terça-feira, setembro 26, 2006

A Magia do Papel em Branco

A Magia do Papel em Branco


Época de eleição, verdade, mentira e muito papel no chão. Era moleque; não entendia quem ia ganhar, ou o que eles tinham para oferecer; mas o que não faltava era papel e para quem não tinha onde escrever, era só aproveitar o parte branca do panfleto. Quantos mais candidatos havia, mais matéria prima eu tinha para as minhas anotações.

Na falta de um caderno para escrever meus contos, minhas histórias, os panfletos eram perfeitos. Quanto maior o panfleto do político, mais espaço eu tinha para escrever, para desenhar, para rabiscar as idéias que formariam o homem que sou. Para a minha sorte, naquela época ninguém havia pensado em colocar a foto do político na frente e no verso do panfleto.

Sim, era um tempo difícil, mas não menos divertido. Minha mãe só tinha dinheiro para comprar os cadernos da escola, os quais ela vistoriava constantemente. Era bronca na certa quando ela percebia qualquer espaço usado para escrever algo que não fosse matéria da escola – Para quê você escreve tanta bobagem, menino? – dizia ela. Eu não tinha resposta, só sabia que havia uma história para contar.

O problema era que eu não parava de escrever, minha cabeça estava cheia de idéias, cheia de personagens que gritavam, imploravam para se tornarem vivos no movimento das letras, no desenho das palavras.

Eu vivia escrevendo em papel de saco de pão, em guardanapo roubado das lanchonetes onde nunca comi uma refeição, até a epóca das eleições. Para um garoto pobre com fome de papel, panfletos caindo do céu, dos caminhões e carros, era como se chocolates caíssem dos prédios em dia de São Cosme e São Damião.

Nos dias de hoje, não espero mais a época das eleições com tanto entusiasmo, porém, toda vez que vejo panfletos de políticos no chão, entupindo bueiros; lembro desse moleque e fico desejando que houvesse outros garotos escritores por ai, reciclando panfletos e colocando no papel sua visão de mundo, afinal um bom conto, uma história não tem o poder de mudar os rumos de um país, mas se bem narrada, pode fazer todo um povo sorrir e sonhar.

Frank

segunda-feira, setembro 25, 2006

Hanuman e a Verdadeira Amizade

Há muito tempo atrás nas terras da Índia, havia um homem chamado Odlavir, que buscava encontrar a verdadeira amizade. Não que tivesse problemas em fazer amigos, pelo contrário, sempre havia pessoas ao seu redor e ele tentava ser o melhor amigo que alguém podia ter, mas estranhamente as pessoas para quem dedicava o seu carinho se afastavam pelos mais insignificantes motivos.

Ele sabia que entre amigos, mal entendidos sempre aparecem, mas para isso havia a conversa e o perdão, e ele sempre havia dito que o perdão era companheiro inseparável de qualquer amizade.

Preocupado por jamais encontrar uma amizade duradoura ele partiu para os quatro cantos do reino e consultou os Sábios em busca de resposta.

- O melhor amigo do homem é o dinheiro.- disse o Sábio do Norte.

- É apenas uma questão de tempo para que seu melhor amigo vire um rosto perdido na multidão.- disse o Sábio do Sul.

- Amizade é sempre renovação- disse o Sábio do Oeste – É preciso deixar os velhos amigos de lado e se dedicar aos novos.

Odlavir já estava irritado com as repostas que recebia. Claro que era possível ter os velhos amigos e os novos ao mesmo tempo, afinal novas amizades deveriam somar e não subtrair. Ele se recusava a esquecer um rosto amigo ou tratá-lo como posse que se ganha, perde e se gasta.

Enfim, bateu na porta do Sábio do Leste e explicou sua história, e eis o que o Sábio lhe falou:

- Tenho quase um século de vida Odlavir, e nunca tive um amigo de verdade - disse o homem com tristeza – Sempre tive medo de me aproximar das pessoas e de ser magoado, com isso, perdi todas as oportunidades que a
vida me proporcionou de ter amigos verdadeiros. Não posso lhe ajudar, mas porque você não procura o Príncipe Rama*. Ele é um homem experiente e sábio, e poderá lhe dar a resposta que você tanto procura.

