sábado, dezembro 23, 2006


Menino Dourado em outros tempos Posted by Picasa

Os Três Reis Magos e o Menino Dourado

Conta a lenda que quando Jesus estava vindo
O céu testemunhou o Universo trabalhar
Numa estrela que indicasse o caminho
Para os três Reis Magos o menino encontrar

Viajando dia e noite, vigiando os sinais noite e dia
Traziam eles grandes presentes
A serem entregues ao grande guia
Que viria a terra em forma de menino semente

O primeiro Mago trouxe o ouro Paz
O Segundo carregava o rubi Harmonia
E antes que o terceiro entregasse o diamante Amor
Para a sagrada família

Notaram todos que o neném dourado sorria
E em seu sorriso, eles podiam perceber
Que todos aqueles tesouros o menino já tinha
E do seu peito os enviava
A cada pessoa que vivia

E o três Reis entenderam a tempo
Que esse príncipe nada, nem coroa possuiria
Até mesmo os mais nobres sentimentos
Ele com o mundo compartilharia

Diante de um menino tão especial
Os três Reis Magos se abaixaram em veneração
E foi nesse momento que surgiu um ser angelical
Que os ensinou uma grande lição:

“Em cada criança há Jesus
Em cada mulher há Maria
Em cada Pai reside a luz
Na união que resulta em Vida

Em cada ser vivo há esperança
Em cada bêbe há um potencial, um futuro
De se tornar boa aventurança
E deixar pegadas luminosas no escuro

Se há uma lição que esse menino veio ensinar
É que não há rei ou plebeu
E a todos devemos igualmente tratar
E que tudo que ele vai fazerQualquer um poderá realizar


Frank



”FrankNotas: ”Todo dia é natal! “O anjo não disse isso não, mas acredito que todo dia é natal, se o natal significa mesmo celebração da vida, uma vez que o próprio Cristo representava Vida.
Não precisamos de dia especial para reunir a família, dar um presente a quem amamos. Nem é preciso esperar o Natal ou a Páscoa para lembrar do menino dourado.

Sei que hoje em dia é perigoso falar de Jesus ou de amor, sem parecer religioso, fanático ou démodé, mas arrisco assim mesmo e como sou um poeta de rima torta, sigo escrevendo sobre esse cara sem medo de ser feliz porque finalmente o compreendo e o aceitei como “Salvador “das minhas tolices egoístas e bobagens emocionais, sem pra isso pertencer a nenhuma religião ou seita.

Será que é possível ter Jesus no coração como mestre e amigo, sem me converter a igreja alguma? Acredito que sim e deixo com vocês a dúvida. Quanto a mim,com certeza, estou conhecendo o Amor e se o que sinto e só uma gota dágua do oceano de amor que Cristo sentiu pela humanidade, só há o que admirar e festejar TODOS OS DIAS esse homem que ensinou que amar a Deus é primeiro que tudo amar a própria Vida.

Frank

Meus Anjinhos sobrinhos Posted by Picasa

Um Milagre Paulista

Cena 01: O plano

O plano era audacioso. Levar meus três sobrinhos, dois deles com seis anos e um com três anos, para o playland do shopping Tatuapé, zona leste paulista. O desafio estava em fazer isso sem carro e tendo que pegar ônibus e metro com a minha sobrinhada pestinha.

Estava em Sampa depois de dois anos fora do Brasil e hospedado na casa de minha mãe no Ipiranga. Sem carro, uma idéia simples como levar a molecada no shopping tomava rumos aventurescos à medida que entrava no ônibus com os sobrinhos.

Não tenho qualquer experiência com criança e tomei o desafio como um pré-treinamento para o moleque que vive me cobrando para trazê-lo ao mundo. E com nota dez consegui manter os moleques “quase” comportados em duas cadeiras, enquanto meu corpo impedia que os pestinhas saíssem de suas posições e corressem para o corredor.

