segunda-feira, outubro 30, 2006


Aguardem a capa do livro - enquanto isso vejam esse trabalho do Adrianus e caiam na risada. Posted by Picasa

Lançamento do Livro " Um Paraiba Vagamundo"

Olá amigos

Estarei lançando o meu livro “ Um Paraíba Vagamundo – Crônicas e Poesias de
um Viajante Voador” e gostaria de contar com a sua presença. O lançamento
ocorrerá no dia 12 de Novembro ás 15:00 no IPPB (Instituto de Pesquisas
Projeciológicas e Bioenergéticas) na rua Gomes Nogueira, 168, no Ipiranga.

O evento contará com danças de toda parte do mundo ( Dança cigana, celta,
dança do ventre, dança indiana), apresentação de yoga, música e muitas
surpresas.

O livro é um projeto antigo e reúne uma seleção do meu trabalho de 2001 a
2006. Toda a venda será convertida para ajudar uma amiga que perdeu os
movimentos do corpo depois de uma operação mal sucedida.

Será uma honra poder contar com vocês nesse evento.

Um grande abraço

Frank

Crazy

Quando olhamos o nosso mundo de cima, não há fronteiras, não há diferenças
entre raças. Tudo é grão de areia, tudo farinha do mesmo saco. Lá de cima,
as manipulações por amor, dinheiro ou poder perdem a importância. De cima, a
terra cabe na palma da mão e as encrencas viram poeira no espaço.

Todos deveriam olhar o mundo de cima, principalmente quando nos atolamos em
dramas e ficamos presos na areia movediça do ego. Ao olhar de cima, os
desentendimentos entre amigos e amantes viram brigas de criança. Os motivos
que nos levam a fazermos besteira se tornam simplesmente uma grande
besteira. O que não nos deixa dormir em paz, vira apenas uma vaga lembrança.

Mas nem todo mundo quer olhar de cima, como diria Seal em sua canção”
Crazy”: Em um mundo cheio de gente, somente algumas pessoas querem voar,
isso não é loucura? Sim, é uma loucura, pois mesmo embora não sejamos
pássaros, podemos voar e tentar enxergar as coisas de cima, basta deixar as
mágoas de lado e o “ego ofendido” para perceber que todos somos culpados e
inocentes e não precisamos culpar um Judas para arrumarmos o nosso quintal.
Basta voar um pouquinho além do nosso orgulho ferido e das nuvens, e olhar
para baixo para ver como o que era gigante tornou-se formiga.

Como formiguinhas, juntamos um gigante de melecas emocionais e transformamos
nossas vidas em enredo de novela só pelo prazer de perder,ganhar e tornar a
perder e ganhar. Isso não é loucura? Fácil falar, dirão os “ realistas”,
mas garanto que isso também é fácil de fazer, basta abrir mão de sempre
querer ganhar e perceber que não há vitória quando o outro perde, que não há
sucesso enquanto outro definha, que não há motivo para usar os outros como
escada para escalar as nossas montanhas. Difícil é não desejar sempre estar
certo; complicado é não querer sempre ter a última palavra sobre algo.

Olhar o nosso mundo de cima, é perceber que a nossa consciência vai além dos
limites do nosso corpo. A nossa consciência faz parte do corpo do outro e
vai muito além do nosso quintal, expandindo-se para o lado, para o alto e
para o infinito. Essa expansão da alma ocorre quando percebemos que nossos
olhos podem enxergar além do nosso ponto de vista, para vermos o mundo como
um palco onde o ator pode, por vezes, parar de atuar e acreditar no drama,
para ver as coisas como elas são realmente; afinal ele é maior que a
personagem.

Reduzindo o alcance do ego, a alma tem o tamanho do universo.

