domingo, abril 23, 2006


O livro " And Tango makes Three" Posted by Picasa

O Segredo dos Pingüins

Little Bob deveria estar jogando vídeo game, mas havia o livro que pegara na
biblioteca que não lhe saia da cabeça: “And Tango makes Three” contava uma
história que ocorreu há dois anos no zoológico do Central Park, em Nova
York. Dois pingüins machos, Roy e Silo, chocaram um ovo e adotaram o
filhote, formando uma família fora dos padrões daquelas que se vê no local.
A história deles se tornou livro infantil e todos os alunos precisavam ler e
comentar na classe a leitura do mesmo.

Bob tinha ficado fã desses bichinhos, depois que assistira no cinema “A
Marcha dos Pingüins” e não conseguira parar de ler o livro que lhe deram. À
medida que lia, ele conseguia imaginar a cena tão nitidamente que parecia
que assistia ao filme. Riu da confusão dos animaizinhos e se emocionou ao
perceber que a união dos dois pingüins machos resultara em vida.

Quando chegou a última página, percebeu que aprendera algo e era isso que
falaria na classe no dia seguinte: “Há diferenças em todo o reino animal,
não podemos julgar nada pela aparência ou por nossos preconceitos, pois Deus
é tão bom que tem um plano de amor até para um casal de Pingüins machos.”

Pensava nisso, quando seu pai se aproximou e arrancou o livro das suas mãos.
Ele acabara de ler sobre o livro nos jornais; livro este que fora proibido
em todo Estado de Missouri.

- Quem te deu esse livro pra ler? – perguntou o pai furioso. Little John não
sabia o que responder; conhecia quando seu pai estava alterado e sabia que
se não desse a reposta certa iria apanhar. Mas qual seria a resposta certa?
Ele nem sabia ao certo o que tinha feito de errado.

“A Professora me pediu pra ler”, respondeu, já esperando a pancada, mas nada
ocorreu. Seu Pai olhou mais uma vez para o livro com a foto dos três
pingüins na capa e para ele, mas em seguida saiu do quarto. Alguns momentos
depois, Little Bob começou a ouvir seus pais discutindo sobre o livro.

“O que havia de errado com o livro?” ele se perguntava, mas nenhuma resposta
vinha a sua mente e estranhamente no dia seguinte não houve aula. Quando
finalmente voltou para a escola, havia uma professora substituta na classe.

Ele nunca entendeu porque razão a antiga professora jamais voltou a dar
aulas para eles e o silêncio dos novos professores quando ele perguntava se
cairia na prova à leitura do livro dos Pingüins.

No final, acabou se convencendo que certas perguntas não possuem resposta e
aceitou a ordem silenciosa de nunca mais discutir com os adultos sobre
aquele livro, porém, esse silêncio não existia entre as crianças que leram o
livro, pelo contrário, eles conversaram sobre o livro proibido que tanto
enfureça os adultos o ano inteiro e chegaram à conclusão que seus pais eram
mesmo estranhos, afinal não tinha nada naquele livro além de um historia de
amor.

Frank
23 de Abril 2006

Notas do autor: Leia mais sobre o livro e os pingüins no link abaixo:
http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/especiais/pinguins/pinguin.shtm

sábado, abril 22, 2006


"To read or not to read..." Frank at the Shakespeare House Posted by Picasa

As Noticias e o Espelho

As Noticias e o Espelho


Uma curiosidade quase mórbida toma conta de mim toda manhã. Aproximo-me da banca de revistas e escaneio furtivamente as manchetes dos jornais como quem olha um acidente procurando corpos. Sei que boa coisa não iria ler, mesmo assim insisto na leitura, querendo saber o que esta ocorrendo de podre no reino tupiniquim; sabendo também que o efeito daquela noticia será similar à imagem de um corpo acidentado num desastre imbecil que poderia ter sido evitado por um drink a menos.

O anjinho e o diabinho brigam por essa decisão matinal que terá efeito pelo resto do meu dia, mas acabo dando ouvidos à curiosidade e mando para o inferno a precaução, o discernimento em saber que ler tudo aquilo não me ajudará em nada, pelo contrário, dependendo da noticia, ficarei o resto do dia comentando-a com os colegas, disseminando minha insatisfação com o mundo e distorcendo ainda mais o que li para convencer-los que o mundo está, estava e sempre estará à beira de um colapso.

- Bom dia, Frank! – diria alguém no escritório.
- Bom dia Fulano. – eu responderia, para em seguida comentar: Você viu que soltaram à assassina... Você ouviu a última de Brasília...