Preocupado que alguém pudesse mexer na mochila as minhas costas e roubar a filmadora com a qual eu iria filmar à tarde com a criançada, tirei-a das costas e coloquei no colo de um dos meninos e voltei a cantar as musicas da Xuxa que todos sabiam até de trás pra frente.

Lá pelas bandas da Avenida do Estado, no ponto do metrô, desci com as crianças com o maior cuidado e consegui levá-las ate a estação, onde minha mulher, minha salvação, me esperava com nossa afilhada. Que alivio! Descobri por que Deus inventou esse troco de casal ao perceber que é o máximo compartilhar tarefas árduas como cuidar de pestinhas. Mais tarde, em frente ao shopping, abracei minha esposa e suspirei:

- Consegui! Você viu? Foi moleza!

- Frank, cadê a filmadora?

Frio na espinha, cara de bobo e estomâgo em turbulência.

- Esqueci no ônibus!

A filmadora estava na bolsa junto com minha agenda com todos os endereços e telefones, mais as fitas da minha viagem para o Egito, filmagem do natal com a família e festa com os Voadores e pessoal do IPPB. A filmadora era cara, mas as fitas insubstituíveis.

- Calma, Frank! – dizia minha esposa, tentando me acalmar- É só algo material ! Respira fundo! Tira esse peso da sua barriga.

- Cara, como eu sou burro. Como pude?

- Você estava com os três meninos, isso acontece…

Mas eu estava além dali, tentando imaginar tudo o que eu poderia fazer, mas àquela hora era tarde demais para localizar o ônibus, ponto final, motorista e cobrador. Olhei para as crianças que me olhavam curiosas e para minha esposa que mesmo diante do estúpido do marido tentava acalmá-lo e senti vergonha por me preocupar por algo material, tendo TANTO ao meu alcance.

E ela tinha razão, era só uma filmadora que essa hora já estava nas mãos de alguém sortudo o bastante para achar no ônibus o décimo quarto salário.

Segui com o plano original, mas por dentro não parava de repetir: “Porra que azar!”.

Minha mulher logo atrás, conversava com as crianças:

- Por que o tio esta triste, tia?

- Ele perdeu a filmadora, Lucas!

- E se ele não encontrar?

- Se ele não encontrar a gente perde a filmadora.

- Mas a gente vai continuar o nosso passeio?- Perguntou meu sobrinho já preocupado se iria perder o passeio por causo do descuido do tio.

- Claro, Lulu. – disse minha sobrinha Larissa. – Hoje e o nosso dia especial com o nosso tio!

Cena 02: A Segunda lição

No metro a caminho de casa, quase nem lembrava mais do que tinha ocorrido porém ao ver uma mochila nas costas de um cara, a lembrança e a sensação de ter feito caca, me entristeceu a cara. Minha sobrinha Larissa me olhou e disse:

- Tio, num fica triste, não. Garanto que o senhor ficaria mais triste se tivesse perdido um de nós.



Cena 03: Lamentações de fim de noite

“Puxa vida. Sempre devolvi tudo o que encontrei. Cadê essa tal da lei do retorno? Não que fizesse isso achando que um dia fariam o mesmo comigo, mas puxa vida, não merecia isso. Só sai com meus sobrinhos. Puta idéia bacana e altruísta, e levo essa bica do Universo. Bem que uma pessoa honesta poderia ter achado e… para de sonhar e dorme, rapa. Alem disso, não foi o universo que perdeu nada, foi você mesmo.”

Cena 04: O telefone toca e a lição da mamãe

Acordo pela manha e tomo café com pãozinho francês e novamente quase tenho um samadhi ao comer um pãozinho quentinho com manteiga com cafezinho brasileiro de alta qualidade e… pão de queijo! Que maravilha ser brasileiro. Nada nesse mundo e melhor que esse pãozinho de queijo saboros…

- Frank, telefone!- grita minha Mãe.

- Já vou!

