quinta-feira, dezembro 22, 2005


4 Sobrinhos do Francisco Posted by Picasa

quarta-feira, dezembro 21, 2005

4 Sobrinhos do Francisco (um Conto de Natal)

Ainda sou filho, mas ando fazendo estágio para ser pai. Como sem querer, acabei ficando para titio; o que não me falta é sobrinho. São cinco: Lucas, Larissa, Marcus, Vitor e Guilherme. Com os quatro primeiros, me aventurei numa jornada: assistir o último filme do Harry Potter.

Queria ter esse momento tio-sobrinho, mas para ir ao cinema era uma epopéia. Não tenho carro, não dirijo e não tenho lá muita prática em administrar uma galerinha em que o mais velho tem nove anos, mas tenho experiência em gerenciar conflito, supervisionar equipe e foi assim que me preparei para essa tarefa. Encarei tudo como um grande desafio e embarquei nessa jornada, passando na casa de cada um e os reunindo.

A bagunça era geral, a gritaria intensa. Eu no meio da bagunça, tentava em vão manter todos comportados. Nada como uma experiência como essa para começar a ter duvidas quanto a querer ser pai mesmo. Porem, embora eu estivesse nervoso e tenso, as crianças estavam se divertindo.

- Tio, relaxa! – disse Larissa – Vamos obedecer ao senhor direitinho!

Devia estar dando muito na cara que estava tenso. Mas mesmo embora eu esperasse o pior daquela trupe, tudo correu muito bem. Brincaram como qualquer criança deve brincar. Gritaram e bagunçaram como qualquer um na idade deles faria. Eu é que parecia não estar aproveitando.

O que era uma pena. Eu havia pedido a Deus pra estar ali; para ter essa oportunidade de participar da vida deles. Tendo vivido por quatro anos em Londres, não os vi crescendo, nem pude levá-los ao cinema; não tive tempo de ser tio e agora que tinha a chance nas mãos, estava perdendo o melhor que ela poderia me oferecer que era contentamento. Estava muito preocupado que algo pudesse acontecer com eles, que alguma coisa desse errado ou sei lá mais o quê.

Foi então, no meio desses pensamentos e preocupações que lembrei que já fui sobrinho saindo com o tio pra ir ao cinema.

Tinha sete anos e lembro que pedi ao Papai Noel para ver o ET. Não, não pedi ao bom velhinho, um contato de terceiro grau com alienígenas, apenas queria ver o filme que todos os meus amiguinhos já tinham assistido. Na época, meus pais mal sabiam o que era cinema; alem disso custava muito caro. Mas o presente veio com o meu tio, que ao invés de me dar brinquedo ou roupa de natal, levou meus irmãos e eu para o cinema. ET já não estava mais em cartaz, mas assistimos os Saltimbancos Trapalhões. Ainda hoje lembro da sensação de ver pela primeira vez um filme na telona, a magia da imagem sendo projetada e os meus olhos mergulhando naquele mundo maravilhoso. Porem o que jamais esqueci é que aquela noite era a primeira vez que saiamos sem os nossos pais e isso para um bando de crianças era uma aventura em que tudo podia acontecer. Um verdadeiro presente do Tio Noel.

De alguma forma, eu havia virado meu tio e meus sobrinhos eram meus irmãos e eu. Eles já haviam ido ao cinema antes com seus pais, mas era diferente com o tio, eles podiam ser eles mesmos, poderiam se comportar como crianças deveriam se comportar. Eu é que estava bancando o pai e se esquecendo de ser o tio que eles mereciam ter. Assim, deixando o gerenciador de conflitos de lado e o controlador, diverti-me tanto quanto eles.

Brinquei, participei de suas brincadeiras, falei como eles falavam e com isso me integrei ao mundo que eles criavam sem deixar o adulto atrapalhar.

