domingo, outubro 30, 2005


Combatendo as Cr�ticas com mais Trabalho Posted by Picasa

A Crítica Nossa de Cada Dia

Existe uma diferença bem grande entre crítica
construtiva e crítica destrutiva.

No primeiro caso, alguém com um pouco mais de
experiência sugere como seu trabalho pode ser
aperfeiçoado e no outro a intenção é clara: destruir
mesmo.

O primeiro crítico é difícil de encontrar, mas em
compensação o segundo...

Toda vez que surge alguém com uma grande idéia,
inspiração ou decisão , surge junto um crítico
destrutivo na jogada. Esse cara sai da inércia em que
vive com o único intuito de destruir teu ato seja ele
qual for, só para provar que a teoria dele é a mais
correta do mundo.

Nunca produziu nada, mas é craque em ensinar a maneira
certa de produção alheia. Nunca chutou uma bola de amor
no gol do mundo, mas é especialista em palestrar sobre
como quem tanto fala e expressa amor, nada sente.

Todos têm o direito de expressar o que sentem e pensam a
respeito de um determinado assunto, mas esse tipo de
crítico nada vem a acrescentar e sim apenas explodir uma
boa idéia, transformando-a em cinzas, só pelo prazer de
satisfazer sua vontade de Senhor Sabe Tudo.

O melhor meio de lidar com críticos assim, é
continuarmos trabalhando mais e mais, e jamais
desistirmos de jogar.

E lembre-se se há muitos desses críticos no seu caminho,
não há o que se preocupar. Como diria um certo amigo: ¨
Ninguém marca jogador perna de pau! ¨

Frank

quinta-feira, outubro 27, 2005


A Calda da Mae do Mar Posted by Picasa

Caçadores de Baleias

A bordo de um antigo baleeiro, os caçadores rumam para o alto-mar. Olhos
atentos escaneiam a água em busca do menor sinal daquela que e considerada o
maior mamífero do planeta. Abaixo do leme, o comandante conduz o barco com
um olho na tela do computador de bordo que filtra o mar ao nosso redor
tentando identificar a aproximação da Rainha do Oceano. Porem os arpoes e
armas foram substituídos por câmeras fotográficas e filmadoras e os novos
Caçadores não buscavam uma presa e sim a experiência de ver uma baleia.

- A primeira vez que a gente vê uma baleia, uma sensação de paz toma de
conta da gente, que e difícil por em palavras - disse uma senhora ao meu
lado. Ela era veterana desse tipo de turismo. Junto com o marido, um sujeito
mal-humorado ao seu lado, eles já tinham visto centenas de baleias por todo
o mundo. - Diante da visão de uma baleia a gente descobre o quanto somos
pequeninos.

- Pequeninos e vulneráveis- disse o marido- só espero que a baleia não
resolva brincar com o nosso barco. Essas águas geladas podem nos matar em
minutos.

Por um momento toda a mágica de procurar por baleias deu lugar a um
principio de pânico. Comecei a ponderar se realmente tinha sido uma boa
idéia ir ate ali. Eu não sabia nadar e seu soubesse ainda contar, o numero
de salva-vidas a bordo não era compatível com o numero de turistas. Morrer
congelado não era exatamente o meio de transporte que eu queria utilizar
para o outro lado ( como se eu pudesse escolher ).
Mas acabei chegando à conclusão que meu medo era um tanto infundavel, uma
vez que aquele barco fazia aquele passeio por anos.

- Eu costumava caçar baleias - disse o comandante, um sujeito franzino, com
barba feita e cabelos curtos, que não lembrava nada o estereotipo do
comandante de barco tipo Capitão Nemo – Minha vila costumava viver da pesca
da baleia. Essa era a nossa principal fonte de renda. Quando o governo
proibiu a caca, achávamos que iríamos passar por sérios problemas
financeiros, ate que o primeiro turista chegou e depois, eles começaram a
chegar aos montes, dispostos a pagar mais para ver as baleias, do que
ganhávamos com a caca dela.

