quinta-feira, novembro 30, 2006

A Dançarina e o Cego

Quero aprender a dançar. Como nasci ruim da cabeça e doente do pé, nunca aprendi a sambar ou dançar qualquer ritmo. O que sempre foi um crime para a minha esposa, que pacientemente tentou me ensinar, até o dia que desistiu, por receio de ficar sem os pés. Mesmo sabendo que tinha dois pés esquerdos e um jeito “gringo” de não ter jeito algum pra dançar, sabia que ela merecia o esforço, só precisava encontrar uma escola de dança de salão e tempo para fazer as aulas.

Um ano depois, quando eu já tinha esquecido que um dia prometi aprender a dançar, ouvi duas pessoas conversando no elevador sobre como a vida tinha mudado depois que eles aprenderam a dançar. Fingi que não era comigo, mas passei toda a segunda-feira pensando sobre aquilo. Planejei fazer a matricula numa escola de dança, até tinha encontrado um local bem bacana perto do metrô Santa Cruz, onde pego meu ônibus pra casa, mas as aulas não se encaixavam na minha agenda e acabei prometendo pra mim mesmo que aprenderia a dançar depois do fim de ano.Assunto resolvido.

No fim da tarde , sai do trabalho e corri contra o relógio para não chegar atrasado a minha meditação coletiva quinzenal, quando cruzei com uma senhora deficiente visual. Eu estava a caminho do metrô Vila Mariana, onde ocorreria a meditação, e a senhora vinha pela calçada, provavelmente em direção ao metrô também. Seguindo um impulso de ajudá-la, perguntei se ela precisava de auxilio para atravessar a rua até a estação. Ela aceitou com um sorriso.

- Ajuda é sempre bem vinda. – disse, segurando o meu braço.

Seguimos no seu ritmo, o que me preocupou, pois eu queria chegar na meditação mais cedo, preparar algumas músicas e atividades para o grupo, afinal não tinha tido tempo durante o dia; mas permaneci tranqüilo, e puxei assunto com ela.Seu nome era Marcela.

- E como foi o seu dia? – perguntei, enquanto passávamos por um posto de gasolina.
- Maravilhoso – Marcela respondeu – Eu fiz tudo aquilo que tinha planejado para fazer hoje.
- Que bom. – respondi, lembrando que não tinha feito nem um terço das coisas que tinha me proposto a fazer. – Acho que não posso dizer o mesmo.
- Que pena que o dia é tão curto, não? – disse ela – Mas se você tiver feito ao menos 10% das suas coisas por completo, já vai ter valido a pena.

Concordei, mas lembrei que tinha deixado esse “um terço das coisas” pela metade no trabalho. - Amanhã chego mais cedo e termino – pensei, enquanto parávamos na calçada, o sinal tinha aberto e os carros voavam a nossa frente.

- Estou vindo da aula de dança. – disse ela.
- Dança? – perguntei, surpreso com a coincidência – Que legal!
- É, estou matriculado nessa escola da St Cruz, e os professores oferecem aulas gratuitas para cegos. Os alunos que enxergam viram os nossos parceiros durante a prática. Confesso que o melhor é quando os ceguinhos dançam um com outro. – disse rindo - O resultado é incrível. Afinal, quem precisa enxergar para dançar? Basta sentir a música e deixar o ritmo te levar.

O universo só podia estar me sacaneando. Deus estava de gozação. Era coincidência demais. Era como se a vida através daquela senhora estivesse dizendo – Olha pra você! Tem toda a saúde do mundo, seus sentidos funcionam perfeitamente e você vive ocupado demais para concluir qualquer uma das coisas que planeja.

Só podia ser coincidência...

O sinal então abriu e atravessamos a rua. Quando chegamos do outro lado, uma senhora , segurando duas crianças, nos abordou e perguntou pra mim:.

- Por favor, o senhor sabe onde fica a Rua Vergueiro?

Eu sabia que ficava ali perto, mas não sabia precisar como ela chegaria até lá, saindo do lugar onde estávamos. Antes que pudesse responder, Marcela falou:

- Basta descer essa rua – ela disse, apontando a rua a nossa direita – e pegar a primeira à direita. A senhora terá chegado a rua Vergueiro.