Odlavir esperou pacientemente e foi recebido no Palácio.

O Príncipe Rama era conhecido não só por sua sabedoria e compaixão, mas também pela sua simplicidade.
- Em que posso lhe ser útil, meu caro? Perguntou o Príncipe ao lado de sua esposa Sita.

- Meu príncipe, já estive com os quatro sábios do mundo, mas nenhum deles pôde me ajudar a descobrir se existe ou não amizade verdadeira. Ó meu Príncipe, serei eu apenas um tolo a procurar um tesouro que não existe?

O príncipe sorriu e respondeu:

- Não és tolo por querer uma amizade sincera e verdadeira, Odlavir, mas minhas palavras são muitas pobres para lhe aconselhar sobre esse assunto. Porém, há alguém que pode lhe ajudar. Hanumam** é meu fiel e grande
defensor e se encontra nos jardins do palácio nesse momento, leve a ele sua indagação.

Odlavir agradeceu o conselho e se dirigiu ao encontro com Hanuman que parecia já estar lhe esperando.

Hanumam era considerado um dos homens mais fortes e valentes do reino. Já havia salvo o Príncipe Rama por diversas vezes e era um exemplo de fidelidade e dedicação ao príncipe.

Ao encontrá-lo, Odlavir contou toda a sua peregrinação em busca de um amigo.

- Começo a acreditar que a amizade é realmente passageira, assim como a nuvem que se desfaz ao primeiro sinal de tempestade.

Hanumam ouviu tudo em silêncio e sorrindo lhe respondeu:

- Odlavir, sua busca não é insensata, nem impossível uma vez que a verdadeira amizade já existe dentro de você. Assim como o amor, a amizade dorme dentro do seu peito e só precisa de alguém para despertá-la.
A amizade verdadeira demora a ser compartilhada e experimentada por que é rara e preciosa, nos dando às vezes, a impressão que ela não existe, mas no momento certo em que surge nos faz descobrir o quão valioso é
entregá-la a alguém.

- Mas como posso descobrir que encontrei esse alguém?

- Os sinais são bem claros. Quando você estiver doente do corpo ou do espírito, o verdadeiro amigo, se for preciso, carregará uma montanha para lhe curar. Não importa se o momento é de lagrimas ou de sorrisos, o
verdadeiro amigo estará lá para te apoiar. Em momentos onde as diferenças aflorarem e a discussão parecer eminente, ele saberá ser coerente e paciente, pois assim como você, ele já descobriu que a inimizade e
a separação ocorrem pela imaturidade das pessoas envolvidas em resolver as suas diferenças de forma sensata e amiga. Mas até encontrar esse alguém, se dedique a quem precisar de você e não espere que ele retorne a você a mesma dedicação.
Continue enxergando na face de todos o seu amigo tão esperado e um belo dia, você notará que ele já caminha ao seu lado.
Lembre-se de não se preocupar se ele virá para ficar ou se partirá em breve. A verdadeira amizade é medida pelo que aprendemos e experimentamos um com o outro e não pelo tempo em que permanecemos juntos.

Odlavir sorriu ao ouvir a resposta que tanto procurara, agradeceu Hanuman e saiu do palácio contente, pois tinha descoberto que a amizade verdadeira não é aquela que é recebida, nem tão pouco meramente explicada e sim apenas sentida e doada.

Frank

Londres, 2004

domingo, setembro 17, 2006


Sem Capa e Sem Espada Posted by Picasa

Sem Capa e Sem Espada

Certo dia, percebi que não estava sozinho. Como eu não me via mais como uma ilha, entendi que, se fizesse um pouquinho, poderia fazer alguma contribuição para esse grande continente humano. Não que o mundo precisasse da minha ajuda (ele sempre esteve muito bem, obrigado), mas não falta trabalho para quem quer dar uma mãozinha.

Aprendi algumas técnicas. Estudei um pouquinho, aqui e acolá, e não tardou para que eu passasse da teoria à pratica.

