sábado, dezembro 23, 2006


Menino Dourado em outros tempos Posted by Picasa

Os Três Reis Magos e o Menino Dourado

Conta a lenda que quando Jesus estava vindo
O céu testemunhou o Universo trabalhar
Numa estrela que indicasse o caminho
Para os três Reis Magos o menino encontrar

Viajando dia e noite, vigiando os sinais noite e dia
Traziam eles grandes presentes
A serem entregues ao grande guia
Que viria a terra em forma de menino semente

O primeiro Mago trouxe o ouro Paz
O Segundo carregava o rubi Harmonia
E antes que o terceiro entregasse o diamante Amor
Para a sagrada família

Notaram todos que o neném dourado sorria
E em seu sorriso, eles podiam perceber
Que todos aqueles tesouros o menino já tinha
E do seu peito os enviava
A cada pessoa que vivia

E o três Reis entenderam a tempo
Que esse príncipe nada, nem coroa possuiria
Até mesmo os mais nobres sentimentos
Ele com o mundo compartilharia

Diante de um menino tão especial
Os três Reis Magos se abaixaram em veneração
E foi nesse momento que surgiu um ser angelical
Que os ensinou uma grande lição:

“Em cada criança há Jesus
Em cada mulher há Maria
Em cada Pai reside a luz
Na união que resulta em Vida

Em cada ser vivo há esperança
Em cada bêbe há um potencial, um futuro
De se tornar boa aventurança
E deixar pegadas luminosas no escuro

Se há uma lição que esse menino veio ensinar
É que não há rei ou plebeu
E a todos devemos igualmente tratar
E que tudo que ele vai fazerQualquer um poderá realizar


Frank



”FrankNotas: ”Todo dia é natal! “O anjo não disse isso não, mas acredito que todo dia é natal, se o natal significa mesmo celebração da vida, uma vez que o próprio Cristo representava Vida.
Não precisamos de dia especial para reunir a família, dar um presente a quem amamos. Nem é preciso esperar o Natal ou a Páscoa para lembrar do menino dourado.

Sei que hoje em dia é perigoso falar de Jesus ou de amor, sem parecer religioso, fanático ou démodé, mas arrisco assim mesmo e como sou um poeta de rima torta, sigo escrevendo sobre esse cara sem medo de ser feliz porque finalmente o compreendo e o aceitei como “Salvador “das minhas tolices egoístas e bobagens emocionais, sem pra isso pertencer a nenhuma religião ou seita.

Será que é possível ter Jesus no coração como mestre e amigo, sem me converter a igreja alguma? Acredito que sim e deixo com vocês a dúvida. Quanto a mim,com certeza, estou conhecendo o Amor e se o que sinto e só uma gota dágua do oceano de amor que Cristo sentiu pela humanidade, só há o que admirar e festejar TODOS OS DIAS esse homem que ensinou que amar a Deus é primeiro que tudo amar a própria Vida.

Frank

Meus Anjinhos sobrinhos Posted by Picasa

Um Milagre Paulista

Cena 01: O plano

O plano era audacioso. Levar meus três sobrinhos, dois deles com seis anos e um com três anos, para o playland do shopping Tatuapé, zona leste paulista. O desafio estava em fazer isso sem carro e tendo que pegar ônibus e metro com a minha sobrinhada pestinha.

Estava em Sampa depois de dois anos fora do Brasil e hospedado na casa de minha mãe no Ipiranga. Sem carro, uma idéia simples como levar a molecada no shopping tomava rumos aventurescos à medida que entrava no ônibus com os sobrinhos.

Não tenho qualquer experiência com criança e tomei o desafio como um pré-treinamento para o moleque que vive me cobrando para trazê-lo ao mundo. E com nota dez consegui manter os moleques “quase” comportados em duas cadeiras, enquanto meu corpo impedia que os pestinhas saíssem de suas posições e corressem para o corredor.

Preocupado que alguém pudesse mexer na mochila as minhas costas e roubar a filmadora com a qual eu iria filmar à tarde com a criançada, tirei-a das costas e coloquei no colo de um dos meninos e voltei a cantar as musicas da Xuxa que todos sabiam até de trás pra frente.

Lá pelas bandas da Avenida do Estado, no ponto do metrô, desci com as crianças com o maior cuidado e consegui levá-las ate a estação, onde minha mulher, minha salvação, me esperava com nossa afilhada. Que alivio! Descobri por que Deus inventou esse troco de casal ao perceber que é o máximo compartilhar tarefas árduas como cuidar de pestinhas. Mais tarde, em frente ao shopping, abracei minha esposa e suspirei:

- Consegui! Você viu? Foi moleza!

- Frank, cadê a filmadora?

Frio na espinha, cara de bobo e estomâgo em turbulência.

- Esqueci no ônibus!

A filmadora estava na bolsa junto com minha agenda com todos os endereços e telefones, mais as fitas da minha viagem para o Egito, filmagem do natal com a família e festa com os Voadores e pessoal do IPPB. A filmadora era cara, mas as fitas insubstituíveis.

- Calma, Frank! – dizia minha esposa, tentando me acalmar- É só algo material ! Respira fundo! Tira esse peso da sua barriga.

- Cara, como eu sou burro. Como pude?

- Você estava com os três meninos, isso acontece…

Mas eu estava além dali, tentando imaginar tudo o que eu poderia fazer, mas àquela hora era tarde demais para localizar o ônibus, ponto final, motorista e cobrador. Olhei para as crianças que me olhavam curiosas e para minha esposa que mesmo diante do estúpido do marido tentava acalmá-lo e senti vergonha por me preocupar por algo material, tendo TANTO ao meu alcance.

E ela tinha razão, era só uma filmadora que essa hora já estava nas mãos de alguém sortudo o bastante para achar no ônibus o décimo quarto salário.

Segui com o plano original, mas por dentro não parava de repetir: “Porra que azar!”.

Minha mulher logo atrás, conversava com as crianças:

- Por que o tio esta triste, tia?

- Ele perdeu a filmadora, Lucas!

- E se ele não encontrar?

- Se ele não encontrar a gente perde a filmadora.

- Mas a gente vai continuar o nosso passeio?- Perguntou meu sobrinho já preocupado se iria perder o passeio por causo do descuido do tio.

- Claro, Lulu. – disse minha sobrinha Larissa. – Hoje e o nosso dia especial com o nosso tio!

Cena 02: A Segunda lição

No metro a caminho de casa, quase nem lembrava mais do que tinha ocorrido porém ao ver uma mochila nas costas de um cara, a lembrança e a sensação de ter feito caca, me entristeceu a cara. Minha sobrinha Larissa me olhou e disse:

- Tio, num fica triste, não. Garanto que o senhor ficaria mais triste se tivesse perdido um de nós.



Cena 03: Lamentações de fim de noite

“Puxa vida. Sempre devolvi tudo o que encontrei. Cadê essa tal da lei do retorno? Não que fizesse isso achando que um dia fariam o mesmo comigo, mas puxa vida, não merecia isso. Só sai com meus sobrinhos. Puta idéia bacana e altruísta, e levo essa bica do Universo. Bem que uma pessoa honesta poderia ter achado e… para de sonhar e dorme, rapa. Alem disso, não foi o universo que perdeu nada, foi você mesmo.”

Cena 04: O telefone toca e a lição da mamãe

Acordo pela manha e tomo café com pãozinho francês e novamente quase tenho um samadhi ao comer um pãozinho quentinho com manteiga com cafezinho brasileiro de alta qualidade e… pão de queijo! Que maravilha ser brasileiro. Nada nesse mundo e melhor que esse pãozinho de queijo saboros…

- Frank, telefone!- grita minha Mãe.

- Já vou!

Quem será essa hora? Corro para o telefone contrariado, e sorrio ao ouvir a voz da Gisela, minha amiga do IPPB.

- Oi Gi, como vai? Olha, obrigado pela recepção na sua casa. Aquela festa foi demais!

- Que nada, Fran. Foi um prazer, mas estou te ligando por outro motivo. A Suely dos Achados e Perdidos da estação Sé me ligou, achou a tua filmadora e entregaram na estação.

Alguém sabe descrever o que se sente quando a gente recebe um milagre? Sabe quando aquela chance em um milhão finalmente ocorre com você?

Pedi para Gi repetir, mal acreditando e só faltei entrar na linha e lhe dar um abraço.

Corri para a Sé e lá chegando, percebi que era noticia entre os funcionários.

- Então, você é o sortudo da filmadora! Olha é uma chance em um milhão. Isso nunca ocorreu por aqui.


Suely, funcionária do Metro há mais de vinte anos nunca tinha visto um caso como esse, E por uma dessas coincidências da vida, ela tinha um filho morando em Londres, e no final, parecíamos velhos amigos ao se despedir.

E lá fui eu pelas ruas de Sampa com a bolsa agarrada nos braços como se fosse o “precioso” do Senhor dos Anéis, agradecendo a Ganesha e a Padre Cícero pelo que ocorreu.

Quando cheguei em casa, e todos me congratularam pela sorte, minha mãe me falou algo bem interessante:

- Cuidado, filho! Não vai transformar esse milagre em algo comum. Esse é o problema que ocorre com todos quando Deus de alguma forma opera algo assim nas nossas vidas. Ficamos um dia ou dois maravilhados, dai depois nem damos mais importância ao ocorrido. Lembre-se desse dia e em como você presenciou esse milagre ocorrer, logo aqui em São Paulo. Mas vê se não esquece mais nada no ônibus, viu menino!

Louco Por Um Dia

Deixe-se ser louco por um dia,
Faça o que te dê na telha.
Grite, chore, cante, sorria,
Permita-se ser quem você queira.

Escute o silêncio da pedra,
Conte segredos ao vento.
Abrace uma árvore sem pressa,
Roube o ponteiro do tempo.

Pois a noite sussurra aos loucos
A linguagem das estrelas,
Que observam do topo
Gente normal fazendo besteira atras de besteira.

Então, deixe-se apenas ser louco,
E não ligue para o que o outro acha ou sente.
Façamos algo só pelo prazer de sermos quem somos,
E não o que fizeram da gente

A vida passa rápido, é curta.
E acabamos trocando a criança
Com vontade de correr gritando na rua,
Pelo adulto com vergonha.

Frank

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Presente

É Natal e queremos mais. Queremos mais presentes, queremos ser notados, queremos sempre mais. Nada de errado com isso, afinal querer mais nos trouxe até aqui, querer mais evoluiu o homem da rocha ao bronze, querer mais nos levará do bronze que somos hoje à prata que um dia iremos nos tornar (ouro ainda é sonho de Ícaro), e foi pensando nisso, que me dei conta que na pressa do próximo presente, esquecemos do outro que acabamos de ganhar. Esquecemos de comemorar as vitórias do aqui e agora, das razões que temos para sorrir nesse momento.

Não sei quanto a vocês, mas sigo sempre um passo a frente e por isso, pedi a Papai Noel esse ano, menos planos, menos sonhos, para que eu possa dar conta dos que ainda tenho, pois tenho medo de abandoná-los no meio do caminho. Pedi para dar o meu presente para quem ainda não ganhou, pois há centenas de outros presentes no armário que esqueci de desembrulhar.

A verdade é que todos os dias, não só no Natal, temos a chance de renovar quem somos, mas estamos tão preocupados com os próximos passos, que esquecemos o quanto é maravilhoso estar onde a vida permitiu que chegássemos. O Natal e a proximidade do fim do ano, parecem possuir essa força mágica que desacelera esses corredores que nos tornamos. Ao diminuir o ritmo, avaliamos o que se passou e planejamos o que virá, porém, ainda falta focarmos no que é.