Enquanto ele falava, lembrei de como o turismo pode ser bom para os lugares
visitados, se bem controlado e organizado. Lembrei também que toda vez que
lembrava das pessoas que caçavam baleias, os via como monstros insensíveis e
nunca como gente ganhando a vida. E claro que isso não justifica em nada a
matança de baleias que ate os anos 80 era tão popular que virou ate esporte,
em que milionários tiravam fotos ao lado do corpo do animal para mostrar aos
amigos como troféu, assim como provavelmente fizeram os seus tataravôs com
os animais da África. A caça era tão descontrolada que uma palavra logo
ficou associada a caca desses animais marinhos : Extinção.

Hoje em dias, boa parte dos paises no mundo inteiro assinaram o embargo a
caca a baleia, mas há paises como o Japão e a Islândia, que ainda as caçam,
sem contar inúmeros baleeiros que ainda cruzam o mar em busca da carne desse
mamífero que tem custos astronômicos do mercado negro.Caca patrocinada por
pessoas que ainda insistem no consumo de carne, óleo e todo tipo de produto
extraído das baleias. Porem, vendo aqueles novos caçadores, fez com que eu
sentisse esperança que a raça humana ainda não estava totalmente perdida na
ignorância. E claro que eu não estava tão otimista assim que alguém naquele
barco veria uma baleia tão cedo.

- Uma vez ficamos semanas tentando e nada.- disse o sujeito novamente,
jogando água fria nas nossas expectativas. Preferi fingir que ele falava
sobre a sua vida sexual e tentei ao maximo me afastar do casal e baixinho
rezei a Iemanjá que mandasse um de seus anjos do mar vir nos saudar.

Enquanto eu filosofava sobre as gotinhas do mar que pipocavam pelo ar,
olhando para baixo e se dando conta que são oceano; notei que toda a galera
foi para um lado do barco e o comandante gritou: Se não for um submarino, só
pode ser uma baleia!

Corri para tirar a minha foto, mas uma onda de pessoas impediam a minha
visão. Quando finalmente consegui atravessar a barreira humana e ter um
pedacinho da visão do mar, ouvi o comandante gritar de novo: Do outro lado!

Do outro lado, do lado em que eu estava, surgiu a Senhora do Mar. Enquanto
tentava novamente atravessar a muralha de gente, me xingava por ser tão
baixinho e por ter largado o meu lugarzinho. Mas lutei e mergulhei no meio
daquela gente, e quando finalmente consegui passar por outro lado, só deu
tempo de ver o rabinho da baleia acenando adeus. Tarde demais.

Ela não voltou à superfície novamente e eu não tinha conseguido registrar o
meu momento, mas eu pude ver ao menos ela se despedindo. Não era exatamente
o que eu esperava, mas ao menos eu sabia que elas ainda estavam por lá. Eu
sabia que elas ainda não tinham desistido de viver no mesmo mundo que os
homens.

Enquanto o barco retornava ao porto, tentei ao maximo fixar na memória a
minha experiência. No fim, a senhora no barco estava certa quando disse que
a primeira vez que a gente vê uma baleia sente algo indescritível. Eu que só
tinha visto um pouquinho já estava tão feliz, imagina o que sentiria se a
visse por inteira livre no mar.

Só espero que meus filhos possam também brincar de caçadores de baleias um
dia.


Frank
04 julho de 2004

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Notas:
Para saber um pouco mais sobre a situacao das baleias, ha um otimo site para
pesquisa:
http://www.pick-upau.com.br/mundo/baleias/baleias.htm

Enquanto relia os escritos acima, lembrei de um texto que escrevi sobre as
baleias em 2002. Acredito que os escritos abaixo completam essa pequena
homenagem a esses anjos maritimos, parceiros nossos de evolucao nesse
planeta azul.


Mãe do Mar

Você já ouviu o seu canto?
Majestosa, voa no oceano emitindo
os mais belos cânticos
Cada movimento seu e poesia
Cada som que produz ecoa pela imensidão inspirando
poetas, músicos e escritores a tentar descrever a sua
canção.