Quem será essa hora? Corro para o telefone contrariado, e sorrio ao ouvir a voz da Gisela, minha amiga do IPPB.

- Oi Gi, como vai? Olha, obrigado pela recepção na sua casa. Aquela festa foi demais!

- Que nada, Fran. Foi um prazer, mas estou te ligando por outro motivo. A Suely dos Achados e Perdidos da estação Sé me ligou, achou a tua filmadora e entregaram na estação.

Alguém sabe descrever o que se sente quando a gente recebe um milagre? Sabe quando aquela chance em um milhão finalmente ocorre com você?

Pedi para Gi repetir, mal acreditando e só faltei entrar na linha e lhe dar um abraço.

Corri para a Sé e lá chegando, percebi que era noticia entre os funcionários.

- Então, você é o sortudo da filmadora! Olha é uma chance em um milhão. Isso nunca ocorreu por aqui.


Suely, funcionária do Metro há mais de vinte anos nunca tinha visto um caso como esse, E por uma dessas coincidências da vida, ela tinha um filho morando em Londres, e no final, parecíamos velhos amigos ao se despedir.

E lá fui eu pelas ruas de Sampa com a bolsa agarrada nos braços como se fosse o “precioso” do Senhor dos Anéis, agradecendo a Ganesha e a Padre Cícero pelo que ocorreu.

Quando cheguei em casa, e todos me congratularam pela sorte, minha mãe me falou algo bem interessante:

- Cuidado, filho! Não vai transformar esse milagre em algo comum. Esse é o problema que ocorre com todos quando Deus de alguma forma opera algo assim nas nossas vidas. Ficamos um dia ou dois maravilhados, dai depois nem damos mais importância ao ocorrido. Lembre-se desse dia e em como você presenciou esse milagre ocorrer, logo aqui em São Paulo. Mas vê se não esquece mais nada no ônibus, viu menino!

Louco Por Um Dia

Deixe-se ser louco por um dia,
Faça o que te dê na telha.
Grite, chore, cante, sorria,
Permita-se ser quem você queira.

Escute o silêncio da pedra,
Conte segredos ao vento.
Abrace uma árvore sem pressa,
Roube o ponteiro do tempo.

Pois a noite sussurra aos loucos
A linguagem das estrelas,
Que observam do topo
Gente normal fazendo besteira atras de besteira.

Então, deixe-se apenas ser louco,
E não ligue para o que o outro acha ou sente.
Façamos algo só pelo prazer de sermos quem somos,
E não o que fizeram da gente

A vida passa rápido, é curta.
E acabamos trocando a criança
Com vontade de correr gritando na rua,
Pelo adulto com vergonha.

Frank

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Presente

É Natal e queremos mais. Queremos mais presentes, queremos ser notados, queremos sempre mais. Nada de errado com isso, afinal querer mais nos trouxe até aqui, querer mais evoluiu o homem da rocha ao bronze, querer mais nos levará do bronze que somos hoje à prata que um dia iremos nos tornar (ouro ainda é sonho de Ícaro), e foi pensando nisso, que me dei conta que na pressa do próximo presente, esquecemos do outro que acabamos de ganhar. Esquecemos de comemorar as vitórias do aqui e agora, das razões que temos para sorrir nesse momento.

Não sei quanto a vocês, mas sigo sempre um passo a frente e por isso, pedi a Papai Noel esse ano, menos planos, menos sonhos, para que eu possa dar conta dos que ainda tenho, pois tenho medo de abandoná-los no meio do caminho. Pedi para dar o meu presente para quem ainda não ganhou, pois há centenas de outros presentes no armário que esqueci de desembrulhar.

A verdade é que todos os dias, não só no Natal, temos a chance de renovar quem somos, mas estamos tão preocupados com os próximos passos, que esquecemos o quanto é maravilhoso estar onde a vida permitiu que chegássemos. O Natal e a proximidade do fim do ano, parecem possuir essa força mágica que desacelera esses corredores que nos tornamos. Ao diminuir o ritmo, avaliamos o que se passou e planejamos o que virá, porém, ainda falta focarmos no que é.