Não falo de olhar para o passado ou de apostarmos em algo que já não tem razão de ser (certas pessoas já não nos adicionam sorrisos, certas lembranças só nos arrancam lágrimas), mas nesse natal, os meus votos, para você e para mim, é que não nos esqueçamos de celebrar o presente. Esse "presente" maravilhoso que está metade embrulhado e metade à vista. Se ousarmos descobri-lo por inteiro, novas surpresas poderão estar escondidas nas dobras, nos pequenos detalhes, que na pressa, passou despercebido.

Por isso nesse natal, celebre o que você conquistou. Agradeça a Deus pelas pessoas que você conheceu. Erga a taça de champagne ou o copo de suco em homenagem ao menino Jesus que renasce todos os dias nos nossos corações quando nos permitimos celebrar a vida e reconhecer o milagre de ter a nossa volta, pessoas que amamos.

Queiram sempre mais, mas estejam presentes. Tenham planos, mas não deixem passar em branco as suas conquistas. Façam as suas resoluções, mas não se esqueçam que a única promessa que vale mesmo a pena ser feita, é a promessa de estarmos presentes nos melhores momentos de nossas vidas, e esse momento é agora.


Feliz Natal, Prospero Ano Novo e Parabéns por ser quem você é e por ter chegado onde está.

Frank Oliveira
22 de Dezembro de 2006

quinta-feira, dezembro 14, 2006

A Vida Continua...

Acordei essa manhã em Bragança Paulista. Estava aqui em São Paulo, mas meu coração estava com o povo de Bragança, povo valente que acordou para mais um dia com a ressaca da "tragédia" que começou como roubo e terminou com um show de horrores que fez com que muita gente se perguntasse como algo assim pôde acontecer sob os nossos narizes.

Não vou reproduzir nenhuma informação aqui que já não esteja nos jornais e no rosto de cada bragantino. Só gostaria de poder compreender o que ocorreu e como algo tão bárbaro pode ocorrer por míseros reais, e como não consigo, tento não me entregar à revolta ou a angústia e oro para que o melhor possa ocorrer com todos os envolvidos.

A vida, esse cristal maravilhoso que reflete todas as cores do universo, é algo tão belo. É uma dádiva de amor do criador, um sopro de magia da Mãe Terra. Um veículo tão precioso para que nossas almas possam experimentar a brincadeira de criar. A vida é patrimônio universal com carimbo do GADU (Grande Arquiteto do Universo). A vida é muito linda para ser tratada com tanto desprezo. Ainda bem que o Criador é mais inteligente que a gente e criou a vida á prova de morte.

Mas sou humano e limitado e mesmo sabendo que a vida continua, ainda me entristeço com a ignorãncia humana. e não consigo parar de pensar na tragédia de Bragança e lágrimas teimam em ficar nos meus olhos.

Meu coração se abre como se tivesse centenas de pétalas e raios verdinhos cor de esperança seguem em direção a cada habitante de Bragança Paulista. Aqui no silêncio de casa, desejo que esses raios levem paz, coragem e muita luz para que esse povo esqueça o rancor, a raiva e a vontade de fazer justiça com as próprias mãos e lembrem-se que esses criminosos só atingiram os corpos, pois as almas dessas pessoas continuam vivas nos braços do grande criador.

Frank

Ritual de Beltane


É noite de Beltane
Grande Noite de Luz
Fúria dos amantes
Energia que flui

Das fogueias acesas
Da magia no ar
Das ofertas doadas
De um grande Sabbat

O Sol desbancando
O inverno já escasso
União da Deusa e do Deus
Do profano ao sagrado

Alimentos pagãos
Fruta verde e vermelha
No corpo da consorte
A vontade que queima

Espera ansiosa
A hora farta da ceia
Em dar seu formoso corpo
Aquele que a queira

Com o cálice de vinho
Jogado na terra ao luar
O ritual começa
Donzela não mais será

Corre agora pelos campos adentro
As fogueiras de Beltane que os aguardem
Com máscaras feitas de folha nas faces
Deusa e Deus se fazem

Rolam pela grama os consortes
Sacerdote e Sacerdotisa hão de ser
Trazem benção dos céus aos campos
Pra boas colheitas e fertilidade ter

Se amam por uma noite
Como se fosse por uma eternidade
A virgem que já não é mais virgem
Traz no ventre felicidade

As sementes da primavera
Também sagradas serão
Pagão, Deus ou Deusa
Seguindo a tradição com certeza
Nos campos de Beltane estarão



Auricelia Oliveira

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Inspiração e Liberdade

" Quanto mais livre está a alma, maior é a inspiração.

Sem correntes,a mente abraça o universo e faz gritar o coração que responde em versos, poesia e canto."

Essas palavras ficaram na minha cabeça o dia inteiro. Acho que não foi por acaso, pois tenho pensado muito em liberdade e em como nos sentimos presos em certas situações, relacionamentos, trabalhos e amizades, e no quanto é maravilhoso soltarmos certas amarras, quebrarmos correntes e nos libertamos daquilo que nos impede de voar.

Sim, voar pelo céu dos nossos desejos, pela imensidão do aqui e agora. Voar pela liberdade reconquistada.

Voar, das coisas que aprendi, essa é a mais bela, e nem precisa asas...

Donde Estan? Posted by Picasa

terça-feira, dezembro 12, 2006

Um Minuto de Silêncio

Um minuto de silêncio pela morte do ditador. Silêncio por todas as pessoas que foram assassinadas, silenciadas e banidas. Silêncio pela memória fraca de um povo que esquece facilmente a porrada na cara que levou ontem.

Um minuto de silêncio por todas as mortes banais que ocorrem por segundo no mundo. Silêncio porque nas esquinas dos guetos da vida, se mata e se morre por um tênis. Silêncio pela banalidade da violência, pelas vitimas e principalmente pelo agressor de mente doentia.

Um minuto de silêncio pela justiça brasileira, que solta político corrupto e prende mães injustamente acusadas. Silêncio porque Dona Josefa ficou na cadeia por 3 dias por ter roubado um remédio para a sua filha e o Joseph roubou (mais fez) e não somente continua livre, como se elegeu e tornou-se um dos deputados mais votados de São Paulo. Silêncio pela ignorância dos eleitores e mais silêncio ainda para os políticos que envergonham tanto a história política brasileira.

Um minuto de silêncio pela coroação dos "malandros". Silêncio porque realmente quem é bonzinho sempre se ferra , para deleite dos safados que continuam reinando através da hipocrisia e da falta de escrúpulos. Silêncio porque nesse mundo de ratos, não há lugar para pássaros que preferem voar a sacanear quem ficou no chão.

Um minuto de silêncio para todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena ser uma pessoa digna e honesta. Silêncio para que essas pessoas não deixem de ser quem são por causa da maioria. Silêncio porque essas pessoas ainda fazem diferença...

Frank

sábado, dezembro 09, 2006


Metr� em Sampa Posted by Picasa

sexta-feira, dezembro 08, 2006

O Equilibrista Zen do Metrô Lotado

O Equilibrista avança pela multidão. Com passos firmes, porém cautelosos, ele segue pela corda bamba , nas linhas do metrô...

Todos os dias brinco de equilibrista nos vagões do metrô. Há tempos parei de me irritar com as pessoas empurrando umas as outras para entrar no trem lotado, com as porradas do time do “sem querer”, com os idosos e mulheres grávidas sendo espremidos, com a falta de organização e paciência tanto dos usuários quanto do sistema metroviário com suas operações tartarugas em horários de pico. Não me irrito mais, pois criei a meditação Zen do Metrô lotado.

Essa meditação consiste em adaptar meu corpo e minha mente ao espaço que tenho entre as pessoas no vagão e o tempo que passo dentro do trem, de forma que eu permaneça sereno e em paz até descer na minha estação; em outras palavras, cuidado extra para não pisar no pé de alguém, cuidado redobrado para não dar uma cotevalada na senhora sentada, no rapaz com a mochila gigante que ocupa espaço para três e extrema calma para não mandar a merda o sujeito que insiste em ler meu livro mais rápido que eu e fica irritado quando não viro a página.

Nessa experiência de ensardinhamento humano que passo toda manhã para ir trabalhar, uso essa técnica, que inclui também controle respiratório, para evitar os odores provindos dos sovacos alheios e demais fedores de pessoas que na falta d´água, tomam banho de perfume ou tiveram a idéia ridícula de comer batatinha frita com cheiro de óleo vencido dentro do metrô. Além de romper a barreira da física e ocupar um espaço com outras três pessoas, que não caberia uma.

Com essa técnica já aprendi também o ritmo corporal certo para evitar encoxar ou ser encoxado; e (o que é mais importante) já não faço esforço algum para descer na estação certa, basta me deixar levar pela massa quando as portas do trem abrem.

Interessante é que antes do advento do bilhete único, esse problema era restrito as horas de pico, nos dias de hoje, qualquer horário do dia ou mesmo nos fins de semana enfrentamos estações abarrotadas, atrasos e a eventual necessidade da meditação Zen para enfrentar os vagões formigueiros. Não tenho nada contra o bilhete único em São Paulo, e nada mais natural, ocorrer um aumento de usuários, mas tenho todas as razões para reclamar do serviço prestado. Isso se ao menos eu conseguisse ser ouvido ou lido, pois o telefone de atendimento ao cliente está sempre ocupado e as dezenas de cartas de reclamação que enviei, jamais foram respondidas, se é que foram lidas algum dia.

Segundo a assessoria de impressa do Metrô de São Paulo: “tudo está perfeitamente bem. Não há justificativa para aumentar a rota”. Eles possuem toda a razão para acreditar nisso, afinal, o fluxo da grana dos passageiros não para de aumentar e para quê gastar e melhorar os serviços, se o número de novos usuários não para de crescer?

Como não tenho muita escolha (utilizar ônibus é uma jornada pelo inferno de Dante e dirigir em São Paulo é um risco constante), continuo utilizando minha técnica Zen no metrô e não perco a esperança que o serviço melhore um dia para que eu possa não só deixar de ser equilibrista, como também deixar de ser palhaço.


Frank

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Amor em Tempos de Caos

Ás 14h20, no aeroporto de Salvador, o caos era absoluto. Filas, desinformação, atraso de vôo e compromissos perdidos. Tiago não agüentava mais tanta falta de respeito e foi até o guichê da empresa aérea para reclamar. Sabia que a atendente no balcão não tinha culpa, mas precisava exigir os seus direitos ou ao menos uma informação precisa de quando o seu vôo sairia. Outras pessoas tentaram a mesma coisa, mas em vão. Taís era uma delas, tentou, exigiu, quase chorou, mas as atendentes pareciam estar na mesma situação que todos os outros passageiros: total falta de informação e consideração.

- Isso é um absurdo – ela disse para o rapaz que estava ao seu lado também reclamando.
- Falta de respeito – respondeu Tiago
- Se essa confusão rola aqui em baixo, imagina lá em cima.
- Verdade! Olha, tenho até medo de voar, sabia?
- Eu também. Se houvesse outro meio de viajar, mas experimenta pegar a estrada. É um caos maior ainda.
- Nem me fala. Além dos buracos, o risco de assalto é constante.

Por alguns instantes, eles ficaram se olhando, percebendo o quanto eles eram atraentes e voltaram a falar:

- Bom, foi bom reclamar com você.
- Senti o mesmo. A gente se esbarra no ar...
- Isso se a gente voar... – concluiu Taís rindo, querendo continuar o papo, mas se ao menos eles estivessem em outro lugar. Tiago sentiu a mesma coisa. A menina era mesmo um avião que ele não queria perder, mas eles se conheceram no pior lugar possível... ou não.
- Bom, quer tomar um café? Estamos presos aqui mesmo. – ele sugeriu.
- Claro! A propósito, meu nome é Taís.
- Eu sou o Tiago.