Frank Oliveira

sábado, outubro 28, 2006

Tempo de Validade

Ela estava ao meu lado, quando acordei essa manhã. Como todas as manhãs em 07 anos de casamento, olhei pro seu rosto, toquei o seu cabelo, fiquei observando ela dormindo e agradeci aos céus por ela estar ali. Não queria acordá-la, tinha um plano secreto de ir até a padaria, comprar pão, preparar o café e levar na cama. Adoro fazer isso. Fico tão feliz quando ela acorda e vê a bandeja com o desjejum e sente o cheiro do café. Talvez por ser uma desastre na cozinha e mal conseguir fritar um ovo, que empenho todas as minhas forças para que o café seja perfeito. Eu a amo, mas sei que mesmo com todo o meu esforço, não há garantia que ela sempre esteja ali.

Na semana, corremos como ratos em busca do nosso queijo: café na padaria, beijos trocados em ônibus lotados e abraços de despedidas dentro do vagão do metrô. Durante o fim de semana, as manhãs de Sábado e Domingo são sagradas, e o café na cama faz parte do ritual de parar o tempo e fingir que somos dois planetas girando na órbita do nosso sol amor. Sim, sou romântico, até onde consigo ser; acredito que todo o homem tem a obrigação de tratar sua mulher como uma rainha, afinal se ela não merece ser tratada como tal, porque diabos, ficar ao lado dela?

Nem sempre pensei assim, mas agora acredito que se você tem um amigo, uma namorada, uma mãe, uma família, nesse mundo tão descrente em amor, você tem toda a riqueza que um homem precisa durante a vida para estar realizado. Aprendi isso com a vida, pois amar é aprender na prática, afinal, o amor não vem com manual.

Na escola, não aprendemos a amar e respeitar a nossa família; são as brigas, as picuinhas e ainda assim o suporte mesmo quando estamos errados, que nos ensinam o quanto é eterno o laço que nos une. Na rua, não aprendemos a amar uma mulher; são os relacionamentos destruídos por ciúme, insegurança e imaturidade, que nos molda pouco a pouco para que percebamos, que estar ao lado de alguém é uma dádiva, um presente, uma chance de moldarmos a realidade e ser felizes com algo que não seja descrito em cifrões.

Amar é cuidar, é sentir vontade de sorrir quando quem é amado por nós está feliz. Amar é ser amado em retorno. Amar é sentir que vale a pena continuar a acreditar que esse amor irá durar pra sempre. O problema é que nem sempre dura...

Sim, há chance de uma hora o mundo separar até mesmo os casais que parecem estar mais apaixonados. São muitos os motivos: outra pessoa, um novo caminho em que exige apenas dois pés e não mais quatro, mas seja qual for a razão, embora o fim de um relacionamento seja, assim como a morte, inevitável; há em nossas mãos, sempre uma chance de transformar outono em primavera.

Aceitar que alguém tem o direito de partir, não significa permanecer o tempo inteiro à espera que isso aconteça; pelo contrário, é reconhecer que as pessoas mudam e se o casal souber mudar junto, renovar-se e mantiver o relacionamento sempre baseado no respeito e na amizade, esse amor, que aparentemente tinha prazo para acabar, voltará a se revitalizar e irá durar outros tantos ciclos e cafés na cama aos domingos.

O amor não nos dá garantia de quanto tempo irá durar; mas a maneira como tratamos quem está do nosso lado especifica se o nosso amor já passou da data de validade.

segunda-feira, outubro 23, 2006

O Velho e as Ovelhas

Entre o Cebreiro e Triacastela, depois de caminhar o dia inteiro, parei para
descansar e observei que ao longe vinha um velhinho espanhol conduzindo seu
rebanho de ovelhas. Acenei, ele retribuiu com um sorriso e parou para
conversar. Começamos a papear sobre os estranhos que passavam por aquelas
terras seguindo o Caminho de Santiago e ele perguntou:

- Que você faz aqui sem a sua noiva?

- O quê?

- Estou vendo que tu és noivo (disse, percebendo meu anel de noivado na mão
direita). Eu não entendo. Esse é o caminho do amor e se tu amas sua noiva.
Por que andas sozinho?