Não falo de olhar para o passado ou de apostarmos em algo que já não tem razão de ser (certas pessoas já não nos adicionam sorrisos, certas lembranças só nos arrancam lágrimas), mas nesse natal, os meus votos, para você e para mim, é que não nos esqueçamos de celebrar o presente. Esse "presente" maravilhoso que está metade embrulhado e metade à vista. Se ousarmos descobri-lo por inteiro, novas surpresas poderão estar escondidas nas dobras, nos pequenos detalhes, que na pressa, passou despercebido.

Por isso nesse natal, celebre o que você conquistou. Agradeça a Deus pelas pessoas que você conheceu. Erga a taça de champagne ou o copo de suco em homenagem ao menino Jesus que renasce todos os dias nos nossos corações quando nos permitimos celebrar a vida e reconhecer o milagre de ter a nossa volta, pessoas que amamos.

Queiram sempre mais, mas estejam presentes. Tenham planos, mas não deixem passar em branco as suas conquistas. Façam as suas resoluções, mas não se esqueçam que a única promessa que vale mesmo a pena ser feita, é a promessa de estarmos presentes nos melhores momentos de nossas vidas, e esse momento é agora.


Feliz Natal, Prospero Ano Novo e Parabéns por ser quem você é e por ter chegado onde está.

Frank Oliveira
22 de Dezembro de 2006

quinta-feira, dezembro 14, 2006

A Vida Continua...

Acordei essa manhã em Bragança Paulista. Estava aqui em São Paulo, mas meu coração estava com o povo de Bragança, povo valente que acordou para mais um dia com a ressaca da "tragédia" que começou como roubo e terminou com um show de horrores que fez com que muita gente se perguntasse como algo assim pôde acontecer sob os nossos narizes.

Não vou reproduzir nenhuma informação aqui que já não esteja nos jornais e no rosto de cada bragantino. Só gostaria de poder compreender o que ocorreu e como algo tão bárbaro pode ocorrer por míseros reais, e como não consigo, tento não me entregar à revolta ou a angústia e oro para que o melhor possa ocorrer com todos os envolvidos.

A vida, esse cristal maravilhoso que reflete todas as cores do universo, é algo tão belo. É uma dádiva de amor do criador, um sopro de magia da Mãe Terra. Um veículo tão precioso para que nossas almas possam experimentar a brincadeira de criar. A vida é patrimônio universal com carimbo do GADU (Grande Arquiteto do Universo). A vida é muito linda para ser tratada com tanto desprezo. Ainda bem que o Criador é mais inteligente que a gente e criou a vida á prova de morte.

Mas sou humano e limitado e mesmo sabendo que a vida continua, ainda me entristeço com a ignorãncia humana. e não consigo parar de pensar na tragédia de Bragança e lágrimas teimam em ficar nos meus olhos.

Meu coração se abre como se tivesse centenas de pétalas e raios verdinhos cor de esperança seguem em direção a cada habitante de Bragança Paulista. Aqui no silêncio de casa, desejo que esses raios levem paz, coragem e muita luz para que esse povo esqueça o rancor, a raiva e a vontade de fazer justiça com as próprias mãos e lembrem-se que esses criminosos só atingiram os corpos, pois as almas dessas pessoas continuam vivas nos braços do grande criador.