Ás 16h30, o primeiro beijo interrompeu o papo que fluía naturalmente. Fora da lanchonete , o caos continuava com os milhares de passageiros tentando sair dali . Lá dentro, pelo menos para Tiago e Taís, eles não poderiam estar em melhor lugar.

Frank

Notas do Autor: Essa crônica foi baseada na história real de Tiago e Taís que ocorreu no aeroporto de Salvador. A notícia saiu no Estado de São Paulo, caderno Cidades/Metrópole, pág C4 (06/12/2006)

terça-feira, dezembro 05, 2006

O Dançarino da Chuva

Visto de cima, as ruas de São Paulo pareciam os canais de Veneza, mas ao invés de gôndolas, carros, que lutavam contra a correnteza dos rios transbordados e dos bueiros entupidos. As pessoas que se aventuravam em meio à tempestade, lembravam salmões, nadando contra a corrente, com seus guarda-chuvas que não guardavam o vento.

Queria pegar algum vaporeto (NR: Barco-ônibus veneziano de passageiros), mas nenhum passava perto do porto em que eu estava; porto ironia, um restaurante de frutos do mar. Sou um Pisciano que não come peixe (solidariedade, talvez) e fui parar naquele lugar, por pura falta de opção, pois já era 3 da tarde e eu precisava me alimentar pelo menos com a salada que eles serviam por lá.

Depois que paguei, esperei na porta que o tempo bom fosse servido como sobremesa e junto com outros tantos fiéis da Igreja da Chuva que Cai, rezamos a São Pedro, a Netuno e a Oxumaré que dessem uma trégua, que parasse a chuva, só para que voltássemos aos nossos escritórios, mas os deuses tinham outros planos e a chuva continuou desafiando que a enfrentássemos.

Não me arrisquei, os outros que estavam ao meu lado, também não; mas um mendigo parecia brincar de Gene Kelly dançando na chuva. Ele fazia isso, provavelmente, porque não tinha que trabalhar, mas confesso, senti inveja do homem, pois o menino que há em mim, também queria brincar.

Cresci no deserto nordestino e a época de chuvas era uma festa nas ruas. Um musical ao som do ritmo da chuva, em que meninos arriscavam passos nas poças. Eu fui um desses meninos gotas que sem medo de raio ou trovão, não paravam de dançar. Agora vestindo a roupa adulta, pareço ter medo da chuva ou ao menos medo de me molhar.

A verdade é que eu não estava mais no sertão nordestino e era até meio ridículo, ver aquele mendigo, sem nada mais o que fazer, dançando para a platéia de chuvafóbicos, mas antes que eu retornasse para dentro do restaurante, percebi que todas as pessoas na porta também não desgrudavam o olho do mendigo que parecia despertar meninos no olhar de cada um.

O transe durou até que a chuva parou por alguns segundos e corremos todos de volta para os nossos escritórios, sem olhar para trás, sem olhar para o mendigo que continuava brincando de se molhar.


Frank Oliveira

domingo, dezembro 03, 2006

Um Leitor

Já pensei em desistir de escrever, mas não gosto de ponto final. Sonho em me tornar um escritor, sonho com o dia em que receberei por palavras escritas (não precisava ser muito), sonho que meus manuscritos se transformam em livros expostos nas vitrines das livrarias do meu ego; sonho e sonho, mas continuo escrevendo por prazer, por que quando escrevo, percebo que estou lá por inteiro, mesmo que eu não receba dinheiro.

Não consigo parar, nem mesmo quando recebo de volta a carta que enviei com o manuscrito que jurava que se tornaria um novo best seller. Não consigo parar, nem quando recebo o e-mail de um leitor furioso criticando cada linha e me acusando de ser assassino da língua portuguesa.

Não consigo parar, porque as frases jorram naturalmente e exigem manifestação. Sou um médium da criação, psicografando meu coração que não cala, e diz que não tenho opção a não ser escrever, descrever e narrar.

Escrevo por que adoro a festa do texto terminado, da crônica perfeita, da poesia simetricamente montada, da sopinha de palavras que vira picanha declarada.

Escrevo por que há uma força maior guiando meus dedos, minhas mãos na busca do titulo certo que abre o show da banda das palavras. Força maior que se chama inspiração, mas poderia se chamar apenas prazer de escrever.

Escrevo por que se houver ao menos um leitor, minha missão estará cumprida, a tarefa das palavras terminada. Se houver ao menos um leitor, minha função como escritor estará realizada.

Frank Oliveira

No come�o... Posted by Picasa

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Começo, Meio, Fim...

Ele parecia comigo, uma versão mais velha e sábia. Alguém que eu poderia vir a ser, por isso o mundo arranjou aquele encontro. Ele tinha uma história para contar e eu, uma lição para ouvir.

- Perdi a mulher que amava para a vida, mas essa é uma história de amor com final feliz. – disse ele, tomando seu café.
- Como pode ser uma história com final feliz se vocês não estão mais juntos? – perguntei .
- Por ter conseguido aceitar que ela precisava ir...

Quando ela foi embora, alguma coisa quebrou dentro de mim – poderia dizer que foi o meu coração – mas descobri que o que quebrou foi um jarro de vidro repleto de apego. Sim, o apego é um jarro que vai se enchendo à medida que nos apaixonamos.

Quanto mais apaixonados estamos, mais cheio fica o jarro e a cada briga, cada ameaça de separação, o corpo aciona o alarme, mandando os nervos carregarem a mensagem : perigo!

Perigo porque quando o jarro se quebra, estilhaços de apego envenenam o sangue da razão, deixando o castelo aberto para a invasão do exército das emoções que aterrorizam o pobre apaixonado com ameaças de solidão.

Acontece que a solidão só assusta quem tem medo de ficar sozinho. Oxalá, todos vivessem bem sozinho, assim na ocasião de uma separação, não haveria tanta amargura, tanta briga, tanto apego e sim apenas um bye bye, so long, well well. Não haveria um buraco tão profundo e escuro esperando quem foi deixado. Eu nunca soube viver sozinho e paguei o preço.

Quando ela disse adeus, cai nesse buraco e percebi que perdi o controle das lágrimas. Tomei um banho de choro e essa chuva não lavou minha alma, porque era água do jarro que quebrara e quem chora por apego, chora por si mesmo e não pela pessoa amada.

O amor deixa ir, o apego exige ficar.
O amor é oculto, o apego é presente.
O amor não espera retorno, o apego é carente.
O amor é ouvir, o apego é falar.
O amor é respirar, o apego é sufocar.
O amor é atemporal, o apego faz aniversário.
O amor deixa ser, o apego é estar.
O amor é aprender, o apego é só querer ensinar.

Foi isso que aprendi, pois quando ela me deixou, liberou a força do meu amor que estava sufocado no peito, tentando respirar. Esse amor agora exige que eu continue a viver, vivem bem comigo mesmo. Esse amor é o amor por si próprio que todos deveriam sentir. Coisa que nunca fiz, mas já está na hora de aprender e começar. Por isso te disse que essa história tem final feliz. Quem não aprende a viver sozinho, passa toda a vida apegado a idéia de ter alguém para nunca estar só.


Frank

quinta-feira, novembro 30, 2006

A Dançarina e o Cego

Quero aprender a dançar. Como nasci ruim da cabeça e doente do pé, nunca aprendi a sambar ou dançar qualquer ritmo. O que sempre foi um crime para a minha esposa, que pacientemente tentou me ensinar, até o dia que desistiu, por receio de ficar sem os pés. Mesmo sabendo que tinha dois pés esquerdos e um jeito “gringo” de não ter jeito algum pra dançar, sabia que ela merecia o esforço, só precisava encontrar uma escola de dança de salão e tempo para fazer as aulas.

Um ano depois, quando eu já tinha esquecido que um dia prometi aprender a dançar, ouvi duas pessoas conversando no elevador sobre como a vida tinha mudado depois que eles aprenderam a dançar. Fingi que não era comigo, mas passei toda a segunda-feira pensando sobre aquilo. Planejei fazer a matricula numa escola de dança, até tinha encontrado um local bem bacana perto do metrô Santa Cruz, onde pego meu ônibus pra casa, mas as aulas não se encaixavam na minha agenda e acabei prometendo pra mim mesmo que aprenderia a dançar depois do fim de ano.Assunto resolvido.

No fim da tarde , sai do trabalho e corri contra o relógio para não chegar atrasado a minha meditação coletiva quinzenal, quando cruzei com uma senhora deficiente visual. Eu estava a caminho do metrô Vila Mariana, onde ocorreria a meditação, e a senhora vinha pela calçada, provavelmente em direção ao metrô também. Seguindo um impulso de ajudá-la, perguntei se ela precisava de auxilio para atravessar a rua até a estação. Ela aceitou com um sorriso.

- Ajuda é sempre bem vinda. – disse, segurando o meu braço.

Seguimos no seu ritmo, o que me preocupou, pois eu queria chegar na meditação mais cedo, preparar algumas músicas e atividades para o grupo, afinal não tinha tido tempo durante o dia; mas permaneci tranqüilo, e puxei assunto com ela.Seu nome era Marcela.

- E como foi o seu dia? – perguntei, enquanto passávamos por um posto de gasolina.
- Maravilhoso – Marcela respondeu – Eu fiz tudo aquilo que tinha planejado para fazer hoje.
- Que bom. – respondi, lembrando que não tinha feito nem um terço das coisas que tinha me proposto a fazer. – Acho que não posso dizer o mesmo.
- Que pena que o dia é tão curto, não? – disse ela – Mas se você tiver feito ao menos 10% das suas coisas por completo, já vai ter valido a pena.

Concordei, mas lembrei que tinha deixado esse “um terço das coisas” pela metade no trabalho. - Amanhã chego mais cedo e termino – pensei, enquanto parávamos na calçada, o sinal tinha aberto e os carros voavam a nossa frente.

- Estou vindo da aula de dança. – disse ela.
- Dança? – perguntei, surpreso com a coincidência – Que legal!
- É, estou matriculado nessa escola da St Cruz, e os professores oferecem aulas gratuitas para cegos. Os alunos que enxergam viram os nossos parceiros durante a prática. Confesso que o melhor é quando os ceguinhos dançam um com outro. – disse rindo - O resultado é incrível. Afinal, quem precisa enxergar para dançar? Basta sentir a música e deixar o ritmo te levar.

O universo só podia estar me sacaneando. Deus estava de gozação. Era coincidência demais. Era como se a vida através daquela senhora estivesse dizendo – Olha pra você! Tem toda a saúde do mundo, seus sentidos funcionam perfeitamente e você vive ocupado demais para concluir qualquer uma das coisas que planeja.

Só podia ser coincidência...

O sinal então abriu e atravessamos a rua. Quando chegamos do outro lado, uma senhora , segurando duas crianças, nos abordou e perguntou pra mim:.

- Por favor, o senhor sabe onde fica a Rua Vergueiro?

Eu sabia que ficava ali perto, mas não sabia precisar como ela chegaria até lá, saindo do lugar onde estávamos. Antes que pudesse responder, Marcela falou:

- Basta descer essa rua – ela disse, apontando a rua a nossa direita – e pegar a primeira à direita. A senhora terá chegado a rua Vergueiro.