Não ouvi a mulher agradecer, provavelmente ela estava tão surpresa quanto eu. O surrealismo cedeu lugar a estação de metrô e voltei a acreditar que eu a guiava e não o contrário.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Palmadas e Palavras

Ela deveria ter 12 anos. Uniforme escolar, pele escura, olhos castanhos.
Seus cabelos negros trançados caiam pelo ombro, enquanto seu pai lhe batia na frente das suas amiguinhas da escola.

Um motivo banal: uma paquera de porta de colégio, pré-namoro adolescente, sonho de amor transformado em dor. Ele batia como se as pancadas tivessem o poder ausente das palavras. Como se a dor e a humilhação ensinasse mais rápido que o respeito e a compreensão.

Eu caminhava em direção ao ponto de ônibus, depois de um dia estressante de trabalho, quando vi a cena. Ninguém tem o direito de ensinar aos pais como educar seus filhos, mas todos nós temos o dever de agir quando alguém abusa do seu poder para intimidar, ferir e humilhar alguém que não pode se defender. Mesmo sabendo que poderia sobrar para mim, chamei o segurança da escola, e juntos, conseguimos separar os punhos do pai do corpo da menina, que chorava copiosamente, com a cicatriz da mão pesada do pai no seu rosto, nas suas costas, na sua alma.

- Solta!!! – exigia ele, tentando se soltar – Eu sou o pai dela!

Ele estava alterado e mesmo estando errado, não podia ser julgado por estranhos; mas precisava compreender que criança alguma deve apanhar, ainda mais na frente do grupo de amigos que, nessa fase, ela tenta tanto conquistar.

- Ela deveria estar estudando! – se explicou – Eu trabalho duro para ela ter uma educação decente e ela fica de namorico na porta da escola.

Educação decente começa em casa – pensei – afinal, violência é violência, não importa o motivo, não justifica a razão. Dois errados não fazem um certo. Falo isso não com a experiência de ser pai, mas com a lembrança de ter sido um filho que já apanhou demasiadamente do pai. Meu pai, assim como o pai da menina, não era muito bom com as palavras, por isso se expressava com as palmadas, que viravam pancadas, que se transformavam em surras. Duelo desigual, onde um Golias ameaça um Davi sem defesa, sem força para reagir.

Palmadas não deixam cicatrizes no corpo, mas calam fundo na alma, e se elas servem para alguma coisa, é para mostrar que violência não educa, apenas machuca e em muitos casos se transforma em trauma.

O pai foi acalmado. A mãe foi chamada e levou a menina pra casa. Tudo pareceu terminar bem. Baseado nisso, eu gostaria muito de terminar essa crônica com um final feliz, mas infelizmente, a violência que certos pais utilizam para educar e disciplinar seus filhos é ainda uma história que parece não ter fim.


Frank Oliveira

terça-feira, novembro 28, 2006


Yelow, blue or gold - It doesn�t matter cause she has all colours in your eyes Posted by Picasa

segunda-feira, novembro 27, 2006

Lady in Yellow

Vestia amarelo, tinha a aura do tamanho do céu. Seus brincos, também amarelos, chamavam a atenção para seus olhos cintilantes que eram como as estrelas. Parecia estar tão em paz, pois andava suavemente, quase como se estivesse voando, dançando. Seu corpo se movimentava como as letras numa folha em branco exigindo que o escritor as transformasse em poema.

- Oi! - disse, olhando seu reflexo em meus olhos. Ela sorriu, sorriso sapeca de sereia, sabia que tinha encantando um pescador. Por ela, eu daria todos os meus peixes. Trocaria meu barco por uma rede, só para balançá-la e lhe dar minhas oferendas de amor.
- Vamos? - ela chamou - Estamos atrasados.

Atrasados? Como me mover no espaço, se o tempo stood still. Sim, o presente parava, para ser entregue naquele eterno momento através da magia em ver a Lady in Yellow movimentando-se pela minha estrada, uma vez mais e sempre.