Assim, vesti minha capa, coloquei uma máscara e saí voando para o alto e avante, em busca dos fracos e oprimidos, sempre com a melhor das intenções. Sabia que tinha o Universo do meu lado, os poderes de Grayskull, a espada com o olho de Thundera e as bolas de fogo do Dragon Ball para me auxiliar nessa heróica jornada e, como um Homem Aranha ou Super-Homem, viciei-me em auxiliar o próximo.

Toda vez que o auxilio era necessário, lá estava o Super-Frank, o Zorro Hindu, pronto para o trabalho.

Mas, o herói foi amadurecendo...

Aprendendo que nem sempre precisaria usar as mãos ou os poderes especiais que tinha à disposição, pois tudo o que precisava eram boas palavras, um pouco de luz e muito amor.

Ainda estou aprendendo a trabalhar, cada vez mais sutilmente, mas, confesso que demorei a perceber que o auxilio maior se faz silenciosamente, sem capa nem espadas.

Depois de certo tempo, mais uma ficha caiu: existem pessoas que querem ajuda, e outras não.

Isso me chocou a princípio, pois costumava acreditar que, se existisse um inferno, ele estaria cheio de anjos por lá, tentando ajudar, e eles tinham a obrigação de ajudar, afinal as pessoas precisavam ser ajudadas, mesmo que não entendessem que precisavam de auxílio.

O pior de ajudar é entender que há casos em que a melhor ajuda é não intervir.

Há realmente um inferno, e nós o carregamos dentro de nós mesmos. Os anjos estão ao nosso redor, mas eles sabem que, em certos casos, boas intenções não são o bastante, pois a ajuda tem que partir de dentro.

Nesses casos, a melhor ajuda vem da Nave Mãe Universal, e é só uma questão de tempo (tempo do Universo, e não tempo do homem) para a vida se encarregar de auxiliar e ensinar.

Contudo, é duro não poder ajudar. Pior ainda, é saber que não há palavras, bolas de luzes, feitiços e mandingas que lhe ajudem a auxiliar as pessoas a enxergarem que existe uma saída, uma luz para a sua escuridão. Normalmente, nos sentimos impotentes e tentamos barganhar com os “Poderes Celestes” um auxílio para fulano ou sicrano e, em silêncio, eles lhe respondem que é hora da não-ação.

O vento explica o silêncio que o homem não consegue escutar. A água explica as mudanças que não tardam a chegar. Mudanças sutis que embora não possam ser perceptíveis aos olhos humanos, acabam sendo captadas pelos olhos da alma.

Basta ter paciência para entender que, no fim, tudo se resolve. Que quem está no escuro e não entende o poder da luz, acabará enxergando-a por conta própria.

Não dá para explicar discernimento para quem é fanático. Nem se consegue explicar a beleza da vida para quem não enxerga sentido na mesma. Mas dá para desejar o melhor para essas pessoas e enviar o nosso carinho para todas elas, na esperança de que um dia elas se abram e voltem a viver plenamente de novo.


Frank

Escrevendo e escrevendo... Posted by Picasa

Aniversário do Crônicas do Frank

Olá amigos

Estamos comemorando um ano do blog "Crônicas do Frank" e gostaria de agradecer a todos os leitores e amigos que acompanham meu trabalho.

Todas as mensagens deixadas no blog ou via e-mail estão guardadas com carinho no meu coração.

Continuem acompanhando o blog e deixando a sua opinião e comentários.

Um grande abraço e muitos sorrisos

Frank Oliveira

quinta-feira, setembro 14, 2006


Princesa Kiko depois de entregar o grande presente ao Jap�o Posted by Picasa

Japão Respira Aliviado

O Japão celebra, pois a princesa Kiko deu à luz um menino – o primeiro herdeiro do sexo masculino nascido na família real do Japão desde 1965 – para quem não sabe, a princesa Kiko (tadinha), vivia estressada e sob pressão, pois precisava dar a luz á um menino, pois somente meninos podem ser Imperadores, somente um homem pode assumir o trono. Que bonito, todos celebram, todos estão felizes, o Japoneses podem descansar em paz, afinal, imagina se não tivesse nascido um menino?