Frank

Ritual de Beltane


É noite de Beltane
Grande Noite de Luz
Fúria dos amantes
Energia que flui

Das fogueias acesas
Da magia no ar
Das ofertas doadas
De um grande Sabbat

O Sol desbancando
O inverno já escasso
União da Deusa e do Deus
Do profano ao sagrado

Alimentos pagãos
Fruta verde e vermelha
No corpo da consorte
A vontade que queima

Espera ansiosa
A hora farta da ceia
Em dar seu formoso corpo
Aquele que a queira

Com o cálice de vinho
Jogado na terra ao luar
O ritual começa
Donzela não mais será

Corre agora pelos campos adentro
As fogueiras de Beltane que os aguardem
Com máscaras feitas de folha nas faces
Deusa e Deus se fazem

Rolam pela grama os consortes
Sacerdote e Sacerdotisa hão de ser
Trazem benção dos céus aos campos
Pra boas colheitas e fertilidade ter

Se amam por uma noite
Como se fosse por uma eternidade
A virgem que já não é mais virgem
Traz no ventre felicidade

As sementes da primavera
Também sagradas serão
Pagão, Deus ou Deusa
Seguindo a tradição com certeza
Nos campos de Beltane estarão



Auricelia Oliveira

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Inspiração e Liberdade

" Quanto mais livre está a alma, maior é a inspiração.

Sem correntes,a mente abraça o universo e faz gritar o coração que responde em versos, poesia e canto."

Essas palavras ficaram na minha cabeça o dia inteiro. Acho que não foi por acaso, pois tenho pensado muito em liberdade e em como nos sentimos presos em certas situações, relacionamentos, trabalhos e amizades, e no quanto é maravilhoso soltarmos certas amarras, quebrarmos correntes e nos libertamos daquilo que nos impede de voar.

Sim, voar pelo céu dos nossos desejos, pela imensidão do aqui e agora. Voar pela liberdade reconquistada.

Voar, das coisas que aprendi, essa é a mais bela, e nem precisa asas...

Donde Estan? Posted by Picasa

terça-feira, dezembro 12, 2006

Um Minuto de Silêncio

Um minuto de silêncio pela morte do ditador. Silêncio por todas as pessoas que foram assassinadas, silenciadas e banidas. Silêncio pela memória fraca de um povo que esquece facilmente a porrada na cara que levou ontem.

Um minuto de silêncio por todas as mortes banais que ocorrem por segundo no mundo. Silêncio porque nas esquinas dos guetos da vida, se mata e se morre por um tênis. Silêncio pela banalidade da violência, pelas vitimas e principalmente pelo agressor de mente doentia.

Um minuto de silêncio pela justiça brasileira, que solta político corrupto e prende mães injustamente acusadas. Silêncio porque Dona Josefa ficou na cadeia por 3 dias por ter roubado um remédio para a sua filha e o Joseph roubou (mais fez) e não somente continua livre, como se elegeu e tornou-se um dos deputados mais votados de São Paulo. Silêncio pela ignorância dos eleitores e mais silêncio ainda para os políticos que envergonham tanto a história política brasileira.

Um minuto de silêncio pela coroação dos "malandros". Silêncio porque realmente quem é bonzinho sempre se ferra , para deleite dos safados que continuam reinando através da hipocrisia e da falta de escrúpulos. Silêncio porque nesse mundo de ratos, não há lugar para pássaros que preferem voar a sacanear quem ficou no chão.

Um minuto de silêncio para todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena ser uma pessoa digna e honesta. Silêncio para que essas pessoas não deixem de ser quem são por causa da maioria. Silêncio porque essas pessoas ainda fazem diferença...

Frank

sábado, dezembro 09, 2006


Metr� em Sampa Posted by Picasa

sexta-feira, dezembro 08, 2006

O Equilibrista Zen do Metrô Lotado

O Equilibrista avança pela multidão. Com passos firmes, porém cautelosos, ele segue pela corda bamba , nas linhas do metrô...

Todos os dias brinco de equilibrista nos vagões do metrô. Há tempos parei de me irritar com as pessoas empurrando umas as outras para entrar no trem lotado, com as porradas do time do “sem querer”, com os idosos e mulheres grávidas sendo espremidos, com a falta de organização e paciência tanto dos usuários quanto do sistema metroviário com suas operações tartarugas em horários de pico. Não me irrito mais, pois criei a meditação Zen do Metrô lotado.