Seus cabelos desciam por suas costas como se formasse um rio; seus braços balançavam pelo ar, com tal graça e estilo, que pensei em compor uma canção, mas a melodia já fora criada e a única forma de ouvi-la e guardá-la comigo seria me aproximando de seu corpo e sentindo cada vibração que vinha da sua direção.

- Você está linda! - disse, abraçando-a.
- Estou nada! Estou parecendo uma grávida!
- Que nada, você está maravilhosamente vestida. - e estava. O vestido realçava seu corpo pequeno e delicado, e o amarelo ao mesmo tempo lembrava que ela era uma mulher forte e guerreira.

Ela deve ter gostado do que falei, pois seu sorriso envolveu-nos de tal forma, que podia jurar que levitávamos pelo ar, vencendo a força da gravidade, desafiando as barreiras do tempo. Estamos juntos a 8 anos e ainda sim, estávamos aprendendo tanto um com o outro, ano após ano, mês após mês, dia após dia.

Ficamos abraçados por um minuto, mas provavelmente durou um ano. Não havia mundo lá fora, congelamos os ponteiros e o relógio olhava enciumado, pois o tempo não conseguiu levar minha Lady in Yellow de mim.

- Você se sente amado? - ela perguntou esses dias.

Minha alegria era a minha resposta. Minha inspiração, a prova. Sim, eu era amado, mas como explicar para minha Lady in Yellow o que eu sentia por ela? Como fazer ela compreender que eu tinha aprendido a ler a linguagem do seu sorriso e que de alguma forma, seu coração batia em compasso com o meu, como se dançássemos uma canção silenciosa que somente os corpos conseguem ouvir, num ritmo que somente os corações amantes conseguem acompanhar.

Sim, eu me sentia amado, pois a porta esteve por todo o tempo aberta e ela não quis partir, optou por esperar pelo seu parceiro da dança da vida, mesmo sabendo que ele ainda precisa aprender a bailar.

- Vamos? - ela chamou uma vez mais e voltamos ao chão.

Havia um compromisso que não podíamos faltar. Então segurei a sua mão, fechei a porta e seguimos na direção do tempo, ocupando o espaço com os nossos movimentos, criando mais uma memória comum do lugar onde estamos, estivemos e sempre estaremos.


Frank

sexta-feira, novembro 24, 2006

A Verdade sobre o Casamento

Perguntaram hoje para mim,no horário do almoço, como consegui ficar tanto tempo casado. É uma pergunta bem comum nas rodas de amigos, quando conto que estou casado a quase oito anos. Estranho como essa pergunta vem acompanhada de um certo preconceito ou mesmo indignação, afinal, como eu ouso estar a tanto tempo casado, num mundo de casamentos relâmpagos e divórcios trovões. Sempre respondo com bom humor, dizendo que o meu casamento é eterno porque não vai durar pra sempre. Eles se assustam, mas é difícil mesmo explicar que casamento não tem obrigação de durar...

Um casamento não é feito de sociedade, de papel passado ou de alianças. Um casamento não é feito de promessas hipócritas de fidelidade eterna ou de lealdade prisão. Um casamento não é uma fuga da casa dos pais ou da casa do medo de passar a vida inteira sozinho. Um casamento não é uma união fútil em nome da religião, do “bucho” não esperado ou do interesse. Quem é casado de verdade, não precisa de anel, seus corações fazem a ponte para o sempre, ligando-os em nome da manifestação do amor.

Casamento é uma parceria, um contrato espiritual entre duas pessoas, que independe de sexo, raça, crença e aparência. Contrato espiritual, pois o laço que une um casal não pode ser descrito por idioma algum, só expresso pela linguagem dos corpos, pela expressão no olhar, pela comunicação entre ouvidos quando se troca sussurros de amor. Contrato que nenhum padre, pastor ou guru possa sacramentar, pois o amor por si só é sagrado, dado incondicionalmente no encontro do olhar, na amizade profunda que não mais satisfeita em abraçar, quer estar dentro, fora, num eterno se encontrar e compartilhar.