Lembrei da vontade que Auri tinha de ter vindo comigo, mas eu tinha
prometido fazer o Caminho sozinho. Se eu esperasse mais um pouco e tivesse
adaptado a promessa aos dois, poderíamos ter vindo juntos.

- Não sei porque todos querem caminhar sozinhos por aqui – ele disse - Eu
caminho sem a minha velha há 10 anos e não há um único dia sequer em que não
deseje voltar a caminhar com ela. Meu filho, o Caminho de Santiago é o
caminho do amor e não da solidão. Caminhe sozinho e você chegará a lugar
nenhum.

Caminho de Santiago, Setembro de 1998

domingo, outubro 22, 2006


Ritual Aborigene - Fonte: http://www.cervantesvirtual.com/historia/TH/cosmogonia_australiana.shtml
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Herança Aborígine

Ao cair da noite, o chamado ecoa pelo ar. O ancião aborígine no alto da pedra vermelha gira um instrumento que ao entrar em contato com o ar emite um som que lembra o bater de asas de um pássaro gigante.

A celebração da Terra esta prestes a começar.

A fogueira ilumina o lugar, as sombras brincam nos rostos de cada homem que vai chegando e tomando sua posição no círculo ao redor do fogo. Com a pele tingida de branco e lanças torneadas com fitas vermelhas, os aborígines começam a dançar e a cantar. O ritmo é mantido pelas batidas dos pés, pelo digeridoo (um instrumento de sopro) e pelo canto que ora lembra o som das batidas do coração, ora parece ser a própria noite gritando: Estou chegando!

Não demora muito e todos parecem ter entrado numa espécie de transe.O ancião fala alguma prece em meio a música, deixando todos que estão assistindo a apresentação com uma estranha sensação que só pode ser descrita por: Uau!!!

- É tão místico, né meu bem? - Fala uma mulher do meu lado para o seu marido.

- Místico? - penso comigo – Não tem nada de místico não, dona. É só outra cultura que temos aqui nesse planeta, com uma historia única, recheada de significado, sabedoria e poesia, de um povo, que por uma razão ou outra, decidiu viver de uma maneira diferente da que escolhemos.

A cultura aborígine é uma das mais ricas e antigas do mundo e vivem por milênios na região, que hoje é conhecida como Austrália. Durante boa parte da sua convivência com os “descobridores”, eles foram massacrados, roubados e quase tiveram a sua cultura e fé destruída pela boa intenção “branca” de modernizar o primitivo, mas apesar de tudo, sua cultura ainda permanece forte e bela. Essa apresentação, junto com o lançamento de um filme, exposição fotográfica e palestras, tentam levar ao mundo um pouquinho da cultura e luta desse povo para permanecer na terra dos seus ancestrais.

O espetáculo continua, e a dança da terra termina de forma brusca dando lugar a uma fumaça que representa o mundo do sono. A Dança dos Sonhos esta prestes a começar. Eles dançam e na tela por detrás dos dançarinos, surgem imagens de pinturas lindíssimas que representam os sonhos e seus significados.

Para o aborígine, sonhar é uma oportunidade preciosa de conhecer sobre a própria vida e o papel de cada um no mundo; além de ser inspiração para poesias, músicas e todo tipo de arte. Desde criança, eles são educados a prestar atenção e tentar lembrar dos seus sonhos, por que ao sonhar, eles acreditam que o espírito de cada pessoa entra em outro mundo e pode conversar com seus antepassados.

No final da apresentação, as palavras do ancião foram traduzidas para todos:

“Para o nosso povo, a Terra é a base de nossa existência. Desde cedo, aprendemos que ninguém possui a terra, é ela quem nos possui. Há terra para todos, terra o bastante para vivermos em paz cultivando e cuidando dela, mas parece que todos os outros povos estão mais preocupados em possuir a terra dos outros do que cuidar da sua.