Essa meditação consiste em adaptar meu corpo e minha mente ao espaço que tenho entre as pessoas no vagão e o tempo que passo dentro do trem, de forma que eu permaneça sereno e em paz até descer na minha estação; em outras palavras, cuidado extra para não pisar no pé de alguém, cuidado redobrado para não dar uma cotevalada na senhora sentada, no rapaz com a mochila gigante que ocupa espaço para três e extrema calma para não mandar a merda o sujeito que insiste em ler meu livro mais rápido que eu e fica irritado quando não viro a página.

Nessa experiência de ensardinhamento humano que passo toda manhã para ir trabalhar, uso essa técnica, que inclui também controle respiratório, para evitar os odores provindos dos sovacos alheios e demais fedores de pessoas que na falta d´água, tomam banho de perfume ou tiveram a idéia ridícula de comer batatinha frita com cheiro de óleo vencido dentro do metrô. Além de romper a barreira da física e ocupar um espaço com outras três pessoas, que não caberia uma.

Com essa técnica já aprendi também o ritmo corporal certo para evitar encoxar ou ser encoxado; e (o que é mais importante) já não faço esforço algum para descer na estação certa, basta me deixar levar pela massa quando as portas do trem abrem.

Interessante é que antes do advento do bilhete único, esse problema era restrito as horas de pico, nos dias de hoje, qualquer horário do dia ou mesmo nos fins de semana enfrentamos estações abarrotadas, atrasos e a eventual necessidade da meditação Zen para enfrentar os vagões formigueiros. Não tenho nada contra o bilhete único em São Paulo, e nada mais natural, ocorrer um aumento de usuários, mas tenho todas as razões para reclamar do serviço prestado. Isso se ao menos eu conseguisse ser ouvido ou lido, pois o telefone de atendimento ao cliente está sempre ocupado e as dezenas de cartas de reclamação que enviei, jamais foram respondidas, se é que foram lidas algum dia.

Segundo a assessoria de impressa do Metrô de São Paulo: “tudo está perfeitamente bem. Não há justificativa para aumentar a rota”. Eles possuem toda a razão para acreditar nisso, afinal, o fluxo da grana dos passageiros não para de aumentar e para quê gastar e melhorar os serviços, se o número de novos usuários não para de crescer?

Como não tenho muita escolha (utilizar ônibus é uma jornada pelo inferno de Dante e dirigir em São Paulo é um risco constante), continuo utilizando minha técnica Zen no metrô e não perco a esperança que o serviço melhore um dia para que eu possa não só deixar de ser equilibrista, como também deixar de ser palhaço.


Frank

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Amor em Tempos de Caos

Ás 14h20, no aeroporto de Salvador, o caos era absoluto. Filas, desinformação, atraso de vôo e compromissos perdidos. Tiago não agüentava mais tanta falta de respeito e foi até o guichê da empresa aérea para reclamar. Sabia que a atendente no balcão não tinha culpa, mas precisava exigir os seus direitos ou ao menos uma informação precisa de quando o seu vôo sairia. Outras pessoas tentaram a mesma coisa, mas em vão. Taís era uma delas, tentou, exigiu, quase chorou, mas as atendentes pareciam estar na mesma situação que todos os outros passageiros: total falta de informação e consideração.

- Isso é um absurdo – ela disse para o rapaz que estava ao seu lado também reclamando.
- Falta de respeito – respondeu Tiago
- Se essa confusão rola aqui em baixo, imagina lá em cima.
- Verdade! Olha, tenho até medo de voar, sabia?
- Eu também. Se houvesse outro meio de viajar, mas experimenta pegar a estrada. É um caos maior ainda.
- Nem me fala. Além dos buracos, o risco de assalto é constante.