Qual o segredo para que um casamento dure mais que um dia, um mês, um ano? Não há segredos, pois pessoas casadas de verdade estão tatuadas de liberdade. São almas livres que sabem que nada dura para sempre e ainda, cada segundo ao lado um do outro é eterno; pois se vive o presente, sem perder tempo com amanhã. Liberdade nascida do respeito, da amizade e da consideração que ambos carregam e permeiam na sua união. Liberdade de compreender que os dois possuem visto para o país do Voltar a Ficar Sozinho, se for esse o destino que um deles optar. Liberdade para compreender que se é tempo de partir, pior seria ficar por pena, lealdade ou em nome da história do casal.

O casamento não é perfeito, pois nada nesse mundo está livre da “dualidade”. Há momentos bons e outros momentos não tão bons assim. Há arranca rabo, há brigas infantis onde se fica de mal e de bem no cair de um amanhecer. Há quebra pratos, arranha Cds e há também greve de carinho, de sexo e de sorriso; mas o casal sabe que embora isso ocorra vez ou outra, estar junto é bom demais para brigar ou para se viciar em jogos de gato e rato. Desentendimento ocorre, desrespeito é intolerável.

Casamento não permite possessão, ciúme doentio, nem tão pouco libertinagem, pois liberdade exige respeito, consideração pelo parceiro (a), e acima de tudo, respeito por si próprio, pois somente dando o devido valor a si mesmo, conseguimos valorizar algo tão precioso como a união entre duas pessoas.

Casamento deriva da palavra casa e isso nada tem a ver com teto, tijolo e garagem. Quando encontramos alguém que valha a pena dividir a nossa casa ( corpo, mente e espírito) encontramos um lar; lar que carregamos conosco onde quer que formos.

Por fim, esses casamentos (e são raros) sustentam-se por tanto tempo, pois há uma preocupação constante em renovar-se; em surpreender quem acha que já viu e sabe todos os truques; em arrumar-se; embelezar-se, pois cada dia ao lado de quem se ama é uma festa, uma celebração em que precisamos vestir a melhor roupa, arrumar a casa e não se esquecer nunca de reconquistar e namorar..

Ladr�o-chamin� Posted by Picasa

quinta-feira, novembro 23, 2006

O Papai Noel , o Ladrão e a Chaminé (Um Conto de Natal)

Manoel nunca acreditou em qualquer coisa relacionada ao natal, além do fato do natal ser a época do ano em que sua padaria faturava mais. O movimento triplicava na véspera e ele só fechava a padaria no dia 25 , por que precisava agradar os funcionários. O dia de natal era o único dia que ele tirava folga no ano e folga forçada, deixe-se bem claro, uma vez que a padaria era uma segunda casa para ele e a desculpa perfeita para que não tivesse que passar muito tempo com a sua esposa Maria, que era um poço de lamentação ambulante.

Já Charles, acreditava em milagre de Natal, mas era realista. Queria muito uma moto e como não tinha sido um bom menino durante o ano, sabia que era quase impossível Papai Noel enfiar uma moto pela chaminé da sua casa, por isso foi à luta e decidiu que conseguiria sua moto de uma maneira ou de outra. A idéia de roubar a padaria veio enquanto ele tomava um pingado com pão na chapa no lugar. Veio como um insight, uma dica divina, o sopro de um anjo...ou do diabo, como diria depois. Comia o pão encharcado de manteiga, quando viu a chaminé pelo vidro do copo do seu café com leite. Era a porta para seu sonho de natal. Rapidamente, ele pediu uma caneta para o copeiro e rabiscou seus cálculos num guardanapo, percebendo que o diâmetro do seu corpo era proporcional ao da chaminé. “Perfeito ! - disse pra si mesmo –” Minha moto está saindo do forno “ .