O sagrado não se encontra na crença que precisamos cuidar bem da terra e um do outro, mas sim na própria ação.

Nosso povo há séculos vem passando de pai para filho a tradição do bem cuidar do nosso lar. Essa tradição que é a nossa herança. Essa herança não é só para os nossos filhos, mas pra todos aqueles que se interessem pela nossa cultura.

Ao cuidar da terra ou um do outro o efeito é como o vôo de um bumerangue, pode demorar, mas ele sempre volta para você.”

Todos se levantam e aplaudem com entusiasmo. O ancião sorri junto com os dançarinos. Nos seus olhos um brilho de quem sabe que apesar da maioria das pessoas estarem ali só pelo exótico de observar uma apresentação como aquela, outra boa parte conseguiu enxergar a beleza e sabedoria por trás do diferente. O recado estava dado.

Setembro 2002

Frank Oliveira

sábado, outubro 21, 2006


Saltimbanco - Cirque du Soleil http://diversao.uol.com.br/album Posted by Picasa

O Circo e o Gari

Jonas é um dos Garis que trabalham na região da Vila Olímpia, São Paulo, onde até pouco tempo estava montada o espetáculo do Cirque Du Soleil. Esses dias, enquanto tomava café numa lanchonete próximo ao local, ele puxou assunto e comentou que tinha ido num circo uma vez, e estava curioso para saber que circo era aquele que cobrava mais de R$ 100,00 pelo ingresso.

- Deve ser bem especial, né?

Sim, era especial. A apresentação da famosa companhia canadense foi um sucesso de público. O Governo e a iniciativa privada uniram forças para que os brasileiros pudessem assistir a esse espetáculo que já percorreu o mundo inteiro. Pela primeira vez no país, a companhia canadense, criada em 1984, escolheu um de seus espetáculos mais famosos para mostrar ao público de São Paulo e Rio de Janeiro. "Saltimbanco" foi criado em 1992 e conta a história de garoto que vive numa metrópole e vê as transformações por que passa sua vida e sua cidade. Dividida em doze atos, a peça tem malabarismo, trapézio, palhaços, corda bamba e dança.

- Até queria levar as crianças pra assistir, mas precisa ver minha cara quando cheguei na bilheteria e vi os preços. Rapaz, eu teria que trabaia três mes para pagar as entradas.

Segundo a organização do evento, a trupe demorou a vir ao Brasil devido à falta de patrocínio. A estrutura, de acordo com a direção do espetáculo, é muito custosa: são 51 artistas, além de toda a equipe técnica.

- O governo fica falando em quota pra universidade, deveria ter também quota pra gente pobre ir ver peça de teatro e circo assim, moço. Minha muié é louca pra ir prum teatro, mas cumé qui vamos pro teatro, se nem no cinema dá.

Fui assistir ao espetáculo uma vez quando morava em Londres, e lembro que os preços eram acessíveis para todos. Eu não tinha tanta grana assim, mas sabia que durante a semana, os preços eram 50% mais baratos o que permitia que todos pudessem assistir, não apenas uma parcela da população.

- Quem sabe a próxima vez que eles vierem pra cá, cobrem mais barato; ai levo os meninos pra assistir.

“As cortinas se fecham, mas a alegria continua”, diz o anúncio do jornal sobre o encerramento do espetáculo do Cirque Du Soleil. Oxalá que Jonas e sua familia possam assistir o espetáculo na próxima vez.

domingo, outubro 15, 2006

Anima

Desde os primórdios o homem percorre os quatro cantos do mundo em busca de experiência, ao mesmo tempo em que internamente procura a essência do que ele é, do que representa.

Da África as terras européias, das tribos massais aos tambores celtas, o aprendizado corre nas veias da alma, que anima, que o faz seguir em jornada.

Das margens do Rio Ganges as muralhas da China, das montanhas da Mongólia até as terras da Sibéria; esses homens continuam em sua caçada por felicidade ou por alguma verdade que os faça lembrar que já foram estrelas, antes de cair no mar.