Que feio, Japão! A tradição é bela, mas estamos no século 21. Esse tipo de tradição machista, paternalista é esperado de uma Mongólia, de um país africano, de um país como a Arábia Saudita, mas não o Japão. Um país que está entre os grandes exemplos de mudança, recuperação e modernidade. Um país que é sinônimo de tecnologia, trabalho e avanço.

Que feio, Japão! Até em monarquias profundamente arcaicas como a inglesa, nunca houve problema algum para uma mulher assumir o trono. Na Índia, onde as mulheres até bem pouco tempo, eram consideradas “inferiores” aos macacos, eles tiveram uma primeira ministra.

Temos que respeitar as outras culturas, pois todas elas evoluem no seu devido ritmo, mas infelizmente, é muito triste que notícias como essas ainda sejam tão comuns no século 21.

F

quarta-feira, setembro 13, 2006

A Super Nany e a Habilidade Sagrada do Tempo em que vivia nas árvores

Estou tendo aula de espanhol com a Super Nany e reutilizando meus conhecimentos da época que ainda vivia nas árvores no transporte público de São Paulo.

Criei vergonha na cara e estou tendo aulas de espanhol. Cansei de falar portunhol. É feio, é humilhante e depois de colecionar tanto gafe, percebi que se tivesse umas aulinhas, poderia aperfeicoar o espanhol que já conheço com o que acho que conheço, mas não passa de enrolação. Difícil é convencer o cérebro que a minha professora uruguaya não é a Super Nany. Ela é igualzinha a Nany que vemos na versão Sbtniana. Quem sabe preciso mesmo de uma babá para domar esse "ninõ portunhol" que teima em aparecer e me colocar em micos lingüísticos.

Hoje de manhã depois do ônibus sardinha e do metrô lotado , percebi que finalmente estou colocando em prática nos tempos modernos meus conhecimentos de equilíbrio e sustentação que utilizava tanto na época em que vivia nas árvores. Passar por um corredor estreito de um ônibus lotado não é uma atividade fácil, mas qualquer macaco acustumado a pular de galho em galho tiraria de letra. Por isso recorri aos meu conhecimentos daquela existência (estavam ainda lá, em algum lugar da memória e vieram a tona institivamente). Então, da catraca até a porta de saída no fim do busão, me expremi e não cai; pela ponta dos pés fui pulando de galho em galho, segurarando-me como pude; desviando dos obstáculos naturias (moçoilas ofendidas com seus bundões de Carla Perez, mochilas de certos senhores adolescentes que parecem não utilizar a massa cinzenta para tirar a mochila numa condução lotada) e enfim, a reconpensa da saída no ponto certo – sim, recompensa, pois a maioria das pessoas, muitas vezes, não conseguem descer onde querem por forças maiores como pessoas que vão descer no ponto final, mas insistem em permanecer em pé na porta de saída e motoristas que não se importam em atrasar-se para encher a condução, mas ficam “impacientes” com as pessoas que por direito querem descer na sua parada.

No metrô, enfim, a mesma jornada símia. Não estou reclamando, mas ainda estou tentando entender a entrevista dada por um porta voz do Metrô de São Paulo que afirmou gategoricamente que cabem 11 pessoas por m2 dentro dos trens, ou seja, não reclamem da lotação por que cabe muito mais gente do que o metrô já carrega. Isso é alguma piada? Se for, ainda estou tentando encontrar a graça.

We need to be heros everyday

F.

domingo, setembro 10, 2006


The Princess and the Nile River  Posted by Picasa

sábado, setembro 09, 2006

Vendendora de Cura

Dona Roberta, benzedeira formada na vida. Fez caridade a vida inteira, vivia
numa casa de barro e se sustentava com a cesta básica que recebia do filho
que vez ou outra passava lá pra ver como ela estava.

O povo fazia fila na sua porta.