Manoel fechou a padaria ás 22:30 e foi pra casa. Charles chegou no local ás 23:30 e esperou que não houvesse mais ninguém na rua para agir. Subir até o telhado foi fácil, finalmente toda a sua experiência de catador de pipa estava servindo para alguma coisa. Ao chegar no topo da padaria, ele olhou pra chaminé e riu, repetindo pra si mesmo – “ Sou o Papai Noel do mau “ – mas o plano foi por chaminé abaixo: Havia um afunilamento e seu corpo ficou entalado. Tentou se soltar, mas nada surtia efeito. Quanto mais esforço fazia, mas preso ficava. Tudo o que lhe restara era rezar ou gritar por ajuda : Socorro!!!!

Manoel não morava longe e ignorando totalmente Maria, foi dormir direto, estava cansado e precisava abrir a padaria ás 5 da manhã. Caiu rapidamente no sono e teve um sonho um tanto estranho.Sonhara que via o Papai Noel entregando presentes pelas casas de Bauru e ao passar por sua casa, o bom velhinho ficara entalado na sua chaminé. Foi nesse momento que ele acordou com o telefone tocando, era a policia.

- Está? Quero dizer... alô? - disse
- Seu Manoel, aqui é a policia! Precisamos que o senhor venha até a padaria.
- Mas o que houve, gajo?
- O senhor acredita em Papai Noel?
- Papai Noel, estás a me sacanear, pá?

Não era pegadinha. Charles em pânico e tendo muita dificuldade pra respirar, começou a gritar por ajuda e acordou toda a vizinhança. A policia foi chamada e ao chegar no local encontraram o homem preso pelo tórax.

Quando Manoel, chegou ao local, os bombeiros estavam retirando Charles da chaminé. O “Papai Noeldo mau” passa bem, teve escoriações leves e foi levado para o pronto socorro e depois para a cadeia pública de Avaí, a 30 quilômetros de Bauru, onde deverá aguardar julgamento. Quanto ao Manoel, ele rezou de verdade pela primeira vez aquela noite, agradecendo a Deus por não ter sido roubado e como agora acreditava em “Papai Noel” afunilou ainda mais a chaminé, afinal era bom prevenir, vai que um outro bom velhinho mais magrinho decidisse visitá-lo.


23 de Novembro de 2006
Frank Oliveira

quarta-feira, novembro 15, 2006


O Higjlander Nordestino Posted by Picasa

Dia dif�cil : um monte de autogr�fos Posted by Picasa

Frank e a Aline Posted by Picasa

Bastidores do Lançamento do Livro do Frank

Bastidores do Lançamento do Livro do Frank


Estava contente, ansioso e de certa forma aflito. Sabia que o pessoal viria
em peso, mas recebi de última hora a notícia que a Aline viria.

Estava lançando o meu livro “Um Paraíba Vagamundo” e destinava toda a renda
para Aline, minha amiga que tinha perdido os movimentos do corpo após uma
cirurgia complicada. Quando fiquei sabendo que ela iria, fiquei surpreso
(achei que não iriam conseguir levá-la até lá) e depois muito feliz. Era a
nossa festa. O livro surgiu depois do pontapé inicial que ela me deu ao ter
saído da UTI e estar batalhando para recuperar seus movimentos diariamente.
Ela havia me inspirado com sua força de vontade e percebi que se eu tinha
saúde, não me faltava mais nada para realizar meu grande sonho.

Mas confesso, em meio a felicidade de ter ela no evento, fiquei também um
pouco preocupado, pois sabia que ela precisava de cuidados a cada hora e
tinha problemas ainda para respirar, mas quando ela chegou no IPPB, vi seu
sorriso e alegria, percebi que estava sendo um tolo. Havia muito mais força
nela do que eu podia imaginar.

Ela fez questão de estar lá no evento, queria ver com os próprios olhos, o
que eu estava aprontando.

O lançamento do livro era especial pra mim, mas eu queria proporcionar a
todas as pessoas que fossem até lá, um pouco da cultura dos lugares por onde passei. Sabia que quando duas ou mais pessoas estão juntas e há motivo para sorrir, elas formam um sorriso gigantesco que é emanado para o universo e acaba na sintonia de todas as pessoas que precisam de motivo para sorrir.