Por alguns instantes, eles ficaram se olhando, percebendo o quanto eles eram atraentes e voltaram a falar:

- Bom, foi bom reclamar com você.
- Senti o mesmo. A gente se esbarra no ar...
- Isso se a gente voar... – concluiu Taís rindo, querendo continuar o papo, mas se ao menos eles estivessem em outro lugar. Tiago sentiu a mesma coisa. A menina era mesmo um avião que ele não queria perder, mas eles se conheceram no pior lugar possível... ou não.
- Bom, quer tomar um café? Estamos presos aqui mesmo. – ele sugeriu.
- Claro! A propósito, meu nome é Taís.
- Eu sou o Tiago.

Ás 16h30, o primeiro beijo interrompeu o papo que fluía naturalmente. Fora da lanchonete , o caos continuava com os milhares de passageiros tentando sair dali . Lá dentro, pelo menos para Tiago e Taís, eles não poderiam estar em melhor lugar.

Frank

Notas do Autor: Essa crônica foi baseada na história real de Tiago e Taís que ocorreu no aeroporto de Salvador. A notícia saiu no Estado de São Paulo, caderno Cidades/Metrópole, pág C4 (06/12/2006)

terça-feira, dezembro 05, 2006

O Dançarino da Chuva

Visto de cima, as ruas de São Paulo pareciam os canais de Veneza, mas ao invés de gôndolas, carros, que lutavam contra a correnteza dos rios transbordados e dos bueiros entupidos. As pessoas que se aventuravam em meio à tempestade, lembravam salmões, nadando contra a corrente, com seus guarda-chuvas que não guardavam o vento.

Queria pegar algum vaporeto (NR: Barco-ônibus veneziano de passageiros), mas nenhum passava perto do porto em que eu estava; porto ironia, um restaurante de frutos do mar. Sou um Pisciano que não come peixe (solidariedade, talvez) e fui parar naquele lugar, por pura falta de opção, pois já era 3 da tarde e eu precisava me alimentar pelo menos com a salada que eles serviam por lá.

Depois que paguei, esperei na porta que o tempo bom fosse servido como sobremesa e junto com outros tantos fiéis da Igreja da Chuva que Cai, rezamos a São Pedro, a Netuno e a Oxumaré que dessem uma trégua, que parasse a chuva, só para que voltássemos aos nossos escritórios, mas os deuses tinham outros planos e a chuva continuou desafiando que a enfrentássemos.

Não me arrisquei, os outros que estavam ao meu lado, também não; mas um mendigo parecia brincar de Gene Kelly dançando na chuva. Ele fazia isso, provavelmente, porque não tinha que trabalhar, mas confesso, senti inveja do homem, pois o menino que há em mim, também queria brincar.

Cresci no deserto nordestino e a época de chuvas era uma festa nas ruas. Um musical ao som do ritmo da chuva, em que meninos arriscavam passos nas poças. Eu fui um desses meninos gotas que sem medo de raio ou trovão, não paravam de dançar. Agora vestindo a roupa adulta, pareço ter medo da chuva ou ao menos medo de me molhar.

A verdade é que eu não estava mais no sertão nordestino e era até meio ridículo, ver aquele mendigo, sem nada mais o que fazer, dançando para a platéia de chuvafóbicos, mas antes que eu retornasse para dentro do restaurante, percebi que todas as pessoas na porta também não desgrudavam o olho do mendigo que parecia despertar meninos no olhar de cada um.

O transe durou até que a chuva parou por alguns segundos e corremos todos de volta para os nossos escritórios, sem olhar para trás, sem olhar para o mendigo que continuava brincando de se molhar.


Frank Oliveira

domingo, dezembro 03, 2006

Um Leitor

Já pensei em desistir de escrever, mas não gosto de ponto final. Sonho em me tornar um escritor, sonho com o dia em que receberei por palavras escritas (não precisava ser muito), sonho que meus manuscritos se transformam em livros expostos nas vitrines das livrarias do meu ego; sonho e sonho, mas continuo escrevendo por prazer, por que quando escrevo, percebo que estou lá por inteiro, mesmo que eu não receba dinheiro.