Se toda essa corrupção e violência que pinga dos jornais e revistas me embrulham o estomago, isso deve ser um bom sinal: devo estar mesmo no caminho menos egoísta; onde se não consigo evitar as besteiras que faço pelo menos esses atos medonhos do meu dia-a-dia não prejudicam tanto as pessoas ao meu redor. Contudo, meus comentários sobre o que leio nos jornais e absorvo pela TV, distorcidos pelo meu ponto de vista, ajudam ainda mais a propagar essa sensação de indignação que deveria deixar de ser teoria e obra prima para as minhas lamentações e passar a prática através do ato de votar em um candidato decente ou no drinque que deixaria de tomar, por saber que cada gesto meu, por menor que seja, acaba afetando a todos.

Se não consigo evitar essa “curiosidade” todo dia, ao menos estou tentando evitar o comentário inútil sobre esses assuntos desagradáveis de manchetes de jornais e que dão audiência aos tele noticiários e viram comida para os urubus de plantão. Nem sempre consigo. Ninguém quer saber se a sua sobrinha começou a andar ou se as pessoas finalmente pararam de passar fome no Sudão. Notícias boas não dão mesmo audiência, ibope e nem atenção. No fundo gostamos de ler e comentar sobre a desgraça alheia para nos dar conta o quanto a nossa vida é “maravilhosa e perfeita”. Precisamos dos políticos corruptos para que possamos declarar aos quatro cantos o quanto somos honestos, mesmo comprando produtos piratas que financiam essa mesma corrupção que tanto nos embrulha o estomago, mesmo sonegando impostos e etc. Como diria a sabedoria popular: apontar um dedo para o outro é apontar ao mesmo tempo três outros para nós.

Se alguém está fazendo algo que é o oposto que faríamos, precisamos pagar o preço de enxergar o reflexo desse espelho que é o rosto do outro. Não podemos exigir que esse reflexo se torne semelhante e nem muito menos julgar os seus atos com os nossos, como se fossemos o único modelo perfeito. Todos nós somos iguais (se acreditamos que fomos feitos à imagem e à semelhança de um Criador que não tem rosto e tem todos ao mesmo tempo), mas o nosso ego não. A imperfeição que gera essa distorção na imagem do espelho é a melhor prova que temos de que cada um de nós precisa trabalhar a sua imagem (o ego) de acordo com aquilo que precisamos experimentar para evoluirmos e nos tornarmos pessoas melhores nesse planeta.

Se você odeia morango, não posso forçá-lo a gostar por mais que acredite que essa fruta é a mais nutritiva e a mais saborosa. Se você vier a gostar de morango algum dia, será por conta própria, por meio das suas próprias escolhas e mesmo gostando das mesmas coisas, a experiência é diferente para cada um de nós.

Por isso que um certo Rabi á 2000 anos atrás dizia que o maior mandamento que existe é “Amais uns aos Outros” e não sei quanto a vocês, mas acredito que se há uma lista de sinônimos que ajude a descrever o amor, “Respeito” está no topo dela. Contudo, respeito pela mulher que te colocou no mundo não é o mesmo que submissão; respeito pela pessoa amada não significa escravidão; respeito pelo teu próximo não é ser um poço de reclamação; respeito por si mesmo não é chafurdar no lixo alheio para perceber o quanto o seu quintal é mais verde e nem tão pouco apontar a sujeira ou o mau cheiro. Pense a respeito, talvez o quintal do outro esteja sujo só para te mostrar o que o seu quintal pode se tornar se você parar de limpar.


Frank
22 de Abril de 2006

domingo, abril 16, 2006


Malhando o Judas/ Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0116.htm Posted by Picasa

Suzane von Richthofen

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Não Precisamos de Outro Judas

Saiu do trabalho mais cedo, pois queria ser o primeiro a chegar ao local onde a moça, assassina confessa dos pais, estava sendo interrogada. Conhecia toda a sua trajetória, sua vida, acompanhou tudo pela TV, pelo rádio e queria vê-la ao vivo, ela parecia ser cruel demais para ser real. Na verdade, ele alimentava essa curiosidade misturada com um desejo de vingança: se os guardas dessem chance, e se ela fosse linchada pelo povo, a primeira pancada partiria dele.

Não que fosse um homem violento, mas acreditava que aquela menina representava o pior que a humanidade poderia produzir. “Ela merece ser exterminada, ser colocada numa prisão e definhar aos poucos”, pensou enquanto olhava para o relógio. “Tudo seria mais fácil se tivéssemos pena de morte por aqui. Mas somos muito sensíveis com esses monstros, por isso há tantos por aí!”.

Por um momento, seu plano mental de extermínio de todos os assassinos confessos deu lugar a imagens de ovos de páscoa. Era quase Sexta-Feira Santa e ele deveria estar aproveitando o seu tempo livre para comprar os ovos que seus filhos estavam esperando ganhar, mas o chocolate poderia esperar, afinal não era todo dia que aparecia um Judas em carne e osso.