Ela era madrinha das centenas de crianças que curava, ou melhor, que ajudava
a curar, afinal Dona Roberta acreditava que ela era apenas um canal, assim
como a erva era uma torneira que fluia o amor que vinha do seu coração.

Um dia, minha mãe me levou até Dona Roberta. Eu tinha apenas 10 anos, mas
lembro muito bem do rosto que carregavam marcas de décadas e décadas de
experiências, e daqueles olhos que refletiam o infinito. Dona Roberta tinha
olhos de vaca, isso mesmo, era assim que eu descrevia os seus olhos grandes,
serenos e que pareciam não notar o tempo passar.

Dona Roberta salvou a minha vida. Contudo, ela não usou suas ervas, ela me
salvou com o seu bom senso.

Eu estava sofrendo de apendicite. Minha mãe não sabia. Religiosa ao extremo,
achava que as orações e ervas da famosa benzedeira poderiam me ajudar.
Estava enganada. Dona Roberta nem ergueu as ervas de suas mãos em minha
direção, ela apenas deu uma olhada, apertou minha barriga e disse a minha
mãe:
- Filha, leva teu filho ao médico. Minhas ervas não curam isso, deixa a
medicina dos homens fazer o trabalho dela.

Quando chegamos ao hospital, fui internado imediatamente. Estava com
apendicite aguda, mais alguns minutos e eu iria estar escrevendo essa
história do além. Sim, chegamos no hospital na hora certa. Se Dona Roberta
fosse uma charlatã, aproveitadora de pobres mães indefesas, provavelmente
teria feito uma oraçãozinha, recomendado um remédinho mágico e eu teria pago
com a vida.

Anos depois voltei a cidade onde morava no interior da Paraíba, e curioso,
quis saber da Dona Roberta, queria passar lá e agradecer (antes tarde que
nunca) “pelo trabalho que ela não fizera”, e percebi que a casa que ela
morava não existia mais. No lugar havia um sobrado bem bonito e comecei a
perceber que provavelmente alguém tinha expulsado a coitada de lá para
construir aquela mansão.

Revoltado, nem quis pensar muito no assunto. Afinal, estava de férias e não
queria me aborrecer; mas não resisti a curiosidade e passei num barzinho que
tinha lá do lado e perguntei a moça que estava atendendo no balcão, se ela
sabia o paradeiro da Dona Roberta.

- Ela mora no mesmo lugar que sempre morou. – Respondeu a moça.
- Impossível – disse – ela morava numa casa de barro e no lugar está esse
casarão, no minimo a expulsaram de lá.
- Que nada, moço – disse a mulher sorrindo – Dona Roberta tá bem de vida
agora. Começou a cobrar pelas benzedeiras e o povo não parava de chegar. Foi
até estudar em João Pessoa e voltou com dilploma de parede e tudo. A muié
hoje é benzedeira e mestra reika – acho que é assim que se chama, né? – sei
não, só sei que atende até o filho do prefeito.

Não podia acreditar naquilo – pensei – Ela havia se vendido! Como ela ousava
vender uma cura que nem vinha dela? Dinheiro realmente muda as pessoas. Sai
da cidade anos atrás e deixei uma senhora de fé e de boa alma; volto anos
depois e encontro uma mercenária da cura.

Pensando nisso, olhei pra casa dela e comecei a ponderar sobre os dois
finais possíveis para a história da Dona Roberta:

Final 1 : Dona Roberta foi despejada de casa para que alguém construisse uma
mansão. Deveria estar morando de favor, isso se ainda estivesse viva.

Final 2: Dona Roberta estudou um pouquinho mais e percebeu que a única forma
de ajudar outras pessoas era acima de tudo ajudando a si própria. Continua
com o seu trabalho de cura e agora tem condições de continuar a trabalhar.
Se continuasse da maneira que estava, o fim número 1 não seria tão hipotese
assim. Não parou nas benzedeiras, estudou outros tipos de cura e continua
progredindo em seu trabalho de cura, mas recebendo por isso, como qualquer
profissional.