O resultado foi maravilhoso. No início, tivemos o Professor Wagner Borges
lendo um texto lindo “Ninguém é Estrangeiro! ”que ele escrevera no
local. Depois, iniciamos o evento com o Professor de Ioga, Vanderlei
Oliveira, lendo um texto incrível que ele também acabara de escrever
(aparentemente, o que não faltava no ar, era inspiração e amor). Após a
leitura do texto (que postarei a seguir), ele seguiu conduzindo um
exercício muito bacana de energia e respiração. No final do exercício, todos
estavam mais leves e Aline me disse que parecia renovada.

Poesias foram lidas, meu amigo Gerson Morales cantou um belo mantra que ele
compôs no Caminho de Santiago, mantra esse que falava que a terra daria
aquilo que eu precisasse, se eu fizesse a minha parte.

Então, as danças começaram com a energia Cigana com os alunos da Professora
Lyanka. A dança cigana contagiou a todos, que aprenderam também um pouco mais sobre essa cultura.

Antes que todos pudessem respirar, um Highlander Nordestino chegou ao local
para apresentar a Dança Celta com a querida Professora voadora Lídia, que
deixou todos boquiabertos e com gostinho de quero bis com seus passos e sapateados mostrando a beleza da cultura desse povo.

Logo depois, um certo Sheik Árabe apresentou minha musa e dançarina
Auricélia Oliveira e a nossa querida voadora Vanessa “ Borboletinha”
apresentando a magia da Dança do Ventre que deixou todos ainda mais
contagiados. Então, todos caíram na risada quando um certo Zorro Hindu com
um sari meio caído surgiu no salão e apresentou o Professor Mauro do espaço
Rasa, que hipnotizou a todos com sua Dança Indiana. Com movimentos precisos
e uma caracterização magnífica das expressões faciais típicas da dança
indiana. O Professor Mauro fez um belo ritual com pétalas de rosas pelo
salão e magnetizou a todos com a bela dança indiana.

Ao final, a Professora Priscila fez uma bela apresentação de Ioga com alguns
ásanas, finalizando com chave de ouro o evento.

Logo depois, recitei uma poesia que escrevi pra Aline e lemos todos
novamente o texto do Wagner, ao mesmo tempo que pedi que todos ao término do
texto fechassem os olhos e enviassem muito amor para a minha amiga e para
todos que precisassem naquele momento.

No final, todos estavam visivelmente extasiados e felizes. Foram 03 horas de
apresentações e muita poesia. A impressão que tive é que todos queriam ainda
muito mais.

A surpresa não veio com os livros que foram vendidos rapidamente ou com
tanta gente ter comparecido, mas a Aline no final, que parecia estar tão
feliz e revitalizada. Ela não precisou em momento algum de nenhum cuidado
durante as três horas e disse pra mim, que por ela, o evento continuava até
meia noite. Disse também que tinha se sentido tão bem após o exercício do
Vanderlei que parecia estar renovada. Eu tive que me segurar para não deixar
escapar nenhuma lágrima. Ter todos os meus amigos, familiares, voadores e
outros tantos conhecidos por lá era muito especial, mas saber que tinhamos
proporcionado tanta alegria pra ela e para todos os amigos presentes, era
maior que todo o dinheiro que eu estava arrecadando.

Cheguei em casa, em estado de graça. Não só havia realizado o meu sonho e
lançado o meu livro, como também tinha proporcionado num domingo à tarde, um
belo evento que com certeza, tocou o coração de todos presentes que junto
com o coração da minha amiga, deram-me a prova de que SOMOS realmente TODOS UM
SÓ.