O trabalho foi virando aventura, a aventura virando diversão e finalmente entendi que não dá pra prever o que acontecerá em seguida ou qual será o próximo passo que eles irão dar. Numa ocasião como esta ou em qualquer situação na vida é necessário deixar rolar; aceitar a vida acontecer. Isso não significa ser negligente ou irresponsável, significa apenas que não podemos controlar tudo ao nosso redor e é justamente por isso que a vida é tão mágica e surpreendente.

No passeio com o tio, assistir ao filme do bruxinho inglês ou comer no Mcdonalds, era apenas parte da diversão de estar todos reunidos. Pra mim, mais importante que ter todos eles sob o controle, era poder estar lá, vivenciando aquilo.

No fim da tarde, eles nem quiseram ver o Papai Noel na pracinha do Shopping Center. Vai ver, já passaram da idade de acreditar no bom velhinho ou eles já estavam recebendo o presente que haviam pedido: uma tarde divertida com o tio.


Feliz Natal a todos

Frank

21 de Dezembro de 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005


Viralatando Posted by Picasa

O Anjo de Quatro Patas

Quando a idade bateu em sua porta, trouxe junto à tristeza e o abandono.

Visitas, somente às testemunhas de Jeová aos Domingos; o telefone só tocava por telemarketing. Estar sozinho não é fácil em nenhuma fase da vida, mas na velhice era mortal. Ele precisava de companhia, mas os parentes estavam sempre ocupados para lembrar que ele existia.

Sentia pouco a pouco a vontade de viver se esvaindo. Acreditara que não sentiria nunca mais alegria até o dia em que um anjo de quatro patas surgiu em sua vida. Faminto, sujo, sarnento, ele tinha a perna ferida de tanto viralatar por ai e olhos carentes que chamaram a sua atenção e a sua vontade de ajudar.

Dizem que o amor de verdade nasce da vontade incondicional de se dedicar sem esperar nada em troca e foi assim que o amor entre ele e o anjo nasceu. O cachorro precisava de cuidados e ele queria cuidar.

Foi só uma questão de tempo para que a casa velha desse lugar a jovialidade do querer continuar. O anjo de asas caídas agora pulava que nem criança, seu rabo que estava antes perdido entre as pernas, voltou a querer o céu tocar.
O velho já não sentia mais as dores no peito, o cansaço que antes era todo dia, foi virando fim de mês e indo cada vez mais pra longe. O anjo de quatro patas havia lhe devolvido a vida e tudo o que ele tinha lhe oferecido foi um pouco de cuidado e um prato de comida.

Em pouco tempo,o velho rejuvenesceu e o cachorro trocou a rua pela amizade do homem e muito embora seus vizinhos lhe criticassem dizendo que não era certo tratar um cachorro como se fosse gente; o velho enxergava o cão como seu melhor amigo, um companheiro que Deus havia lhe enviado para lhe resgatar do esquecimento humano.


Frank

terça-feira, dezembro 13, 2005


O Velho Eu que resulta em Mim Posted by Picasa

O Velho Eu que resulta em Mim

Ontem acordei com uma vontade grande de só por um dia deixar de ser eu.
Explico: o meu projeto exigiria uma mudança radical de pequenos hábitos que julgo terem o poder de causar um extremo mal estar a longo prazo.

Comecei trocando uma hora de sono por uma corrida matinal e provei algo que só posso descrever como LUCIDEZ absoluta. Era como se o atleta chutasse o sonâmbulo e eu pudesse finalmente perceber que no meu dia-a-dia, mesmo acordado continuo dormindo.

Depois, antes de ir trabalhar, dei um longo abraço e um beijo de namorado na esposa que me olhou com surpresa, já esperando o carinho apressado de quem já acorda atrasado.

Durante o dia, tratei de evitar ao máximo pequenas mentiras, julgamentos apressados, preconceito e toda serie de pensamentos nocivos que viram herva daninha no quintal dos outros.