Não ouvi a mulher agradecer, provavelmente ela estava tão surpresa quanto eu. O surrealismo cedeu lugar a estação de metrô e voltei a acreditar que eu a guiava e não o contrário.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Palmadas e Palavras

Ela deveria ter 12 anos. Uniforme escolar, pele escura, olhos castanhos.
Seus cabelos negros trançados caiam pelo ombro, enquanto seu pai lhe batia na frente das suas amiguinhas da escola.

Um motivo banal: uma paquera de porta de colégio, pré-namoro adolescente, sonho de amor transformado em dor. Ele batia como se as pancadas tivessem o poder ausente das palavras. Como se a dor e a humilhação ensinasse mais rápido que o respeito e a compreensão.

Eu caminhava em direção ao ponto de ônibus, depois de um dia estressante de trabalho, quando vi a cena. Ninguém tem o direito de ensinar aos pais como educar seus filhos, mas todos nós temos o dever de agir quando alguém abusa do seu poder para intimidar, ferir e humilhar alguém que não pode se defender. Mesmo sabendo que poderia sobrar para mim, chamei o segurança da escola, e juntos, conseguimos separar os punhos do pai do corpo da menina, que chorava copiosamente, com a cicatriz da mão pesada do pai no seu rosto, nas suas costas, na sua alma.

- Solta!!! – exigia ele, tentando se soltar – Eu sou o pai dela!

Ele estava alterado e mesmo estando errado, não podia ser julgado por estranhos; mas precisava compreender que criança alguma deve apanhar, ainda mais na frente do grupo de amigos que, nessa fase, ela tenta tanto conquistar.

- Ela deveria estar estudando! – se explicou – Eu trabalho duro para ela ter uma educação decente e ela fica de namorico na porta da escola.

Educação decente começa em casa – pensei – afinal, violência é violência, não importa o motivo, não justifica a razão. Dois errados não fazem um certo. Falo isso não com a experiência de ser pai, mas com a lembrança de ter sido um filho que já apanhou demasiadamente do pai. Meu pai, assim como o pai da menina, não era muito bom com as palavras, por isso se expressava com as palmadas, que viravam pancadas, que se transformavam em surras. Duelo desigual, onde um Golias ameaça um Davi sem defesa, sem força para reagir.

Palmadas não deixam cicatrizes no corpo, mas calam fundo na alma, e se elas servem para alguma coisa, é para mostrar que violência não educa, apenas machuca e em muitos casos se transforma em trauma.

O pai foi acalmado. A mãe foi chamada e levou a menina pra casa. Tudo pareceu terminar bem. Baseado nisso, eu gostaria muito de terminar essa crônica com um final feliz, mas infelizmente, a violência que certos pais utilizam para educar e disciplinar seus filhos é ainda uma história que parece não ter fim.


Frank Oliveira

terça-feira, novembro 28, 2006


Yelow, blue or gold - It doesn�t matter cause she has all colours in your eyes Posted by Picasa

segunda-feira, novembro 27, 2006

Lady in Yellow

Vestia amarelo, tinha a aura do tamanho do céu. Seus brincos, também amarelos, chamavam a atenção para seus olhos cintilantes que eram como as estrelas. Parecia estar tão em paz, pois andava suavemente, quase como se estivesse voando, dançando. Seu corpo se movimentava como as letras numa folha em branco exigindo que o escritor as transformasse em poema.

- Oi! - disse, olhando seu reflexo em meus olhos. Ela sorriu, sorriso sapeca de sereia, sabia que tinha encantando um pescador. Por ela, eu daria todos os meus peixes. Trocaria meu barco por uma rede, só para balançá-la e lhe dar minhas oferendas de amor.
- Vamos? - ela chamou - Estamos atrasados.

Atrasados? Como me mover no espaço, se o tempo stood still. Sim, o presente parava, para ser entregue naquele eterno momento através da magia em ver a Lady in Yellow movimentando-se pela minha estrada, uma vez mais e sempre.

Seus cabelos desciam por suas costas como se formasse um rio; seus braços balançavam pelo ar, com tal graça e estilo, que pensei em compor uma canção, mas a melodia já fora criada e a única forma de ouvi-la e guardá-la comigo seria me aproximando de seu corpo e sentindo cada vibração que vinha da sua direção.

- Você está linda! - disse, abraçando-a.
- Estou nada! Estou parecendo uma grávida!
- Que nada, você está maravilhosamente vestida. - e estava. O vestido realçava seu corpo pequeno e delicado, e o amarelo ao mesmo tempo lembrava que ela era uma mulher forte e guerreira.

Ela deve ter gostado do que falei, pois seu sorriso envolveu-nos de tal forma, que podia jurar que levitávamos pelo ar, vencendo a força da gravidade, desafiando as barreiras do tempo. Estamos juntos a 8 anos e ainda sim, estávamos aprendendo tanto um com o outro, ano após ano, mês após mês, dia após dia.

Ficamos abraçados por um minuto, mas provavelmente durou um ano. Não havia mundo lá fora, congelamos os ponteiros e o relógio olhava enciumado, pois o tempo não conseguiu levar minha Lady in Yellow de mim.

- Você se sente amado? - ela perguntou esses dias.

Minha alegria era a minha resposta. Minha inspiração, a prova. Sim, eu era amado, mas como explicar para minha Lady in Yellow o que eu sentia por ela? Como fazer ela compreender que eu tinha aprendido a ler a linguagem do seu sorriso e que de alguma forma, seu coração batia em compasso com o meu, como se dançássemos uma canção silenciosa que somente os corpos conseguem ouvir, num ritmo que somente os corações amantes conseguem acompanhar.

Sim, eu me sentia amado, pois a porta esteve por todo o tempo aberta e ela não quis partir, optou por esperar pelo seu parceiro da dança da vida, mesmo sabendo que ele ainda precisa aprender a bailar.

- Vamos? - ela chamou uma vez mais e voltamos ao chão.

Havia um compromisso que não podíamos faltar. Então segurei a sua mão, fechei a porta e seguimos na direção do tempo, ocupando o espaço com os nossos movimentos, criando mais uma memória comum do lugar onde estamos, estivemos e sempre estaremos.


Frank

sexta-feira, novembro 24, 2006

A Verdade sobre o Casamento

Perguntaram hoje para mim,no horário do almoço, como consegui ficar tanto tempo casado. É uma pergunta bem comum nas rodas de amigos, quando conto que estou casado a quase oito anos. Estranho como essa pergunta vem acompanhada de um certo preconceito ou mesmo indignação, afinal, como eu ouso estar a tanto tempo casado, num mundo de casamentos relâmpagos e divórcios trovões. Sempre respondo com bom humor, dizendo que o meu casamento é eterno porque não vai durar pra sempre. Eles se assustam, mas é difícil mesmo explicar que casamento não tem obrigação de durar...

Um casamento não é feito de sociedade, de papel passado ou de alianças. Um casamento não é feito de promessas hipócritas de fidelidade eterna ou de lealdade prisão. Um casamento não é uma fuga da casa dos pais ou da casa do medo de passar a vida inteira sozinho. Um casamento não é uma união fútil em nome da religião, do “bucho” não esperado ou do interesse. Quem é casado de verdade, não precisa de anel, seus corações fazem a ponte para o sempre, ligando-os em nome da manifestação do amor.

Casamento é uma parceria, um contrato espiritual entre duas pessoas, que independe de sexo, raça, crença e aparência. Contrato espiritual, pois o laço que une um casal não pode ser descrito por idioma algum, só expresso pela linguagem dos corpos, pela expressão no olhar, pela comunicação entre ouvidos quando se troca sussurros de amor. Contrato que nenhum padre, pastor ou guru possa sacramentar, pois o amor por si só é sagrado, dado incondicionalmente no encontro do olhar, na amizade profunda que não mais satisfeita em abraçar, quer estar dentro, fora, num eterno se encontrar e compartilhar.

Qual o segredo para que um casamento dure mais que um dia, um mês, um ano? Não há segredos, pois pessoas casadas de verdade estão tatuadas de liberdade. São almas livres que sabem que nada dura para sempre e ainda, cada segundo ao lado um do outro é eterno; pois se vive o presente, sem perder tempo com amanhã. Liberdade nascida do respeito, da amizade e da consideração que ambos carregam e permeiam na sua união. Liberdade de compreender que os dois possuem visto para o país do Voltar a Ficar Sozinho, se for esse o destino que um deles optar. Liberdade para compreender que se é tempo de partir, pior seria ficar por pena, lealdade ou em nome da história do casal.

O casamento não é perfeito, pois nada nesse mundo está livre da “dualidade”. Há momentos bons e outros momentos não tão bons assim. Há arranca rabo, há brigas infantis onde se fica de mal e de bem no cair de um amanhecer. Há quebra pratos, arranha Cds e há também greve de carinho, de sexo e de sorriso; mas o casal sabe que embora isso ocorra vez ou outra, estar junto é bom demais para brigar ou para se viciar em jogos de gato e rato. Desentendimento ocorre, desrespeito é intolerável.

Casamento não permite possessão, ciúme doentio, nem tão pouco libertinagem, pois liberdade exige respeito, consideração pelo parceiro (a), e acima de tudo, respeito por si próprio, pois somente dando o devido valor a si mesmo, conseguimos valorizar algo tão precioso como a união entre duas pessoas.

Casamento deriva da palavra casa e isso nada tem a ver com teto, tijolo e garagem. Quando encontramos alguém que valha a pena dividir a nossa casa ( corpo, mente e espírito) encontramos um lar; lar que carregamos conosco onde quer que formos.

Por fim, esses casamentos (e são raros) sustentam-se por tanto tempo, pois há uma preocupação constante em renovar-se; em surpreender quem acha que já viu e sabe todos os truques; em arrumar-se; embelezar-se, pois cada dia ao lado de quem se ama é uma festa, uma celebração em que precisamos vestir a melhor roupa, arrumar a casa e não se esquecer nunca de reconquistar e namorar..

Ladr�o-chamin� Posted by Picasa

quinta-feira, novembro 23, 2006

O Papai Noel , o Ladrão e a Chaminé (Um Conto de Natal)

Manoel nunca acreditou em qualquer coisa relacionada ao natal, além do fato do natal ser a época do ano em que sua padaria faturava mais. O movimento triplicava na véspera e ele só fechava a padaria no dia 25 , por que precisava agradar os funcionários. O dia de natal era o único dia que ele tirava folga no ano e folga forçada, deixe-se bem claro, uma vez que a padaria era uma segunda casa para ele e a desculpa perfeita para que não tivesse que passar muito tempo com a sua esposa Maria, que era um poço de lamentação ambulante.

Já Charles, acreditava em milagre de Natal, mas era realista. Queria muito uma moto e como não tinha sido um bom menino durante o ano, sabia que era quase impossível Papai Noel enfiar uma moto pela chaminé da sua casa, por isso foi à luta e decidiu que conseguiria sua moto de uma maneira ou de outra. A idéia de roubar a padaria veio enquanto ele tomava um pingado com pão na chapa no lugar. Veio como um insight, uma dica divina, o sopro de um anjo...ou do diabo, como diria depois. Comia o pão encharcado de manteiga, quando viu a chaminé pelo vidro do copo do seu café com leite. Era a porta para seu sonho de natal. Rapidamente, ele pediu uma caneta para o copeiro e rabiscou seus cálculos num guardanapo, percebendo que o diâmetro do seu corpo era proporcional ao da chaminé. “Perfeito ! - disse pra si mesmo –” Minha moto está saindo do forno “ .