Frank Oliveira

quarta-feira, novembro 08, 2006

A Vírgula e as Entrelinhas

A língua assim com a vida é um conjunto de possibilidades e interpretações. Bem vivida, a vida se torna um grande palco de aprendizado e satisfação. Bem escrita, a língua se torna um portal para que o leitor possa conhecer o ponto de vista do escritor ao mesmo tempo em que forma sua própria opinião. Durante a vida, construímos a nossa história com as nossas ações; é como se cada decisão fosse uma expressão de quem somos, do que acreditamos e do que queremos. Às vezes, certos atos constroem uma imagem negativa a nosso respeito. Esses atos atuam como vírgulas indevidamente inseridas na frase e que acabam mudando totalmente a visão que todos tinham da gente. Umberto Eco diz que “O texto é uma máquina preguiçosa que espera muita colaboração do leitor.” As pessoas e seus atos exigem o mesmo esforço de quem as observa e somente quem se dedicar a uma leitura mais profunda do contexto, perceberá que o conjunto da obra não pode ser prejudicado por uma vírgula.

X escrevia a história da sua vida e inseriu uma vírgula entre o sujeito e o verbo que mudou totalmente o resto da sua frase. Os nomes pouco importam, mas soube-se que X era amante de Y que era casado com Z. X também era casada e seu marido, W, nunca desconfiou que X era amante de Y. As coisas se complicaram quando X soube que estava grávida e como W tinha feito vasectomia e não podia ter mais filhos, ela procurou Y pedindo ajuda financeira para pagar um aborto. O resto foi manchete de jornal, alegria para os abutres de plantão que se deliciam lendo as descrições dos crimes de
periferia, mas é importante apenas dizer que após uma discussão envolvendo X, Y e Z, a novela mexicana virou tragédia grega. Y com uma arma na mão matou a amante e depois se matou. Z culpou a amante e W não culpou ninguém.

Repórteres e curiosos em geral lotaram o enterro de X numa tentativa de ouvir a opinião do marido traído, de colher algo que virasse manchete, de prolongar a história que era comentada em cada bar e padaria da Zona Leste de São Paulo. Perguntas foram feitas, insinuações foram arremessadas na direção do homem que só queria enterrar a esposa e continuar a sua vida e a educação dos dois filhos do casal.

Todos esperavam alguma reação, algum discurso repleto de ódio, rancor e mágoa.W então olhou para todos e disse: “Todos estão julgando X. Você não pode condenar a pessoa por uma ‘vírgula’.”

Todos olharam uns para os outros sem compreender a sentença que W acabava de expressar. Esperavam que a história continuasse da maneira como estava sendo conduzida por outros; não esperavam que W inserisse um elemento novo que
fora esquecido e que mudava totalmente o sentido da frase que o leitor esperava ler. Frase que acabara com reticências, e continua nos filhos que ele precisa criar e que devem estar orgulhosos do pai que tinha todos os motivos para odiar e pontuou mais uma frase com amor. Que os leitores que acompanhavam a história tenham aprendido a ler nas entrelinhas.


Frank Oliveira

segunda-feira, novembro 06, 2006

Lançamento do Livro: Como Chegar

Lançamento do Livro do Frank
Um Paraíba Vagamundo : Crônicas e Poesias de um Viajante Voador
O evento ocorrerá no dia 12 de Novembro (Domingo) às 15:00 no IPPB na Rua Gomes Nogueira 168, Ipiranga

Como chegar:

Carro: Da Nazaré, há várias opções. Descer a Padre Marcheti ou descer pela Rua Engenheiro Ranulfo Pinheiro de Lima.
A Gomes Nogueira também é uma travessa da Ricardo Jafet, para quem vem do Shopping Plaza Sul, basta entrar na Dr Mario Vicente (entre dois postos de gasolina) e virar a primeira à esquerda, depois a primeira à direita. A referencia é o Bobs que fica depois do segundo posto de gasolina.
Ônibus: Do terminal de ônibus da Vila Mariana, vá até a ultima plataforma, no último ponto, passa o Jd da Saúde e o Heliopólis. Os dois ônibus passam na Dr Mario Vicente, é só pedir pra descer no primeiro ponto depois da Ricardo Jafet.
Da Nazaré para a Dr Mario Vicente, há quatro ônibus: Vila Brasilina (4504), Jd Celeste (4506); Metrô Vila Mariana (4706) e Pompéia (478P). Só confirme com o cobrador, se o ônibus atravessa a Ricardo Jafet, se positivo, desça no ultimo ponto antes da Ricardo Jafet.
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