Virada Cultural é um evento que ocorre anualmente em São Paulo que tem por objetivo levar as pessoas as ruas do centro da cidade, proporcionando inúmeras atrações numa maratona cultural de 24 horas ininterruptas de arte e cultura.

Pensando nisso, propus a minha esposa que fossemos até o centro da cidade e participássemos dessa ocasião tão especial, afinal, não é todo dia que a cidade proporciona eventos como esse para a população.

Começamos a noite assistindo um belo show de Tango no Mercado Municipal e seguimos depois para a Praça da República. Surpresos, vimos um ambiente totalmente diferente daquele que costumávamos ver. Havia família, casais com filhos recém nascidos, jovens, velhos, roqueiros, hippies e gente de todas as tribos reunidos numa espécie de clima de reveillon. Rodas de teatro, jovens com violão na mão, poetas declamando para uma audiência realmente interessada em poesia. Tudo parecia muito surreal. Aquilo era um sonho, só poderia ser, não tinha cara da real São Paulo.

Seguimos pela Barão de Itapetininga e a multidão de desempregado do dia tinha dado lugar a centenas de roqueiros e suas vestimentas pretas e cabeleiras; o Paisandu virara um local de manifestação da cultura negra; na Praça ao lado do Correio, Erasmo Carlos era chamado ao palco para deleite de uma platéia composta por sessentões; os jovens clubbers lotavam a rua Direita e a Quinze de Novembro e o o clima de São Tomé invadia uma Sé repleta de neo hippies, que ainda estavam se recuperando do show de Alceu Valença.

Circulamos de um lugar para outro, interessados tanto nas atrações, quanto principalmente em ver pessoas. Dois escritores amadores querendo ter uma visão de uma São Paulo diferente da habitual. Para o nosso deleite, a cidade respirava cultura e cada palco, evento tinha as particularidades que tanto fascinava a gente. Ela tinha matéria prima de sobra para as suas poesias e eu, via uma crônica, uma história a ser contada em casa esquina.

Era 3:30 da manhã quando voltamos a praça da Sé e percebemos que a platéia começava a mudar, saia a turma da paz e entrava a turma do protesto, fãs da banda Racionais MCs que estava prestes a se apresentar. Nosso plano não era assistir os rappers e sim esticar até ás 6:15 da manhã, onde assistiríamos a banda Beatles Forever na Barão, não ficaríamos na Sé, mas num barzinho que estava aberto ao lado; mas uma sensação estranha começou a tomar conta de nós.

- Acho melhor a gente ir embora - disse Auri
- Também acho, tá ficando bizarro. – Respondi, percebendo que a Policia, até então implícita, começava a se agrupar ao redor da Praça da Sé.

Entramos no metrô e seguimos para casa. No dia seguinte, os jornais e a TV noticiaram a triste cena na Praça da Sé, onde parte da platéia começou a insultar os policiais que reagiram com bombas de efeito moral. O confronto começara e o pânico tomou conta das pessoas presentes no local, que ficaram no meio do fogo cruzado entre a polícia e os arruaceiros, em sua maioria fãs do grupo Racionais. Lojas, orelhões, banheiros públicos portáteis, disponibilizados para atender a platéia, foram quebrados. Pessoas feridas, entre policias e civis, foram levadas por ambulância. O show acabara e o sonho havia se transformado em pesadelo.



São Paulo voltou a ser São Paulo e mais uma história triste infelizmente foi contada...


Frank

Lágrimas Secadas pelo Sol


Para Robis...


As lágrimas desciam pelo meu rosto como espinho. Cada gota, uma dor; cada lágrima, uma lembrança que me torturava, que arrancava o pior de mim.

Chorava pelo mundo que era estranho pra mim; chorava porque as vezes, lembro que sou das estrelas e estar na terra em carne é como viver dentro de uma armadura, em um mundo medieval, que ainda não conhece o amor.

Chorava porque precisava me libertar de tudo aquilo que apertava meu peito; chorava porque não havia com quem conversar, desabafar, um ombro para chorar.

Chorei até que o sol gritou nos meus ouvidos: Corre, tranforma o choro em sisco! Você é mais que isso! Você é filha da Terra, mas neta do Sol; teu objetivo é voar como um cometa e não rastejar no chão carregando o casco dessas ilusões que te obrigam a chorar. Corre pela tua vida. Corre pelos teus sonhos. Corre por aquilo que te arranca um sorriso. Corre até que a última lágrima não tenha mais razão de cair.