Manoel fechou a padaria ás 22:30 e foi pra casa. Charles chegou no local ás 23:30 e esperou que não houvesse mais ninguém na rua para agir. Subir até o telhado foi fácil, finalmente toda a sua experiência de catador de pipa estava servindo para alguma coisa. Ao chegar no topo da padaria, ele olhou pra chaminé e riu, repetindo pra si mesmo – “ Sou o Papai Noel do mau “ – mas o plano foi por chaminé abaixo: Havia um afunilamento e seu corpo ficou entalado. Tentou se soltar, mas nada surtia efeito. Quanto mais esforço fazia, mas preso ficava. Tudo o que lhe restara era rezar ou gritar por ajuda : Socorro!!!!

Manoel não morava longe e ignorando totalmente Maria, foi dormir direto, estava cansado e precisava abrir a padaria ás 5 da manhã. Caiu rapidamente no sono e teve um sonho um tanto estranho.Sonhara que via o Papai Noel entregando presentes pelas casas de Bauru e ao passar por sua casa, o bom velhinho ficara entalado na sua chaminé. Foi nesse momento que ele acordou com o telefone tocando, era a policia.

- Está? Quero dizer... alô? - disse
- Seu Manoel, aqui é a policia! Precisamos que o senhor venha até a padaria.
- Mas o que houve, gajo?
- O senhor acredita em Papai Noel?
- Papai Noel, estás a me sacanear, pá?

Não era pegadinha. Charles em pânico e tendo muita dificuldade pra respirar, começou a gritar por ajuda e acordou toda a vizinhança. A policia foi chamada e ao chegar no local encontraram o homem preso pelo tórax.

Quando Manoel, chegou ao local, os bombeiros estavam retirando Charles da chaminé. O “Papai Noeldo mau” passa bem, teve escoriações leves e foi levado para o pronto socorro e depois para a cadeia pública de Avaí, a 30 quilômetros de Bauru, onde deverá aguardar julgamento. Quanto ao Manoel, ele rezou de verdade pela primeira vez aquela noite, agradecendo a Deus por não ter sido roubado e como agora acreditava em “Papai Noel” afunilou ainda mais a chaminé, afinal era bom prevenir, vai que um outro bom velhinho mais magrinho decidisse visitá-lo.


23 de Novembro de 2006
Frank Oliveira

quarta-feira, novembro 15, 2006


O Higjlander Nordestino Posted by Picasa

Dia dif�cil : um monte de autogr�fos Posted by Picasa

Frank e a Aline Posted by Picasa

Bastidores do Lançamento do Livro do Frank

Bastidores do Lançamento do Livro do Frank


Estava contente, ansioso e de certa forma aflito. Sabia que o pessoal viria
em peso, mas recebi de última hora a notícia que a Aline viria.

Estava lançando o meu livro “Um Paraíba Vagamundo” e destinava toda a renda
para Aline, minha amiga que tinha perdido os movimentos do corpo após uma
cirurgia complicada. Quando fiquei sabendo que ela iria, fiquei surpreso
(achei que não iriam conseguir levá-la até lá) e depois muito feliz. Era a
nossa festa. O livro surgiu depois do pontapé inicial que ela me deu ao ter
saído da UTI e estar batalhando para recuperar seus movimentos diariamente.
Ela havia me inspirado com sua força de vontade e percebi que se eu tinha
saúde, não me faltava mais nada para realizar meu grande sonho.

Mas confesso, em meio a felicidade de ter ela no evento, fiquei também um
pouco preocupado, pois sabia que ela precisava de cuidados a cada hora e
tinha problemas ainda para respirar, mas quando ela chegou no IPPB, vi seu
sorriso e alegria, percebi que estava sendo um tolo. Havia muito mais força
nela do que eu podia imaginar.

Ela fez questão de estar lá no evento, queria ver com os próprios olhos, o
que eu estava aprontando.

O lançamento do livro era especial pra mim, mas eu queria proporcionar a
todas as pessoas que fossem até lá, um pouco da cultura dos lugares por onde passei. Sabia que quando duas ou mais pessoas estão juntas e há motivo para sorrir, elas formam um sorriso gigantesco que é emanado para o universo e acaba na sintonia de todas as pessoas que precisam de motivo para sorrir.

O resultado foi maravilhoso. No início, tivemos o Professor Wagner Borges
lendo um texto lindo “Ninguém é Estrangeiro! ”que ele escrevera no
local. Depois, iniciamos o evento com o Professor de Ioga, Vanderlei
Oliveira, lendo um texto incrível que ele também acabara de escrever
(aparentemente, o que não faltava no ar, era inspiração e amor). Após a
leitura do texto (que postarei a seguir), ele seguiu conduzindo um
exercício muito bacana de energia e respiração. No final do exercício, todos
estavam mais leves e Aline me disse que parecia renovada.

Poesias foram lidas, meu amigo Gerson Morales cantou um belo mantra que ele
compôs no Caminho de Santiago, mantra esse que falava que a terra daria
aquilo que eu precisasse, se eu fizesse a minha parte.

Então, as danças começaram com a energia Cigana com os alunos da Professora
Lyanka. A dança cigana contagiou a todos, que aprenderam também um pouco mais sobre essa cultura.

Antes que todos pudessem respirar, um Highlander Nordestino chegou ao local
para apresentar a Dança Celta com a querida Professora voadora Lídia, que
deixou todos boquiabertos e com gostinho de quero bis com seus passos e sapateados mostrando a beleza da cultura desse povo.

Logo depois, um certo Sheik Árabe apresentou minha musa e dançarina
Auricélia Oliveira e a nossa querida voadora Vanessa “ Borboletinha”
apresentando a magia da Dança do Ventre que deixou todos ainda mais
contagiados. Então, todos caíram na risada quando um certo Zorro Hindu com
um sari meio caído surgiu no salão e apresentou o Professor Mauro do espaço
Rasa, que hipnotizou a todos com sua Dança Indiana. Com movimentos precisos
e uma caracterização magnífica das expressões faciais típicas da dança
indiana. O Professor Mauro fez um belo ritual com pétalas de rosas pelo
salão e magnetizou a todos com a bela dança indiana.

Ao final, a Professora Priscila fez uma bela apresentação de Ioga com alguns
ásanas, finalizando com chave de ouro o evento.

Logo depois, recitei uma poesia que escrevi pra Aline e lemos todos
novamente o texto do Wagner, ao mesmo tempo que pedi que todos ao término do
texto fechassem os olhos e enviassem muito amor para a minha amiga e para
todos que precisassem naquele momento.

No final, todos estavam visivelmente extasiados e felizes. Foram 03 horas de
apresentações e muita poesia. A impressão que tive é que todos queriam ainda
muito mais.

A surpresa não veio com os livros que foram vendidos rapidamente ou com
tanta gente ter comparecido, mas a Aline no final, que parecia estar tão
feliz e revitalizada. Ela não precisou em momento algum de nenhum cuidado
durante as três horas e disse pra mim, que por ela, o evento continuava até
meia noite. Disse também que tinha se sentido tão bem após o exercício do
Vanderlei que parecia estar renovada. Eu tive que me segurar para não deixar
escapar nenhuma lágrima. Ter todos os meus amigos, familiares, voadores e
outros tantos conhecidos por lá era muito especial, mas saber que tinhamos
proporcionado tanta alegria pra ela e para todos os amigos presentes, era
maior que todo o dinheiro que eu estava arrecadando.

Cheguei em casa, em estado de graça. Não só havia realizado o meu sonho e
lançado o meu livro, como também tinha proporcionado num domingo à tarde, um
belo evento que com certeza, tocou o coração de todos presentes que junto
com o coração da minha amiga, deram-me a prova de que SOMOS realmente TODOS UM
SÓ.


Frank Oliveira

quarta-feira, novembro 08, 2006

A Vírgula e as Entrelinhas

A língua assim com a vida é um conjunto de possibilidades e interpretações. Bem vivida, a vida se torna um grande palco de aprendizado e satisfação. Bem escrita, a língua se torna um portal para que o leitor possa conhecer o ponto de vista do escritor ao mesmo tempo em que forma sua própria opinião. Durante a vida, construímos a nossa história com as nossas ações; é como se cada decisão fosse uma expressão de quem somos, do que acreditamos e do que queremos. Às vezes, certos atos constroem uma imagem negativa a nosso respeito. Esses atos atuam como vírgulas indevidamente inseridas na frase e que acabam mudando totalmente a visão que todos tinham da gente. Umberto Eco diz que “O texto é uma máquina preguiçosa que espera muita colaboração do leitor.” As pessoas e seus atos exigem o mesmo esforço de quem as observa e somente quem se dedicar a uma leitura mais profunda do contexto, perceberá que o conjunto da obra não pode ser prejudicado por uma vírgula.

X escrevia a história da sua vida e inseriu uma vírgula entre o sujeito e o verbo que mudou totalmente o resto da sua frase. Os nomes pouco importam, mas soube-se que X era amante de Y que era casado com Z. X também era casada e seu marido, W, nunca desconfiou que X era amante de Y. As coisas se complicaram quando X soube que estava grávida e como W tinha feito vasectomia e não podia ter mais filhos, ela procurou Y pedindo ajuda financeira para pagar um aborto. O resto foi manchete de jornal, alegria para os abutres de plantão que se deliciam lendo as descrições dos crimes de
periferia, mas é importante apenas dizer que após uma discussão envolvendo X, Y e Z, a novela mexicana virou tragédia grega. Y com uma arma na mão matou a amante e depois se matou. Z culpou a amante e W não culpou ninguém.

Repórteres e curiosos em geral lotaram o enterro de X numa tentativa de ouvir a opinião do marido traído, de colher algo que virasse manchete, de prolongar a história que era comentada em cada bar e padaria da Zona Leste de São Paulo. Perguntas foram feitas, insinuações foram arremessadas na direção do homem que só queria enterrar a esposa e continuar a sua vida e a educação dos dois filhos do casal.

Todos esperavam alguma reação, algum discurso repleto de ódio, rancor e mágoa.W então olhou para todos e disse: “Todos estão julgando X. Você não pode condenar a pessoa por uma ‘vírgula’.”

Todos olharam uns para os outros sem compreender a sentença que W acabava de expressar. Esperavam que a história continuasse da maneira como estava sendo conduzida por outros; não esperavam que W inserisse um elemento novo que
fora esquecido e que mudava totalmente o sentido da frase que o leitor esperava ler. Frase que acabara com reticências, e continua nos filhos que ele precisa criar e que devem estar orgulhosos do pai que tinha todos os motivos para odiar e pontuou mais uma frase com amor. Que os leitores que acompanhavam a história tenham aprendido a ler nas entrelinhas.


Frank Oliveira

segunda-feira, novembro 06, 2006

Lançamento do Livro: Como Chegar

Lançamento do Livro do Frank
Um Paraíba Vagamundo : Crônicas e Poesias de um Viajante Voador
O evento ocorrerá no dia 12 de Novembro (Domingo) às 15:00 no IPPB na Rua Gomes Nogueira 168, Ipiranga

Como chegar:

Carro: Da Nazaré, há várias opções. Descer a Padre Marcheti ou descer pela Rua Engenheiro Ranulfo Pinheiro de Lima.
A Gomes Nogueira também é uma travessa da Ricardo Jafet, para quem vem do Shopping Plaza Sul, basta entrar na Dr Mario Vicente (entre dois postos de gasolina) e virar a primeira à esquerda, depois a primeira à direita. A referencia é o Bobs que fica depois do segundo posto de gasolina.
Ônibus: Do terminal de ônibus da Vila Mariana, vá até a ultima plataforma, no último ponto, passa o Jd da Saúde e o Heliopólis. Os dois ônibus passam na Dr Mario Vicente, é só pedir pra descer no primeiro ponto depois da Ricardo Jafet.
Da Nazaré para a Dr Mario Vicente, há quatro ônibus: Vila Brasilina (4504), Jd Celeste (4506); Metrô Vila Mariana (4706) e Pompéia (478P). Só confirme com o cobrador, se o ônibus atravessa a Ricardo Jafet, se positivo, desça no ultimo ponto antes da Ricardo Jafet.

segunda-feira, outubro 30, 2006


Aguardem a capa do livro - enquanto isso vejam esse trabalho do Adrianus e caiam na risada. Posted by Picasa

Lançamento do Livro " Um Paraiba Vagamundo"

Olá amigos

Estarei lançando o meu livro “ Um Paraíba Vagamundo – Crônicas e Poesias de
um Viajante Voador” e gostaria de contar com a sua presença. O lançamento
ocorrerá no dia 12 de Novembro ás 15:00 no IPPB (Instituto de Pesquisas
Projeciológicas e Bioenergéticas) na rua Gomes Nogueira, 168, no Ipiranga.