Ao fim do dia ao chegar em casa, após um belo banho, jantei prestando atenção apenas ao ato de mastigar. Descobri que quando os olhos não estão na tv ou na preocupação do dia seguinte, o sabor se maximiza na comida.

Depois troquei o jornal da onze da noite pela leitura de um livro que comprara há meses e nunca tinha lido e mesmo esgotado, fiz as minhas meditações. Resultado: cai no sono tranqüilo, dormindo tão bem que resolvi repetir a experiência no dia seguinte.

Quem disse que consegui...

Não tive o mesmo pique do dia anterior e voltei a ser o “velho eu” que resulta sempre em mim; mas não desisto, ainda terei mais uma chance amanha de mudar e aproximar mais ainda a distancia da versão cansada de mim do cara que fui ontem e que quero tanto tornar a ser.


13 de Dezembro de 2005
Frank
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 08, 2005


Agradecimento Posted by Picasa

A Importância de Agradecer

Tudo nessa vida tem preço, menos amor; por isso não damos o devido valor a quem esta do nosso lado, a quem tanto nos ajuda a cruzar essa ponte da existência na terra.

Quando algo custa caro e não vem de graça, temos a tendência de supervalorizar, de exaltar e dedicar todo o nosso tempo a isso. Porem, quando algo nos é dado de bandeja, normalmente cuspimos no prato e reclamamos que o que foi nos servido não estava bem passado.

Por que somos tão ingratos?

A questão torra minha mente, atormenta meu cérebro.

Não sei quanto a vocês, mas sou assim, aprendi a ser assim e venho tentando desesperadamente mudar esse “ser assim”.

Sei que soa clichê, mas assim como boa parte de vocês, só dou o devido valor a algo quando não o tenho mais. Vai ver Freud explica, Jung exemplifica, mas a verdade é que mil livros e milhões de teorias não vão conseguir mudar essa ingratidão. Essa mudança depende de mim, do que aprendi e do quanto estou disposto a pra frente ir.

Quero poder aproveitar melhor as oportunidades que caem como gotas de chuva na minha frente, mas percebo quanto mais oportunidades tenho, pior escolho. É quase como se eu estivesse pedindo pra Deus que as oportunidades desapareçam para que eu possa dar valor a única que me seja oferecida. A pergunta fica no ar: é preciso perder tudo o que temos, para podermos aprender seu devido valor?

Acredito que não e esse valor independi de pagar algo em retorno, não vai me custar nada, alem da cabeça do meu ego, misturado com um pouquinho de humildade e a pronuncia correta do verbo agradecer, mas agradecer de verdade.

Pensando nisso e profundamente inspirado por uma palestra que tive ontem, decidi treinar esse “agradecer” e queria começar agradecendo você por existir. Sim, você mesmo, leitor, que é a razão pela qual escrevo essas linhas tortas. Sim, você mesmo, meu Professor, que me ensinou a ler, a escrever, a discernir, a me projetar. Sim, você mesmo, Mãe, por me dar a vida e ter me ajudado a ser o homem que me tornei. Sim, você mesmo, minha esposa, por ter me ensinado a amar alguém alem de mim. Sim, você mesmo, meu inimigo intimo, por brincar de ser oposto comigo e ter me ensinado muito mais que eu havia pedido. Sim, o Senhor mesmo, Meu Deus, por tudo que me tem oferecido e juro que vou parar de só pedir, assim que aprender a ser agradecido.

8 de Dezembro 2005

Frank

terça-feira, dezembro 06, 2005

O Milagre do Reencontro

Quando um milagre acontece, a primeira reação é descrédito; a segunda é uma certeza que há uma força criadora por trás de tudo, força que usa “as coincidências” para se manifestar. É claro que não me refiro ao milagre do mar aberto ou da multiplicação de pães, falo dos pequenos milagres do nosso dia-a-dia, que nos arrancam sorrisos; pequenos milagres que nos fazem ver que cada um de nós carrega mesmo o céu consigo.