Então, corri. Corri, sentindo que as lágrimas secavam mesmo antes de cair. Corri por mim e por todo o mundo que as vezes não entendo e que nunca me compreende. Corri até não aquentar mais. Corri até sentir que estava viva, numa armadura, mas viva o bastante para transformar minha vida. Só preciso continuar a ser guiada pelo Sol e não mais carregada pela chuva.

Libertando Pássaros

Libertando Pássaros

Criança arteira e sem miolos
Era assim eu com meus 6 anos
A jogar bola em um cortiço
Causando pros vizinhos muitos danos

Um dia jogando bola no quintal
Acertei sem querer uma gaiola
O passarinho bateu asas e fugiu
Voou pra longe, foi-se embora

O dono do pássaro quando chegou
Veio como fera tirar limpo a estória
E eu assustada sem os pais por perto
Fiquei chorando com o furo na bola

Cortou com facas o meu brinquedo
Despedaçou sem dó pra de mim se vingar
Fiquei com ódio e jurei que um dia
Faria não só um, mas todos os outros voar

E esperei com calma o grande dia
O malvado tinha saído pra jogar no bicho
Tinha deixado uma arapuca pra pegar pardal
Matava os pobrezinhos na nuca com um estalido

Era daqueles trastes ruim mesmo
Jogava água fervendo no couro dos gatos
Gostava de fazer os bichos sofrerem
Era por certo um estúpido, um otário

Mas tinha por certo muita cuidado
Com os passarinhos que lhe faziam lucrar
Os pobrezinhos cantavam a tristeza
Eram pássaros bem caros que eu iria soltar!!!

E lá foi ele pra venda do seu Zé
Que boa oportunidade pra eu não perder
Pensei: é hoje não passa a minha vingança
Libertadora de passarinhos iria ser

E sem dó fui pegando gaiola por gaiola
Era na faixa de doze passarinhos
Abri a porta da liberdade pra cada um deles
Só um não saiu, preferiu ficar guardadinho

Meti a mão dentro da gaiola pra libertá-lo
Mais esse tava mesmo com medo do desconhecido
Entendi, pois tinha alpiste e o que precisava
Acostumou-se com o canto reprimido

Vi todos voando livre no espaço
Feliz da vida pois tinha percebido
Que pássaro de gaiola não voa, mas pula
De um canto pro outro preso e entristecido

Fiquei tão maravilhada com a minha peraltice
Que mal vi o bastardo de mim se aproximar
Tinha ódio nos olhos e balbuciava
Menina disgramenta eu vou te matar!!!

Me pegou pelo pescoço e foi apertando
Já perdia o fôlego, já não tinha mais ar
Ia desfalecendo nas mãos do meu algoz
Quando o irmão dele gritou pra me soltar

O bicho tava doido feito gato selvagem
Da boca se via até baba caindo
Viu seu belo dinheiro no céu livre voando
E eu escondendo o rosto feliz ainda sorrindo

Ainda hoje quando ele raro me vê
Lembra de mim como a soltadora de seus pássaros
Já eu lembro disso também, mas não me esqueço
Do meu brinquedo “a bola” que me tirou o desgraçado!!!

Desde aquele dia prometi a mim mesma
Que gaiolas jamais fariam parte de minha vida
E quando quisesse ouvir o canto dos pássaros
Abriria a janela e escutaria além da cortina....


Recado ao algoz: Desculpe pela peraltice, mas a culpa foi dos passarinhos, como estavam há tempos no teu cativeiro, pensei que não soubessem voar sozinhos, mas logo que abri a porteira da liberdade, os bichos bateram asas e voaram, eu disse pra eles voltarem, mas preferiram as cores do ceu à do teu alpiste, que culpa tenho eu???????



Savitri
Publicado no Recanto das Letras em 03/05/2007

terça-feira, maio 01, 2007

Um Paraíba Vagamundo



Mais que um livro, um sonho realizado.


Obrigado aos amigos, leitores, a minha familia e minha esposa, pelo apoio durante todo o processo de tornar esse livro real.

Segue abaixo alguns feedbacks que recebi pelo orkut, listas e e-mail em geral.
Obrigado a todos vocês!!!