O evento contará com danças de toda parte do mundo ( Dança cigana, celta,
dança do ventre, dança indiana), apresentação de yoga, música e muitas
surpresas.

O livro é um projeto antigo e reúne uma seleção do meu trabalho de 2001 a
2006. Toda a venda será convertida para ajudar uma amiga que perdeu os
movimentos do corpo depois de uma operação mal sucedida.

Será uma honra poder contar com vocês nesse evento.

Um grande abraço

Frank

Crazy

Quando olhamos o nosso mundo de cima, não há fronteiras, não há diferenças
entre raças. Tudo é grão de areia, tudo farinha do mesmo saco. Lá de cima,
as manipulações por amor, dinheiro ou poder perdem a importância. De cima, a
terra cabe na palma da mão e as encrencas viram poeira no espaço.

Todos deveriam olhar o mundo de cima, principalmente quando nos atolamos em
dramas e ficamos presos na areia movediça do ego. Ao olhar de cima, os
desentendimentos entre amigos e amantes viram brigas de criança. Os motivos
que nos levam a fazermos besteira se tornam simplesmente uma grande
besteira. O que não nos deixa dormir em paz, vira apenas uma vaga lembrança.

Mas nem todo mundo quer olhar de cima, como diria Seal em sua canção”
Crazy”: Em um mundo cheio de gente, somente algumas pessoas querem voar,
isso não é loucura? Sim, é uma loucura, pois mesmo embora não sejamos
pássaros, podemos voar e tentar enxergar as coisas de cima, basta deixar as
mágoas de lado e o “ego ofendido” para perceber que todos somos culpados e
inocentes e não precisamos culpar um Judas para arrumarmos o nosso quintal.
Basta voar um pouquinho além do nosso orgulho ferido e das nuvens, e olhar
para baixo para ver como o que era gigante tornou-se formiga.

Como formiguinhas, juntamos um gigante de melecas emocionais e transformamos
nossas vidas em enredo de novela só pelo prazer de perder,ganhar e tornar a
perder e ganhar. Isso não é loucura? Fácil falar, dirão os “ realistas”,
mas garanto que isso também é fácil de fazer, basta abrir mão de sempre
querer ganhar e perceber que não há vitória quando o outro perde, que não há
sucesso enquanto outro definha, que não há motivo para usar os outros como
escada para escalar as nossas montanhas. Difícil é não desejar sempre estar
certo; complicado é não querer sempre ter a última palavra sobre algo.

Olhar o nosso mundo de cima, é perceber que a nossa consciência vai além dos
limites do nosso corpo. A nossa consciência faz parte do corpo do outro e
vai muito além do nosso quintal, expandindo-se para o lado, para o alto e
para o infinito. Essa expansão da alma ocorre quando percebemos que nossos
olhos podem enxergar além do nosso ponto de vista, para vermos o mundo como
um palco onde o ator pode, por vezes, parar de atuar e acreditar no drama,
para ver as coisas como elas são realmente; afinal ele é maior que a
personagem.

Reduzindo o alcance do ego, a alma tem o tamanho do universo.

Frank Oliveira

sábado, outubro 28, 2006

Tempo de Validade

Ela estava ao meu lado, quando acordei essa manhã. Como todas as manhãs em 07 anos de casamento, olhei pro seu rosto, toquei o seu cabelo, fiquei observando ela dormindo e agradeci aos céus por ela estar ali. Não queria acordá-la, tinha um plano secreto de ir até a padaria, comprar pão, preparar o café e levar na cama. Adoro fazer isso. Fico tão feliz quando ela acorda e vê a bandeja com o desjejum e sente o cheiro do café. Talvez por ser uma desastre na cozinha e mal conseguir fritar um ovo, que empenho todas as minhas forças para que o café seja perfeito. Eu a amo, mas sei que mesmo com todo o meu esforço, não há garantia que ela sempre esteja ali.

Na semana, corremos como ratos em busca do nosso queijo: café na padaria, beijos trocados em ônibus lotados e abraços de despedidas dentro do vagão do metrô. Durante o fim de semana, as manhãs de Sábado e Domingo são sagradas, e o café na cama faz parte do ritual de parar o tempo e fingir que somos dois planetas girando na órbita do nosso sol amor. Sim, sou romântico, até onde consigo ser; acredito que todo o homem tem a obrigação de tratar sua mulher como uma rainha, afinal se ela não merece ser tratada como tal, porque diabos, ficar ao lado dela?

Nem sempre pensei assim, mas agora acredito que se você tem um amigo, uma namorada, uma mãe, uma família, nesse mundo tão descrente em amor, você tem toda a riqueza que um homem precisa durante a vida para estar realizado. Aprendi isso com a vida, pois amar é aprender na prática, afinal, o amor não vem com manual.

Na escola, não aprendemos a amar e respeitar a nossa família; são as brigas, as picuinhas e ainda assim o suporte mesmo quando estamos errados, que nos ensinam o quanto é eterno o laço que nos une. Na rua, não aprendemos a amar uma mulher; são os relacionamentos destruídos por ciúme, insegurança e imaturidade, que nos molda pouco a pouco para que percebamos, que estar ao lado de alguém é uma dádiva, um presente, uma chance de moldarmos a realidade e ser felizes com algo que não seja descrito em cifrões.

Amar é cuidar, é sentir vontade de sorrir quando quem é amado por nós está feliz. Amar é ser amado em retorno. Amar é sentir que vale a pena continuar a acreditar que esse amor irá durar pra sempre. O problema é que nem sempre dura...

Sim, há chance de uma hora o mundo separar até mesmo os casais que parecem estar mais apaixonados. São muitos os motivos: outra pessoa, um novo caminho em que exige apenas dois pés e não mais quatro, mas seja qual for a razão, embora o fim de um relacionamento seja, assim como a morte, inevitável; há em nossas mãos, sempre uma chance de transformar outono em primavera.

Aceitar que alguém tem o direito de partir, não significa permanecer o tempo inteiro à espera que isso aconteça; pelo contrário, é reconhecer que as pessoas mudam e se o casal souber mudar junto, renovar-se e mantiver o relacionamento sempre baseado no respeito e na amizade, esse amor, que aparentemente tinha prazo para acabar, voltará a se revitalizar e irá durar outros tantos ciclos e cafés na cama aos domingos.

O amor não nos dá garantia de quanto tempo irá durar; mas a maneira como tratamos quem está do nosso lado especifica se o nosso amor já passou da data de validade.

segunda-feira, outubro 23, 2006

O Velho e as Ovelhas

Entre o Cebreiro e Triacastela, depois de caminhar o dia inteiro, parei para
descansar e observei que ao longe vinha um velhinho espanhol conduzindo seu
rebanho de ovelhas. Acenei, ele retribuiu com um sorriso e parou para
conversar. Começamos a papear sobre os estranhos que passavam por aquelas
terras seguindo o Caminho de Santiago e ele perguntou:

- Que você faz aqui sem a sua noiva?

- O quê?

- Estou vendo que tu és noivo (disse, percebendo meu anel de noivado na mão
direita). Eu não entendo. Esse é o caminho do amor e se tu amas sua noiva.
Por que andas sozinho?

Lembrei da vontade que Auri tinha de ter vindo comigo, mas eu tinha
prometido fazer o Caminho sozinho. Se eu esperasse mais um pouco e tivesse
adaptado a promessa aos dois, poderíamos ter vindo juntos.

- Não sei porque todos querem caminhar sozinhos por aqui – ele disse - Eu
caminho sem a minha velha há 10 anos e não há um único dia sequer em que não
deseje voltar a caminhar com ela. Meu filho, o Caminho de Santiago é o
caminho do amor e não da solidão. Caminhe sozinho e você chegará a lugar
nenhum.

Caminho de Santiago, Setembro de 1998

domingo, outubro 22, 2006


Ritual Aborigene - Fonte: http://www.cervantesvirtual.com/historia/TH/cosmogonia_australiana.shtml
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Herança Aborígine

Ao cair da noite, o chamado ecoa pelo ar. O ancião aborígine no alto da pedra vermelha gira um instrumento que ao entrar em contato com o ar emite um som que lembra o bater de asas de um pássaro gigante.

A celebração da Terra esta prestes a começar.

A fogueira ilumina o lugar, as sombras brincam nos rostos de cada homem que vai chegando e tomando sua posição no círculo ao redor do fogo. Com a pele tingida de branco e lanças torneadas com fitas vermelhas, os aborígines começam a dançar e a cantar. O ritmo é mantido pelas batidas dos pés, pelo digeridoo (um instrumento de sopro) e pelo canto que ora lembra o som das batidas do coração, ora parece ser a própria noite gritando: Estou chegando!

Não demora muito e todos parecem ter entrado numa espécie de transe.O ancião fala alguma prece em meio a música, deixando todos que estão assistindo a apresentação com uma estranha sensação que só pode ser descrita por: Uau!!!

- É tão místico, né meu bem? - Fala uma mulher do meu lado para o seu marido.

- Místico? - penso comigo – Não tem nada de místico não, dona. É só outra cultura que temos aqui nesse planeta, com uma historia única, recheada de significado, sabedoria e poesia, de um povo, que por uma razão ou outra, decidiu viver de uma maneira diferente da que escolhemos.

A cultura aborígine é uma das mais ricas e antigas do mundo e vivem por milênios na região, que hoje é conhecida como Austrália. Durante boa parte da sua convivência com os “descobridores”, eles foram massacrados, roubados e quase tiveram a sua cultura e fé destruída pela boa intenção “branca” de modernizar o primitivo, mas apesar de tudo, sua cultura ainda permanece forte e bela. Essa apresentação, junto com o lançamento de um filme, exposição fotográfica e palestras, tentam levar ao mundo um pouquinho da cultura e luta desse povo para permanecer na terra dos seus ancestrais.

O espetáculo continua, e a dança da terra termina de forma brusca dando lugar a uma fumaça que representa o mundo do sono. A Dança dos Sonhos esta prestes a começar. Eles dançam e na tela por detrás dos dançarinos, surgem imagens de pinturas lindíssimas que representam os sonhos e seus significados.

Para o aborígine, sonhar é uma oportunidade preciosa de conhecer sobre a própria vida e o papel de cada um no mundo; além de ser inspiração para poesias, músicas e todo tipo de arte. Desde criança, eles são educados a prestar atenção e tentar lembrar dos seus sonhos, por que ao sonhar, eles acreditam que o espírito de cada pessoa entra em outro mundo e pode conversar com seus antepassados.