Atravessando estreitos de gelo, descendo a América abaixo, dos Maias aos Incas, dos Tupis-Guarani aos Astecas, esses homens até hoje viajam por toda a terra sem temer o perigo que deixar tudo pra traz representa.

Então levanta, homem-estrela, e anda.

Sai do barro, desce das árvores e caminha pela terra que é sua, nossa, minha.

Ouve o chamado do vento e descubra o que se esconde por tráz do horizonte, não pergunte aonde, apenas siga, descubra, avance.

Levanta homem e prova da maçã, sinta o sabor do conhecimento e o doce licor da sabedoria. Percorra esse mundo, chore de alegria; experimente o que há por fora, o que há por dentro, pois se Deus é o Criador, o homem co-cria.

terça-feira, outubro 10, 2006

"Bom dia com amor"

Bom dia de verdade

Acorda nossa alma

Reaviva nosso coração

Põe nos lábios um sorriso

Nos olhos do outro vemos o paraíso

Se esvai a solidão,

*

Quando dizemos bom dia com amor

A energia se fortalece

Nos dando um novo amanhecer

A prova são nossos corpos que se enaltecem

Uma onda que nos brinda e aquece

Fogo na alma de puro prazer

*

Por isso bom dia amor meu!

Que bom o presente que Deus me deu

O privilegio de junto contigo viver

Me banha com tua luz infinita

Me aquece, me faz sentir bonita

Tem compromisso, pois quero você!


Beijo

Auri


Obs: Poemo enviada pela moça que tanto me inspira.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Para todas as pessoas que ainda ousam amar...

:)


Oi se fala com o olhar.

Bom dia é mais bom dia quando dado em forma de carinho.

Nos últimos dias, tenho sentido novamente os raios do sol através do seu
sorriso.

Seu corpo está cansado, sua mente atarefada, mas seu coração tem batido em
sintonia com o meu e nesse ritmo, eu só tenho vontade de gritar aos quatro
ventos: bendido sejam os homens que podem sentir isso.

Sim, somos benditos, porque podemos sorrir, chorar e amar. Podemos ser tudo
o que restava para ter sido e ainda assim, se renovar nos braços da amada, o
verdadeiro paraiso perdido.

Deus no céu, paz na terra e o amor no coração dos homens que tiveram o
previlégio de sentir o que tenho sentido.

terça-feira, outubro 03, 2006


Meu amigo Kassim Posted by Picasa

O Poder da Escolha

São duas da tarde, depois de tanto procurar, finalmente encontro um restaurante bom e barato no Itaim Bibi. Desde que comecei a trabalhar na região tenho peregrinado para achar um “B e B” e finalmente, encontrei o lugar certo. Acomodado, escolho a mesa, puxo a cadeira, e abro o cardápio; escolho meu prato feito, peço meu suco de laranja natural e enquanto a comida não chega, rabisco frases desconexas no guardanapo (sempre faço isso, só pode ser alguma compulsão). O restaurante ainda está cheio, apesar de não ser mais horário de almoço. O garçom vem até as mesas e pega o pedido, a maioria o chama pelo nome, devem ser clientes que sempre almoçam por ali. Um dos clientes pergunta pro garçom:

- Você não votou nele, votou?
O garçom olha encabulado, não quer responder. O engravatado ri, a platéia aplaude e espera ansiosa a resposta do rapaz, que com forte sotaque nordestino, responde:
- Sim, eu votei nele, esta bem? – diz e visualmente encabulado, sai da mesa e segui em direção a cozinha, sendo salvo pelos pratos já prontos.

Os engravatados comentam entre si, que “esse povo” não sabe votar. O garçom evita voltar à mesa e enfrentar os olhares inquisidores, afinal não pode discutir com o cliente que sempre tem razão; mesmo quando julga, mesmo quando paga a conta com uma salada de preconceito.