Não consigo parar, nem mesmo quando recebo de volta a carta que enviei com o manuscrito que jurava que se tornaria um novo best seller. Não consigo parar, nem quando recebo o e-mail de um leitor furioso criticando cada linha e me acusando de ser assassino da língua portuguesa.

Não consigo parar, porque as frases jorram naturalmente e exigem manifestação. Sou um médium da criação, psicografando meu coração que não cala, e diz que não tenho opção a não ser escrever, descrever e narrar.

Escrevo por que adoro a festa do texto terminado, da crônica perfeita, da poesia simetricamente montada, da sopinha de palavras que vira picanha declarada.

Escrevo por que há uma força maior guiando meus dedos, minhas mãos na busca do titulo certo que abre o show da banda das palavras. Força maior que se chama inspiração, mas poderia se chamar apenas prazer de escrever.

Escrevo por que se houver ao menos um leitor, minha missão estará cumprida, a tarefa das palavras terminada. Se houver ao menos um leitor, minha função como escritor estará realizada.

Frank Oliveira

No come�o... Posted by Picasa

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Começo, Meio, Fim...

Ele parecia comigo, uma versão mais velha e sábia. Alguém que eu poderia vir a ser, por isso o mundo arranjou aquele encontro. Ele tinha uma história para contar e eu, uma lição para ouvir.

- Perdi a mulher que amava para a vida, mas essa é uma história de amor com final feliz. – disse ele, tomando seu café.
- Como pode ser uma história com final feliz se vocês não estão mais juntos? – perguntei .
- Por ter conseguido aceitar que ela precisava ir...

Quando ela foi embora, alguma coisa quebrou dentro de mim – poderia dizer que foi o meu coração – mas descobri que o que quebrou foi um jarro de vidro repleto de apego. Sim, o apego é um jarro que vai se enchendo à medida que nos apaixonamos.

Quanto mais apaixonados estamos, mais cheio fica o jarro e a cada briga, cada ameaça de separação, o corpo aciona o alarme, mandando os nervos carregarem a mensagem : perigo!

Perigo porque quando o jarro se quebra, estilhaços de apego envenenam o sangue da razão, deixando o castelo aberto para a invasão do exército das emoções que aterrorizam o pobre apaixonado com ameaças de solidão.

Acontece que a solidão só assusta quem tem medo de ficar sozinho. Oxalá, todos vivessem bem sozinho, assim na ocasião de uma separação, não haveria tanta amargura, tanta briga, tanto apego e sim apenas um bye bye, so long, well well. Não haveria um buraco tão profundo e escuro esperando quem foi deixado. Eu nunca soube viver sozinho e paguei o preço.

Quando ela disse adeus, cai nesse buraco e percebi que perdi o controle das lágrimas. Tomei um banho de choro e essa chuva não lavou minha alma, porque era água do jarro que quebrara e quem chora por apego, chora por si mesmo e não pela pessoa amada.

O amor deixa ir, o apego exige ficar.
O amor é oculto, o apego é presente.
O amor não espera retorno, o apego é carente.
O amor é ouvir, o apego é falar.
O amor é respirar, o apego é sufocar.
O amor é atemporal, o apego faz aniversário.
O amor deixa ser, o apego é estar.
O amor é aprender, o apego é só querer ensinar.

Foi isso que aprendi, pois quando ela me deixou, liberou a força do meu amor que estava sufocado no peito, tentando respirar. Esse amor agora exige que eu continue a viver, vivem bem comigo mesmo. Esse amor é o amor por si próprio que todos deveriam sentir. Coisa que nunca fiz, mas já está na hora de aprender e começar. Por isso te disse que essa história tem final feliz. Quem não aprende a viver sozinho, passa toda a vida apegado a idéia de ter alguém para nunca estar só.


Frank
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