No final da apresentação, as palavras do ancião foram traduzidas para todos:

“Para o nosso povo, a Terra é a base de nossa existência. Desde cedo, aprendemos que ninguém possui a terra, é ela quem nos possui. Há terra para todos, terra o bastante para vivermos em paz cultivando e cuidando dela, mas parece que todos os outros povos estão mais preocupados em possuir a terra dos outros do que cuidar da sua.

O sagrado não se encontra na crença que precisamos cuidar bem da terra e um do outro, mas sim na própria ação.

Nosso povo há séculos vem passando de pai para filho a tradição do bem cuidar do nosso lar. Essa tradição que é a nossa herança. Essa herança não é só para os nossos filhos, mas pra todos aqueles que se interessem pela nossa cultura.

Ao cuidar da terra ou um do outro o efeito é como o vôo de um bumerangue, pode demorar, mas ele sempre volta para você.”

Todos se levantam e aplaudem com entusiasmo. O ancião sorri junto com os dançarinos. Nos seus olhos um brilho de quem sabe que apesar da maioria das pessoas estarem ali só pelo exótico de observar uma apresentação como aquela, outra boa parte conseguiu enxergar a beleza e sabedoria por trás do diferente. O recado estava dado.

Setembro 2002

Frank Oliveira

sábado, outubro 21, 2006


Saltimbanco - Cirque du Soleil http://diversao.uol.com.br/album Posted by Picasa

O Circo e o Gari

Jonas é um dos Garis que trabalham na região da Vila Olímpia, São Paulo, onde até pouco tempo estava montada o espetáculo do Cirque Du Soleil. Esses dias, enquanto tomava café numa lanchonete próximo ao local, ele puxou assunto e comentou que tinha ido num circo uma vez, e estava curioso para saber que circo era aquele que cobrava mais de R$ 100,00 pelo ingresso.

- Deve ser bem especial, né?

Sim, era especial. A apresentação da famosa companhia canadense foi um sucesso de público. O Governo e a iniciativa privada uniram forças para que os brasileiros pudessem assistir a esse espetáculo que já percorreu o mundo inteiro. Pela primeira vez no país, a companhia canadense, criada em 1984, escolheu um de seus espetáculos mais famosos para mostrar ao público de São Paulo e Rio de Janeiro. "Saltimbanco" foi criado em 1992 e conta a história de garoto que vive numa metrópole e vê as transformações por que passa sua vida e sua cidade. Dividida em doze atos, a peça tem malabarismo, trapézio, palhaços, corda bamba e dança.

- Até queria levar as crianças pra assistir, mas precisa ver minha cara quando cheguei na bilheteria e vi os preços. Rapaz, eu teria que trabaia três mes para pagar as entradas.

Segundo a organização do evento, a trupe demorou a vir ao Brasil devido à falta de patrocínio. A estrutura, de acordo com a direção do espetáculo, é muito custosa: são 51 artistas, além de toda a equipe técnica.

- O governo fica falando em quota pra universidade, deveria ter também quota pra gente pobre ir ver peça de teatro e circo assim, moço. Minha muié é louca pra ir prum teatro, mas cumé qui vamos pro teatro, se nem no cinema dá.

Fui assistir ao espetáculo uma vez quando morava em Londres, e lembro que os preços eram acessíveis para todos. Eu não tinha tanta grana assim, mas sabia que durante a semana, os preços eram 50% mais baratos o que permitia que todos pudessem assistir, não apenas uma parcela da população.

- Quem sabe a próxima vez que eles vierem pra cá, cobrem mais barato; ai levo os meninos pra assistir.

“As cortinas se fecham, mas a alegria continua”, diz o anúncio do jornal sobre o encerramento do espetáculo do Cirque Du Soleil. Oxalá que Jonas e sua familia possam assistir o espetáculo na próxima vez.

domingo, outubro 15, 2006

Anima

Desde os primórdios o homem percorre os quatro cantos do mundo em busca de experiência, ao mesmo tempo em que internamente procura a essência do que ele é, do que representa.

Da África as terras européias, das tribos massais aos tambores celtas, o aprendizado corre nas veias da alma, que anima, que o faz seguir em jornada.

Das margens do Rio Ganges as muralhas da China, das montanhas da Mongólia até as terras da Sibéria; esses homens continuam em sua caçada por felicidade ou por alguma verdade que os faça lembrar que já foram estrelas, antes de cair no mar.

Atravessando estreitos de gelo, descendo a América abaixo, dos Maias aos Incas, dos Tupis-Guarani aos Astecas, esses homens até hoje viajam por toda a terra sem temer o perigo que deixar tudo pra traz representa.

Então levanta, homem-estrela, e anda.

Sai do barro, desce das árvores e caminha pela terra que é sua, nossa, minha.

Ouve o chamado do vento e descubra o que se esconde por tráz do horizonte, não pergunte aonde, apenas siga, descubra, avance.

Levanta homem e prova da maçã, sinta o sabor do conhecimento e o doce licor da sabedoria. Percorra esse mundo, chore de alegria; experimente o que há por fora, o que há por dentro, pois se Deus é o Criador, o homem co-cria.

terça-feira, outubro 10, 2006

"Bom dia com amor"

Bom dia de verdade

Acorda nossa alma

Reaviva nosso coração

Põe nos lábios um sorriso

Nos olhos do outro vemos o paraíso

Se esvai a solidão,

*

Quando dizemos bom dia com amor

A energia se fortalece

Nos dando um novo amanhecer

A prova são nossos corpos que se enaltecem

Uma onda que nos brinda e aquece

Fogo na alma de puro prazer

*

Por isso bom dia amor meu!

Que bom o presente que Deus me deu

O privilegio de junto contigo viver

Me banha com tua luz infinita

Me aquece, me faz sentir bonita

Tem compromisso, pois quero você!


Beijo

Auri


Obs: Poemo enviada pela moça que tanto me inspira.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Para todas as pessoas que ainda ousam amar...

:)


Oi se fala com o olhar.

Bom dia é mais bom dia quando dado em forma de carinho.

Nos últimos dias, tenho sentido novamente os raios do sol através do seu
sorriso.

Seu corpo está cansado, sua mente atarefada, mas seu coração tem batido em
sintonia com o meu e nesse ritmo, eu só tenho vontade de gritar aos quatro
ventos: bendido sejam os homens que podem sentir isso.

Sim, somos benditos, porque podemos sorrir, chorar e amar. Podemos ser tudo
o que restava para ter sido e ainda assim, se renovar nos braços da amada, o
verdadeiro paraiso perdido.

Deus no céu, paz na terra e o amor no coração dos homens que tiveram o
previlégio de sentir o que tenho sentido.

terça-feira, outubro 03, 2006


Meu amigo Kassim Posted by Picasa

O Poder da Escolha

São duas da tarde, depois de tanto procurar, finalmente encontro um restaurante bom e barato no Itaim Bibi. Desde que comecei a trabalhar na região tenho peregrinado para achar um “B e B” e finalmente, encontrei o lugar certo. Acomodado, escolho a mesa, puxo a cadeira, e abro o cardápio; escolho meu prato feito, peço meu suco de laranja natural e enquanto a comida não chega, rabisco frases desconexas no guardanapo (sempre faço isso, só pode ser alguma compulsão). O restaurante ainda está cheio, apesar de não ser mais horário de almoço. O garçom vem até as mesas e pega o pedido, a maioria o chama pelo nome, devem ser clientes que sempre almoçam por ali. Um dos clientes pergunta pro garçom:

- Você não votou nele, votou?
O garçom olha encabulado, não quer responder. O engravatado ri, a platéia aplaude e espera ansiosa a resposta do rapaz, que com forte sotaque nordestino, responde:
- Sim, eu votei nele, esta bem? – diz e visualmente encabulado, sai da mesa e segui em direção a cozinha, sendo salvo pelos pratos já prontos.

Os engravatados comentam entre si, que “esse povo” não sabe votar. O garçom evita voltar à mesa e enfrentar os olhares inquisidores, afinal não pode discutir com o cliente que sempre tem razão; mesmo quando julga, mesmo quando paga a conta com uma salada de preconceito.

O garçom me faz lembrar do meu amigo afegão Kassim, que conheci em Londres. Trabalhávamos no mesmo restaurante, e quando ele ia servir as mesas e alguém lhe perguntava, de onde vinha; ele respondia cabisbaixo: “Afeganistão”.

Era 2001, seu país acabara de ser invadido pelos Nortes Americanos e ele era um dos primeiros refugiados a chegar a Londres. Logo virou motivo de curiosidade naquele restaurante de um clube de classe alta inglesa. Todos sabiam de onde ele era, mas parecia haver um prazer sádico em perguntar-lhe sempre a mesma pergunta.

Com o tempo, Kassim, foi perdendo a vergonha e começou a responder com segurança e orgulho, percebera finalmente que não havia vergonha em ter vindo do Afeganistão. Quanto mais seguro ele respondia, menos os clientes perguntavam.

Naquela tarde, ao ver o Garçom, vi no moço o meu amigo Kassim, principalmente quando ao voltar a mesa, e começar a ouvir piadinhas, o garçom respondeu:

- Olha, tenho direito de votar em quem eu quiser, até onde eu sei, democracia é ter poder de escolha. – disse com firmeza – e sim, votei nele, você votou no outro e assim vamos construindo um país livre para todos, onde todos se respeitam independente das suas escolhas.

Todos na mesa se calaram, eu quis bater palmas, mas ao invés disso, deixei uma caixinha para ele ao pagar a minha conta no caixa. Afinal, estamos mesmo num país livre, onde todos têm a escolha de votar em quem quiser. Imagine se não tivéssemos o poder de mudar os rumos do Brasil pelo voto? Cuba é maravilhosa nos sonhos de quem nunca viveu sob o regime do Senhor Castro. O preço a pagar por nossa liberdade é conviver e respeitar a opinião do outro, principalmente quando for diferente da nossa.

Frank Oliveira

domingo, outubro 01, 2006


N�o sou Palha�o!!! Posted by Picasa

Cara de Palhaço

Era apenas um protesto brando. Decidi que iria votar com um nariz de palhaço. A idéia veio de um site www.narizdepalhaço.com.br, onde um grupo de malucos sugeriu que fossemos votar com um nariz de palhaço, como forma de protesto contra toda essa palhaçada que é feita em nome do povo.

Achei a idéia original e como por vezes, já me senti um palhaço com tanta corrupção, levantei cedo e fui votar armado com o meu título de eleitor e um nariz postiço de palhaço que uso em dinâmicas e palestras.

Não era o único palhaço, minha esposa aderiu a idéia e logo éramos dois palhacinhos a caminho de nossos respectivos colégios para votar e o resultado foi surpreendente.

Primeiro, achamos que iamos ser expulsos do lugar pela policia, mas os policiais foram os primeiros a cair na risada. Sim, a intenção era chocar, mas na verdade levamos ao riso, tanto os mesários, quanto as pessoas que estavam na fila para votar. Contudo, sem fazer nenhuma propaganda, através do riso e dos nossos narizes, sentimos que fazíamos as pessoas se perguntarem: Quem são esses “palhaços”? O que eles querem dizer? Mostrar? Que protesto é esse? Será que somos mesmo palhaços? O que podemos fazer para não bancarmos o palhaço?

Interessante o quanto uma imagem às vezes, vale por mil palavras, panfletos, discursos. Com todo o respeito a classe desses profissionais do riso, mas votar consciente é declarar que não somos palhaços (no sentido perjorativo da palavra), e sim, eleitores, e como tal podemos escolher nossos candidatos baseado naquilo que acreditamos, percebemos, lemos e não na base do discurso e da hipocrisia. Numa democracia, o voto é a arma que o povo tem, para mostrar que é possível votar bem para melhorar o país; mas foi com o nariz de palhaço que percebi que é possível através do riso, tocar corações e fazer as pessoas pensarem um pouco mais antes de uma grande decisão.