O garçom me faz lembrar do meu amigo afegão Kassim, que conheci em Londres. Trabalhávamos no mesmo restaurante, e quando ele ia servir as mesas e alguém lhe perguntava, de onde vinha; ele respondia cabisbaixo: “Afeganistão”.

Era 2001, seu país acabara de ser invadido pelos Nortes Americanos e ele era um dos primeiros refugiados a chegar a Londres. Logo virou motivo de curiosidade naquele restaurante de um clube de classe alta inglesa. Todos sabiam de onde ele era, mas parecia haver um prazer sádico em perguntar-lhe sempre a mesma pergunta.

Com o tempo, Kassim, foi perdendo a vergonha e começou a responder com segurança e orgulho, percebera finalmente que não havia vergonha em ter vindo do Afeganistão. Quanto mais seguro ele respondia, menos os clientes perguntavam.

Naquela tarde, ao ver o Garçom, vi no moço o meu amigo Kassim, principalmente quando ao voltar a mesa, e começar a ouvir piadinhas, o garçom respondeu:

- Olha, tenho direito de votar em quem eu quiser, até onde eu sei, democracia é ter poder de escolha. – disse com firmeza – e sim, votei nele, você votou no outro e assim vamos construindo um país livre para todos, onde todos se respeitam independente das suas escolhas.

Todos na mesa se calaram, eu quis bater palmas, mas ao invés disso, deixei uma caixinha para ele ao pagar a minha conta no caixa. Afinal, estamos mesmo num país livre, onde todos têm a escolha de votar em quem quiser. Imagine se não tivéssemos o poder de mudar os rumos do Brasil pelo voto? Cuba é maravilhosa nos sonhos de quem nunca viveu sob o regime do Senhor Castro. O preço a pagar por nossa liberdade é conviver e respeitar a opinião do outro, principalmente quando for diferente da nossa.

Frank Oliveira

domingo, outubro 01, 2006


N�o sou Palha�o!!! Posted by Picasa

Cara de Palhaço

Era apenas um protesto brando. Decidi que iria votar com um nariz de palhaço. A idéia veio de um site www.narizdepalhaço.com.br, onde um grupo de malucos sugeriu que fossemos votar com um nariz de palhaço, como forma de protesto contra toda essa palhaçada que é feita em nome do povo.

Achei a idéia original e como por vezes, já me senti um palhaço com tanta corrupção, levantei cedo e fui votar armado com o meu título de eleitor e um nariz postiço de palhaço que uso em dinâmicas e palestras.

Não era o único palhaço, minha esposa aderiu a idéia e logo éramos dois palhacinhos a caminho de nossos respectivos colégios para votar e o resultado foi surpreendente.

Primeiro, achamos que iamos ser expulsos do lugar pela policia, mas os policiais foram os primeiros a cair na risada. Sim, a intenção era chocar, mas na verdade levamos ao riso, tanto os mesários, quanto as pessoas que estavam na fila para votar. Contudo, sem fazer nenhuma propaganda, através do riso e dos nossos narizes, sentimos que fazíamos as pessoas se perguntarem: Quem são esses “palhaços”? O que eles querem dizer? Mostrar? Que protesto é esse? Será que somos mesmo palhaços? O que podemos fazer para não bancarmos o palhaço?

Interessante o quanto uma imagem às vezes, vale por mil palavras, panfletos, discursos. Com todo o respeito a classe desses profissionais do riso, mas votar consciente é declarar que não somos palhaços (no sentido perjorativo da palavra), e sim, eleitores, e como tal podemos escolher nossos candidatos baseado naquilo que acreditamos, percebemos, lemos e não na base do discurso e da hipocrisia. Numa democracia, o voto é a arma que o povo tem, para mostrar que é possível votar bem para melhorar o país; mas foi com o nariz de palhaço que percebi que é possível através do riso, tocar corações e fazer as pessoas pensarem um pouco mais antes de uma grande decisão.

01 de Outubro de 2006

Frank Oliveira
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