O segundo final me pareceu mais coerente com a vida, afinal uma vida de São
Francisco somente é muito linda quando esperamos que outras pessoas a
tenham. Sim precisamos de pessoas que se sacrifiquem e morram na cruz para
nos salvar. Sem sacrificio, o salvador vira farsante e mercenário. Que bom
que Dona Roberta usou novamente o seu bom senso e cuidou da vida dela. Que
ruim para os outros que pagam por um cigarro, mas acham que devem receber
uma cura de graça.

08 de Setembro de 2006

Frank Oliveira

segunda-feira, setembro 04, 2006

O Sol Não Vai Acreditar

O Sol Não Vai Acreditar


Acordei cedo, com esse desejo obsessivo de vencer a preguiça e fazer algum exercicio. Luto contra a cama, com seu canto de sereia, tentando me seduzir; mato o sono e enterro a vontade de ficar deitado “só mais 05 minutos”. Estou lúcido, sem sono e visto o meu uniforme: moleton, tênis e coragem.

Sinto que agora estou pronto para a vida.

Nos ultimos tempos, tenho me arrastado. Vivo cansado, não tenho forças para escadas. Na última vez que corri para pegar o ônibus que já saia do ponto, quase tiveram que chamar os para-médicos.

Enfim, a vida anda tentando estabelecer contato comigo. Esperta, ela usa todo tipo de médiuns : jornais, revistas, médicos, amigos e avisos por todos os lados , que dizem sempre a mesma coisa – Faça Esportes!

O elevador chega ao térreo. Faço um alongamento, enquanto percebo que o sol ainda não apareceu para trabalhar. Só quero ver a cara dele quando me ver correndo... nem eu mesmo acredito que estou fazendo isso.

domingo, setembro 03, 2006


Nelly Gon�alves - A vida dela se transformou, depois que deu um depoimento na novela P�ginas da Vida - Recentemente, ela conseguiu emprego. � isso, Nelly, boa sorte e felicidades. Posted by Picasa

sexta-feira, setembro 01, 2006

Côncavo e Convexo

Duas senhoras conversam no ônibus. Uma discute sobre os últimos acontencimentos envolvendo Nelly Gonçalves, 68 anos, a senhora que falou sobre seu primeiro orgasmo em depoimento exibido após a novela "Páginas da Vida", a outra apenas escuta:


- Que a Tv é uma vergonha, todo mundo sabe, mas essa senhora de 68 anos, representa tudo de podre que há. Onde já se viu, nessa idade, falar sobre sexo.
- ...
- Amélia, minha amiga, quem fala dessas sujeiradas assim são os jovens. Senhoras devem se dar ao respeito. O que dirão nossos filhos? O que dirão nossos netos?
- É mesmo...
- Falar sobre isso não é pra gente de respeito. Essas coisas a gente nem pode pensar em público; agora me vem essa senhora contando em detalhes como foi o seu primeiro orgasmo na novela em horário nobre... isso é um ultraje! Onde está a censura? Tempo bom era na epóca da ditadura – os militares não deixariam isso passar. Onde está o Associação Cristã Feminina? Como permitiram que essa senhora falasse sobre orgasmo? Ainda sozinha?
- ...
- Que falta de vergonha. Essa senhora com idade para ser avó, deveria estar falando sobre seus netinhos, filhos, familia; e não descrevendo em detalhes como foi o seu primeiro orgas...nem consigo falar isso, Amélia, e ... ela usou a palavra “molhada”, sabia? Pode uma coisa dessas?
- Hum...
- Perder o emprego foi muito pouco, em outras época, ela seria queimada por falar algo assim. Tá vendo aqui no jornal? Ela esta reclamando que esta sendo discriminada, isso ainda é pouco! Onde vamos parar? E a moral e os bons costumes? Onde estão os valores da familia? Sim, ela merece ser alvo de chacota, merece cada xingo. Como ela ousou lembrar a todos nós, que gente velha também goza?
- Quer saber de uma coisa, Dorinda? – responde finalmente a outra senhora – Eu fiquei foi com uma tremenda inveja, ela descreveu mesmo como conseguiu?
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