Frank

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Michele:
Fala ai xiquinho...q lindo seu livro...Quero emcomendar varios e com dedicatoria hein.....muito feliz por vc!!!!Parabens!!!!Me escreva contando as novis!!!Beijos meus e do gaucho pra vc e pra Auri...sabor rapadura hehhe

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Alex:
Ooooooooolllllllllaaaaaaaaa enfermeiro...rs
Parabens pelo livro, fico muito contente com seu sucesso. Agora preciso saber como faco para importar uma edicao... hehehehe
Grande abraco e mais uma vez parabens
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ALINE¤ ¤BELO¤:
que legal que vc tah lançando um livro...
saiba que te admiro muito e sei vc tem um grande talanto.
Vc merece ter seus sonhos realizados...pois vc eh um exemplo de pessoa que nunka cruzou os braços diante a vida!!!
beijos
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Andréa:
Parabens pelo lancamento do livro!!
Estamos muiiiiiiito felizes por voce...
Ah! vou comprar um... mal posso esperar para ler
beijocas noceis dois!! de nois 3 aqui
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Antônio Neto:
que bacana tenho um amigo escritor!!! parabens vc e um cara muito inteligente so podia dar nisso!!!
obs...eu achei que vc estivesse nos eua!!!
neto
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Fernando:
OI FRANK TUDO BEM , INFELIZMENTE NAO PODEREI ESTAR NO LANÇAMENTO DO SEU LIVRO , MAS ESPERO DE CORAÇAO QUE SEJE UM GRANDE SUCESSO ,E SEPARA UM PARA MIM , QUANDO FOR AO BRASIL IREI COMPRAR UM , SORTE E FELECIDADES ....
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Samanta:
oi Frank, parabens pelo lovro, muito legal...vc merece mesmo, tem o dom da escrita!!!vou quere ler!!eheh bjus
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Drika:
Oi Frank,
Parabéns pelo lançamento do livro...
Muito sucesso pra vc!
Beijos,
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Luciana:
Oi Frank!!!!!
Parabéns pelo lançamento do seu livro..muito legal e gratificante isso!!
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Alessandra:
Oi!
Tudo bem?
Parabéns pelo livro !

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Vera:
Olá Frank, que alegria encontrá-lo. Adorei saber que lançará um livro...Desejo de coração Sucesso pois vc merece. Tenho comigo as poesias que vc escreveu e as uso nos treinamentos. Bjs saudosos e carinhosos..até...

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Ondina:
nossa Chiquinho!!!
que orgulho, meu amigao, com um livro!!! So pelo titulo, jah da pra saber o poder das poesias e cronicas. Alem de uma atitude muita linda, dedicar a uma amiga necessitada.
So podia vir de vc, mesmo!!Aproveitando a calmaria, depois de um lancamento desses, vc poderia arrumar um tempinho pra me escrever, tenho muita saudade dos nossos bate-papos no 120.
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Renata:
Oi Fank, como estao???
Diz a esposa que estou com saudade hein...
Bem primeiro PARABENS!!!
E... quero comprar seu livro e gostariad saber quanto custa e se eh possivel enviar p/ mim, e qto. ficaria tudo e qual conta posso depositar.
Adoro seus textos e faco questao d ter uma copia ou mais p/ poder dar d presente. Por favor me de uma toque ok.
Obrigadao!!
Beijo - Renata
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Cynthia:
Oi Frank! Parabéns pelo lançamento, já comecei a leitura e está muito legal
bjo grande
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Lázaro Freire:
Franguinho, parabéns pelo livro, obrigadão pelo abraço, reconhecimento e beijo na boca em público, nega!
Puta encontro voador, hem?
Poucas gentes vi tantos da lista juntos assim!
Vai ter prestígio assim lá em Katmandu!
E por falar nessa rima, que negócio é esse de dedicar livro pra mim com EU TE AMO???!!!??!!!
Aquilo que aconteceu entre nós no Tibet foi coisa de momento, nega. Tá me estranhando, pô?!!!???
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Oi Frank!!!!
Meu querido... ontem foi maravilhoso!!
Td era bondade e AMOR!
Nossa, o local estava perfeito....
Espero de coração q um dia as pessoas sejam um pouquinho como vc.. olhando aquele q está tão perto necessitando de uma apoio!
Bjs
Parabésn mais uma vez!!!
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Robertinha:
Cara, parabésn pelao evento e principalmentre pela iniciativa! Bom não preciso ficar aqui falando o quanto te admiro, preciso?
Ótima semana pra vc! Grande abraço da amiga, Roberta
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Renata Sales:
Oi, Frank meus Parabéns , que evento hein! Adoramos muito o espetáculo, e agora é começar a viajar lendo o livro.beijão
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Robson:
Adorei o lançamento ontem, foi uma bela festa, vc e a equipe que organizaram o evento estão de parabéns.
Abçs e muito sucesso meu irmão.