Ontem, um desses milagres me atingiu de forma inusitada. Reencontrei uma velha amiga em um lugar improvável. Ela deveria estar a um oceano de distancia e mesmo se estivesse em Sampa, não deveria estar ali, naquela hora, disputando à mesma oferta de emprego comigo.

As chances de um encontro com ela nessas circunstancias, segundo o matemático Oswald da Silva e a Numeróloga Maria Alcina é de 0,01 em um milhão, mas lá estava ela olhando pra mim tão incrédula quanto eu a olhava. A minha primeira reação foi querer me levantar de onde eu estava sentado e abraça-la, mas estávamos disputando uma vaga de emprego e não ficava nada bem dois candidatos se abraçarem no meio de um processo de seleção, alem disso, havia um abismo de anos de silencio e distancia; um redemoinho de mal-entendidos e um monstro de outros motivos que forçaram a nossa separação; porem o milagre do reencontro era mais forte que tudo isso e fui até ela que retribuiu o abraço na mesma intensidade.

Ah, como é bom abraçar novamente quem nos é querido. Abraçar sem medo de ser rejeitado, abraçar de verdade, coração com coração. Foi um abraço de maturidade. Um caminho para alem da mata do ego ferido. Exatamente como eu havia imaginado e sonhado esse reencontro durante as mil e uma noites do exílio da nossa amizade.

A oferta de emprego evaporou pelo ar como se só tivesse surgido como desculpa para que o milagre ocorresse. Então, fizemos o que todos os amigos de laços rompidos deveriam fazer ao se reencontrarem: conversamos.

A conversa durou uma caminhada do alto da Lapa até o Metro Barra Funda.
O mar não se abriu por completo, mas já estava ótimo o milagre de ter esse mar assim.

De tudo o que foi falado, discutido, explicado, gargalhado e chorado, ficou uma pequena porta aberta onde antes havia apenas um muro de concreto. A amizade não voltou a ser como era, não houve promessas de encontros futuros, churrasco ao domingo, nem chá da tarde; o que ficou no ar foi à esperança que o nosso exemplo pudesse ser seguido por todos aqueles que guardam rancor e raiva de velhos amigos e perdem a chance de aproveitar ao máximo o milagre do reencontro. A confiança já não era mais a mesma, já não iríamos nos telefonar todo fim de semana, mas o olhar distante foi virando olhar sorriso com chance de que no próximo encontro ela me chame de Fran ao invés de Francisco.

05 de Dezembro de 2005
Frank

sexta-feira, dezembro 02, 2005


Professores e Mestres Amigo Lazaro no IPPB Posted by Picasa

Aprender Ensinando

Ensinar é um desafio constante.

É ser bandeirante e abrir novos caminhos dentro da mente dos estudantes.

É ser humilde para entender que o conhecimento do assunto não o torna mestre do aprendizado.

Por vezes, os papeis se invertem, mestre vira aluno, aluno vira mestre. Outras vezes, claramente, se percebe que de tudo o que foi ensinado, nada foi assimilado, pois cada aluno tem seu próprio ritmo e nem sempre eles aprendem tão facilmente o que já virou lugar comum na geografia do Professor.

Por isso quem ensina, precisa rechear seu ensino com amor.

Amor pra aprender a ler olhares. Olhar de quem nada entendeu e olhar que recita sem ter decorado, a informação recebida.

Amor para escrever mais que o ABC na lousa. Amor para ensinar o alfabeto da solidariedade.

Amor pra imprimir no coração do estudante, lições de tolerância, respeito e humildade.

Amor para perceber com satisfação que a melhor nota que um estudante pode atingir não estará presente no teste escrito ou na prova corrigida e sim no sorriso de quem agradece ao professor mais uma lição de vida aprendida.


Frank

Ps: Dedicado a todos os Professores e Mestres que continuam aprendendo com seus Alunos.
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