“ Sim, ela era um Judas” , ele pensava enquanto olhava pela janela do ônibus pessoas caminhando e fazendo filas nas lojas de chocolate. “ Traíra seus progenitores e os entregara à morte, por um punhado de moedas; merecia ser enforcada, apedrejada e ser lembrada dali em diante como “A Judas”.

“Sim, A Judas “, refletiu, olhando para o jornal, onde as manchetes eram a prisão da assassina e a descoberta dos pergaminhos sobre Judas. De acordo com o jornal, a fama do Iscariotes já não era a mesma, depois que apareceu o Evangelho de Judas. A discussão da semana era a inocência do apóstolo traidor e a defesa que ele não fora exatamente o vilão que a Bíblia tanto pregara. “ Só falta agora aparecer alguém proibindo os bonecos do Judas e a tradição de espancá-lo”, concluiu.

“Onde já se viu”? – ponderou com indignação – “As coisas são o que são e devem permanecer assim. Precisamos do Judas como ele é. Já pensou como seria a Páscoa sem ovos de chocolate e peixe? Totalmente sem graça! Mesma coisa sem o Judas traidor. Precisamos vingar Jesus, por isso a gente desse o cacete nos bonecos do Judas pelo mundo afora”.

Perdido em seus pensamentos, ele nem percebeu quando uma velhinha sentou ao seu lado no ônibus. Ela carregava o mesmo jornal que ele possuía e tinha lido.

- Boa Noite! – ela o saudou, ele respondeu com um sorriso. Não queria puxar assunto; estava ocupado com suas idéias e pensamentos, mas a velhinha insistiu no papo:

- Você acredita nesse novo Evangelho? – perguntou , olhando a manchete do jornal que ele segurava.

- Claro que não! – ele respondeu sem pensar duas vezes - Ridículo, não? Só falta alguém aparecer com um outro evangelho dizendo que Jesus não morreu na cruz.

- Não sei, não filho! E se estivermos enganados sobre Judas. Já pensou que injustiça...

- Mas não estamos! A igreja disse que esses Evangelhos são os tais apócrifos que não merecem nossa atenção!

- Sim, eu sei, mas já pensou se a igreja estiver errada quanto à isso; afinal os Evangelhos oficiais foram escolhidos há séculos. E se as pessoas que selecionaram os textos que entraram na Bíblia tivessem na época outros interesses que não a verdade? Imagina... coitado do Judas. Será que é muito tarde para repararmos isso?

- Ele não merece o nosso perdão. É um traidor. Ele é como essa tal de Suzane, eles merecem arder no mármore do inferno.

- Filho tenha cuidado com o que você vê na TV ou lê nos jornais. A gente, às vezes, incorpora as idéias e julgamentos dos outros e quando menos percebe, passa a defendê-los como se fossem as nossas próprias idéias. Essa pobre moça não merece ser a nossa válvula de escape.

- Como não? A senhora viu o que ela fez? Ela matou os pais e foi ao motel com o namorado.

- A questão não é o que ela fez e sim como reagimos a isso. É muito triste toda essa raiva coletiva sendo acumulada e canalizada em direção a essa moça. Ela está sendo malhada como malhamos o Judas num dia que deveria ser de paz e reflexão. Imagina que nesse momento enquanto essa moça esta sendo mantida na delegacia, há uma multidão querendo linchá-la. Matá-la não trará seus pais de volta, só servirá para mostrar que não mudamos muito desde a época de Cristo. Continuamos agindo como se fossemos um bando de abutres esperando o primeiro erro, a primeira vítima, a primeira carcaça e se há algo que deveríamos lembrar na Páscoa é o perdão. Será que temos o direito de julgá-la e queimá-la em praça pública, por ela representar o que abominamos? Não estaríamos com isso, nos tornando piores que ela?

Aquele papo com a velhinha o estava incomodando. Ele não se sentia enganado e nem tão pouco manipulado pela mídia. Porém, ele começava a sentir vergonha de estar indo para aquele lugar e estar agindo de forma oposta ao que Jesus ensinara. A velhinha tinha razão sobre essa questão do perdão na Páscoa.

- Essa assassina não pode ser tratada com tanta consideração - disse ainda tentando defender o seu direito de ir até o lugar - Até entendo que podemos estar errados quanto ao Judas, mas ela confessou o crime. Não há duvidas sobre o que ela fez.

- Por não haver dúvidas sobre o que ela fez é que devemos evitar ao máximo piorar ainda mais a situação dela com o nosso ódio. Quando sentimos todo essa raiva por essa moça nos tornamos cúmplices dessa onda de violência que começou com o crime e que continua com a cobertura excessiva da imprensa e o desejo de vingança coletivo. Filho, pense a respeito e faça a sua opção. Eu pessoalmente acredito que existem outras formas de canalizarmos as nossas frustrações e o nosso desejo de ver no outro tudo aquilo que não querermos nos tornar. Definitivamente não precisamos de outro Judas.

Frank
16 de Abril de 2006
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