01 de Outubro de 2006

Frank Oliveira

terça-feira, setembro 26, 2006

A Magia do Papel em Branco

A Magia do Papel em Branco


Época de eleição, verdade, mentira e muito papel no chão. Era moleque; não entendia quem ia ganhar, ou o que eles tinham para oferecer; mas o que não faltava era papel e para quem não tinha onde escrever, era só aproveitar o parte branca do panfleto. Quantos mais candidatos havia, mais matéria prima eu tinha para as minhas anotações.

Na falta de um caderno para escrever meus contos, minhas histórias, os panfletos eram perfeitos. Quanto maior o panfleto do político, mais espaço eu tinha para escrever, para desenhar, para rabiscar as idéias que formariam o homem que sou. Para a minha sorte, naquela época ninguém havia pensado em colocar a foto do político na frente e no verso do panfleto.

Sim, era um tempo difícil, mas não menos divertido. Minha mãe só tinha dinheiro para comprar os cadernos da escola, os quais ela vistoriava constantemente. Era bronca na certa quando ela percebia qualquer espaço usado para escrever algo que não fosse matéria da escola – Para quê você escreve tanta bobagem, menino? – dizia ela. Eu não tinha resposta, só sabia que havia uma história para contar.

O problema era que eu não parava de escrever, minha cabeça estava cheia de idéias, cheia de personagens que gritavam, imploravam para se tornarem vivos no movimento das letras, no desenho das palavras.

Eu vivia escrevendo em papel de saco de pão, em guardanapo roubado das lanchonetes onde nunca comi uma refeição, até a epóca das eleições. Para um garoto pobre com fome de papel, panfletos caindo do céu, dos caminhões e carros, era como se chocolates caíssem dos prédios em dia de São Cosme e São Damião.

Nos dias de hoje, não espero mais a época das eleições com tanto entusiasmo, porém, toda vez que vejo panfletos de políticos no chão, entupindo bueiros; lembro desse moleque e fico desejando que houvesse outros garotos escritores por ai, reciclando panfletos e colocando no papel sua visão de mundo, afinal um bom conto, uma história não tem o poder de mudar os rumos de um país, mas se bem narrada, pode fazer todo um povo sorrir e sonhar.

Frank

segunda-feira, setembro 25, 2006

Hanuman e a Verdadeira Amizade

Há muito tempo atrás nas terras da Índia, havia um homem chamado Odlavir, que buscava encontrar a verdadeira amizade. Não que tivesse problemas em fazer amigos, pelo contrário, sempre havia pessoas ao seu redor e ele tentava ser o melhor amigo que alguém podia ter, mas estranhamente as pessoas para quem dedicava o seu carinho se afastavam pelos mais insignificantes motivos.

Ele sabia que entre amigos, mal entendidos sempre aparecem, mas para isso havia a conversa e o perdão, e ele sempre havia dito que o perdão era companheiro inseparável de qualquer amizade.

Preocupado por jamais encontrar uma amizade duradoura ele partiu para os quatro cantos do reino e consultou os Sábios em busca de resposta.

- O melhor amigo do homem é o dinheiro.- disse o Sábio do Norte.

- É apenas uma questão de tempo para que seu melhor amigo vire um rosto perdido na multidão.- disse o Sábio do Sul.

- Amizade é sempre renovação- disse o Sábio do Oeste – É preciso deixar os velhos amigos de lado e se dedicar aos novos.

Odlavir já estava irritado com as repostas que recebia. Claro que era possível ter os velhos amigos e os novos ao mesmo tempo, afinal novas amizades deveriam somar e não subtrair. Ele se recusava a esquecer um rosto amigo ou tratá-lo como posse que se ganha, perde e se gasta.

Enfim, bateu na porta do Sábio do Leste e explicou sua história, e eis o que o Sábio lhe falou:

- Tenho quase um século de vida Odlavir, e nunca tive um amigo de verdade - disse o homem com tristeza – Sempre tive medo de me aproximar das pessoas e de ser magoado, com isso, perdi todas as oportunidades que a
vida me proporcionou de ter amigos verdadeiros. Não posso lhe ajudar, mas porque você não procura o Príncipe Rama*. Ele é um homem experiente e sábio, e poderá lhe dar a resposta que você tanto procura.

Odlavir esperou pacientemente e foi recebido no Palácio.

O Príncipe Rama era conhecido não só por sua sabedoria e compaixão, mas também pela sua simplicidade.
- Em que posso lhe ser útil, meu caro? Perguntou o Príncipe ao lado de sua esposa Sita.

- Meu príncipe, já estive com os quatro sábios do mundo, mas nenhum deles pôde me ajudar a descobrir se existe ou não amizade verdadeira. Ó meu Príncipe, serei eu apenas um tolo a procurar um tesouro que não existe?

O príncipe sorriu e respondeu:

- Não és tolo por querer uma amizade sincera e verdadeira, Odlavir, mas minhas palavras são muitas pobres para lhe aconselhar sobre esse assunto. Porém, há alguém que pode lhe ajudar. Hanumam** é meu fiel e grande
defensor e se encontra nos jardins do palácio nesse momento, leve a ele sua indagação.

Odlavir agradeceu o conselho e se dirigiu ao encontro com Hanuman que parecia já estar lhe esperando.

Hanumam era considerado um dos homens mais fortes e valentes do reino. Já havia salvo o Príncipe Rama por diversas vezes e era um exemplo de fidelidade e dedicação ao príncipe.

Ao encontrá-lo, Odlavir contou toda a sua peregrinação em busca de um amigo.

- Começo a acreditar que a amizade é realmente passageira, assim como a nuvem que se desfaz ao primeiro sinal de tempestade.

Hanumam ouviu tudo em silêncio e sorrindo lhe respondeu:

- Odlavir, sua busca não é insensata, nem impossível uma vez que a verdadeira amizade já existe dentro de você. Assim como o amor, a amizade dorme dentro do seu peito e só precisa de alguém para despertá-la.
A amizade verdadeira demora a ser compartilhada e experimentada por que é rara e preciosa, nos dando às vezes, a impressão que ela não existe, mas no momento certo em que surge nos faz descobrir o quão valioso é
entregá-la a alguém.

- Mas como posso descobrir que encontrei esse alguém?

- Os sinais são bem claros. Quando você estiver doente do corpo ou do espírito, o verdadeiro amigo, se for preciso, carregará uma montanha para lhe curar. Não importa se o momento é de lagrimas ou de sorrisos, o
verdadeiro amigo estará lá para te apoiar. Em momentos onde as diferenças aflorarem e a discussão parecer eminente, ele saberá ser coerente e paciente, pois assim como você, ele já descobriu que a inimizade e
a separação ocorrem pela imaturidade das pessoas envolvidas em resolver as suas diferenças de forma sensata e amiga. Mas até encontrar esse alguém, se dedique a quem precisar de você e não espere que ele retorne a você a mesma dedicação.
Continue enxergando na face de todos o seu amigo tão esperado e um belo dia, você notará que ele já caminha ao seu lado.
Lembre-se de não se preocupar se ele virá para ficar ou se partirá em breve. A verdadeira amizade é medida pelo que aprendemos e experimentamos um com o outro e não pelo tempo em que permanecemos juntos.

Odlavir sorriu ao ouvir a resposta que tanto procurara, agradeceu Hanuman e saiu do palácio contente, pois tinha descoberto que a amizade verdadeira não é aquela que é recebida, nem tão pouco meramente explicada e sim apenas sentida e doada.

Frank

Londres, 2004

domingo, setembro 17, 2006


Sem Capa e Sem Espada Posted by Picasa

Sem Capa e Sem Espada

Certo dia, percebi que não estava sozinho. Como eu não me via mais como uma ilha, entendi que, se fizesse um pouquinho, poderia fazer alguma contribuição para esse grande continente humano. Não que o mundo precisasse da minha ajuda (ele sempre esteve muito bem, obrigado), mas não falta trabalho para quem quer dar uma mãozinha.

Aprendi algumas técnicas. Estudei um pouquinho, aqui e acolá, e não tardou para que eu passasse da teoria à pratica.

Assim, vesti minha capa, coloquei uma máscara e saí voando para o alto e avante, em busca dos fracos e oprimidos, sempre com a melhor das intenções. Sabia que tinha o Universo do meu lado, os poderes de Grayskull, a espada com o olho de Thundera e as bolas de fogo do Dragon Ball para me auxiliar nessa heróica jornada e, como um Homem Aranha ou Super-Homem, viciei-me em auxiliar o próximo.

Toda vez que o auxilio era necessário, lá estava o Super-Frank, o Zorro Hindu, pronto para o trabalho.

Mas, o herói foi amadurecendo...

Aprendendo que nem sempre precisaria usar as mãos ou os poderes especiais que tinha à disposição, pois tudo o que precisava eram boas palavras, um pouco de luz e muito amor.

Ainda estou aprendendo a trabalhar, cada vez mais sutilmente, mas, confesso que demorei a perceber que o auxilio maior se faz silenciosamente, sem capa nem espadas.

Depois de certo tempo, mais uma ficha caiu: existem pessoas que querem ajuda, e outras não.

Isso me chocou a princípio, pois costumava acreditar que, se existisse um inferno, ele estaria cheio de anjos por lá, tentando ajudar, e eles tinham a obrigação de ajudar, afinal as pessoas precisavam ser ajudadas, mesmo que não entendessem que precisavam de auxílio.

O pior de ajudar é entender que há casos em que a melhor ajuda é não intervir.

Há realmente um inferno, e nós o carregamos dentro de nós mesmos. Os anjos estão ao nosso redor, mas eles sabem que, em certos casos, boas intenções não são o bastante, pois a ajuda tem que partir de dentro.

Nesses casos, a melhor ajuda vem da Nave Mãe Universal, e é só uma questão de tempo (tempo do Universo, e não tempo do homem) para a vida se encarregar de auxiliar e ensinar.

Contudo, é duro não poder ajudar. Pior ainda, é saber que não há palavras, bolas de luzes, feitiços e mandingas que lhe ajudem a auxiliar as pessoas a enxergarem que existe uma saída, uma luz para a sua escuridão. Normalmente, nos sentimos impotentes e tentamos barganhar com os “Poderes Celestes” um auxílio para fulano ou sicrano e, em silêncio, eles lhe respondem que é hora da não-ação.

O vento explica o silêncio que o homem não consegue escutar. A água explica as mudanças que não tardam a chegar. Mudanças sutis que embora não possam ser perceptíveis aos olhos humanos, acabam sendo captadas pelos olhos da alma.

Basta ter paciência para entender que, no fim, tudo se resolve. Que quem está no escuro e não entende o poder da luz, acabará enxergando-a por conta própria.

Não dá para explicar discernimento para quem é fanático. Nem se consegue explicar a beleza da vida para quem não enxerga sentido na mesma. Mas dá para desejar o melhor para essas pessoas e enviar o nosso carinho para todas elas, na esperança de que um dia elas se abram e voltem a viver plenamente de novo.


Frank

Escrevendo e escrevendo... Posted by Picasa

Aniversário do Crônicas do Frank

Olá amigos

Estamos comemorando um ano do blog "Crônicas do Frank" e gostaria de agradecer a todos os leitores e amigos que acompanham meu trabalho.

Todas as mensagens deixadas no blog ou via e-mail estão guardadas com carinho no meu coração.

Continuem acompanhando o blog e deixando a sua opinião e comentários.

Um grande abraço e muitos sorrisos

Frank Oliveira
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