P.S. Já tó quase no fim do livro, quando vai ser o lançamento do 2º?, hahahehe
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Gabriela:
Frank, foi show!
Parabéns pela iniciativa... pessoas bonitas como você fazem o mundo melhor.
Beijo Grande
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Luciana:
Oi Frank,
Parabéns pelo lançamento do livro...leio sempre algumas de suas crônicas no seu blog e na lista...
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Robson:
Frank Rivers,
Não sou protagonista da novela das seis, mas sinto informar que não previ nada, o livro foi apenas conseqüência da sua inteligência e sensibilidade. Desejo sucesso no evento de lançamento, ao qual não poderei comparecer, pois estarei na casa de meus sogros em Arthur Alvim.
Continue sendo um paraíba vagante nesse mundo, só cuidade com os Bin Laden da vida.
Abraços
Robson
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Rita:
Oi Frank ! Parabéns pelo livro e por seu desprendimento.

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John:
Hi cabecao! I heard that you were writing a book! Cool, what's it about. You do realise you will have to translate it for me! ;) and now I know what you were doing for 4 years in 120..... hahahahaha.... and sorry your brother took your job! But i'm sure i could find something for you! Anytime my friend! John
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Vanessa:
Frank, parabéns pelo lançamento do livro, que, diga-se de passagem, está excelente, e o evento foi show, adorei, adorei rever o povo, vc e a Célia, o povo do Maniji, o Wagner... Eu até sorri nas fotos apesar do que vc me aprontou rsss...
Beijinhos e até breve!
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Cris:
Frank fiquei tão feliz qdo ouvi contar como tinha sido sua noite Oops! de autógrafos. Fiquei emocionada. Não pude ir, uma pena, perdi muita coisa...torço muito por você!
Parabéns!
Beijos
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Patricia:
Parabéns pelo livro, estou adorando, e o lançamento foi um sucesso total! beijusss fica com Deus!
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*/*/*/Deisinha:
oi!!!!!! Eu estou amando seu livro!!!!! O lançamento foi ótimo, tudo de bom!!!!!
Meus parabéns por essa obra maravilhosa que Deus continue te abençoando sempre!!!!!!!!!!!
Mil bjos
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Lilian:
que delicia que vc lancou um livro!!!
nao estive ai fisicamente mas meu coracao esta ai sempre ne!!
vamos voando!!!beijos do paraiso (estou morando em okinawa! a havwai japonesa, rs)
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Adriana:
Oi Frank , estou lendo o seu livro e adorando , vc é muito especial!
Parabéns
Beijos
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Fernando:
Fala Brother !!
Cara, dos exemplares que comprei, quase fiquei sem... rs
O pessoal a quem estou presenteando está adorando...
Parabéns !!!
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Esther:
Frank meu querido...parabens pelo seu sucesso...estava convesando com uma amiga e ela comentou do seu livro...que coincidencia...manda um aqui pra mim
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Valdilene:
Frank. Acabei de chegar em casa, e o livro estava aqui na minha porta me esperando. Obrigada..Mas e ai? Mando o dindin pra que conta? ou vai querer mesmo meu cabeção? Tem certeza? Ele bebe uma cerveja..rs..rs
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Hey Frank!!!

poxa cada pagina q leio do livro...pareci q o Mundo muda...tô começando a er o mundo de um outro jeitinho sabias??????...heheheh
mto boooommm...ainda num terminei de ler...pq fiko lendo e relendo cada historia..

beijããooooooooooooo....e sucessooo
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♥Katia:
Fran,recebi seu livro e já li todo! Foi muito bom poder compartilhar de suas "viagens" ( em todos os sentido) desde q vc saiu do Brasil . Como vc se desenvolveu . É muito bom saber que vc voou atrás de seu sonho e provou que tudo é possível , ou como diz o grnade Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. beijos
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Telma:
Olá Frank

Eu sou amiga de infância da Auri e gostaria muito de adquirir um exemplar do seu livro.
Onde posso encontrar?

Um Grande Abraço

Telma
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Oi Frank,recebi seu livro é tudo de bom como imaginava

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Flavia:
Oi Fran meu amigo querido!!!!!!!!!!!!!!!!!!Q saudade de vc!Como está?E sua esposa?Fiquei muito orgulhosa de ver q vc lançou 1 livro quero comprar e se possível um autógrafo.
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Andrea:
Ola meu querido,
Nossa como foi bom te ver novamente!!!
Eu "devorei" o livro naquele dia mesmo!!
Eu nao conseguia parar de rir com suas cronicas... fica ainda mais engracado pois conheco os personagens(vc a Cilia e a te nos aparecemos na cronica da Escocia... que chique)
Amamos vcs e muito...
Ah como estamos sem internet em casa, antes que eu me esqueca um happy birthday pra vc!!
beijocas
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Sergio:
Cara da hora, seu livro, eu ia até comprar, mais ja li praticamente tudo , ontem la no maniji...hahahah

abração
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Para Aline, que tanto tem me inspirado!!!
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