Você já ouviu o seu canto?
E percebeu como o nosso coração bate mais forte e os
nossos olhos se enchem d`água.
Alguns dirão que elas são apenas animais, outros dirão
que elas são nossas irmãs em evolução, mas para elas
pouco importa a opinião dos homens, pois continuarão
voando pelo azul infinito do seu mundo e cantando pelo
simples prazer de viver, lembrando ao homem que ha. muito
o que aprender com aqueles que chamamos de "animais".


Somos Todos um Só
Frank

quarta-feira, outubro 26, 2005

Adolescentar

Ontem eu vi minha juventude passar por mim, no momento em que desejei ser mais velha, estar em outro lugar, ter outro corpo ou simplesmente deixar de ser assim; como eu sou, com me tornei, como o mundo me formou.
Então percebi que estamos sempre preocupados em ir pra frente e não desfrutamos o ficar aqui, o estar presente, o viver realmente esse meu adolescentar.
Percebi que estava deixando a magia pelas minhas mãos escapar como areia da praia, como água corrente que não consigo segurar; tudo isso por minha ansiedade em não conseguir pelo amanha esperar.
Senti que o meu aqui e agora, meu presente foi ficando assim distante, ausente; enquanto quem ainda não sou, lá do futuro, parecia me acenar.

Se já fosse eu, o amanha, perderia a chance de experimentar cada etapa desse meu despertar.
Não ouviria a melodia da harpa que se espalha pelo ar toda vez que estou próxima de por quem vou me apaixonar.
Perderia a chance de encenar o teatro de “Pais e Filhos” em que muitos dos conflitos só ocorrem para nos aproximar.
Perderia o riso nos encontros com as minhas amigas e aquele sorriso de menina boba a cada nova descoberta que compartilhamos uma com a outra.
Perderia, sobretudo, as canções que marcarão esses belos momentos da minha vida, que o “eu do futuro” tanto gostara de cantar e recordar.

Mas, graças aos céus, voltei do espaço e cai na terra e posso ainda ser pequena, imatura e não tão esperta, mas gosto desse meu ser, desse meu estar, desse meu adolescentar; pois daqui sinto que meu horizonte é gigante e o meu potencial vai longe, alem das curvas de quem eu sou e daquela que irei me tornar.



Frank

For�a Verde

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Força Verde

Desligou a moto-serra por um momento e olhou pra árvore. Ela era gigantesca e parecia quase tocar o céu. Tinha uma beleza singular e ele teve a impressão que a árvore realmente era viva como diziam esses “doutores” do sul do país que volta e meia surgiam pelas redondezas para protestar ou tentar ensinar o povo daquela região como viver. O que eles sabiam sobre a vida dos ribeirinhos? O que eles, tendo crescido com todo o conforto da cidade grande, sabiam sobre alimentar dez bocas e sobreviver numa terra de ninguém?

Talvez soubessem uma coisa e outra sobre as árvores, mas não tinham direito de aparecer ali para atrapalhar a vida de quem tentava sobreviver no Amazonas. As coisas não estavam tão bem, alias, nunca estiveram; mas a seca tinha matado os peixes, a falta de chuva destruiu a lavoura e só restava o trabalho com a moto serra. A empresa do sul do país pagava mais por uma árvore caída que toda a pescaria de um mês.

Mas havia algo errado com ele, por que não conseguia ligar a moto serra? Era como se ele estivesse prestes a matar um bicho. Havia certa hesitação e havia tanto trabalho a ser feito, mas ele não parava de olhar para aquela árvore; era como se ela o tivesse enfeitiçado.

Por um breve instante, sua mente expandiu para alem do seu corpo, era como se ele voasse alem do tempo e do espaço, sentindo que o verde o envolvia por completo. Viu a floresta por cima e viu as árvores sendo arrancadas do solo, uma por uma.

Como se avançasse no tempo, não viu mais a floresta, mas um cerrado no lugar, com árvores rasteiras e arbustos. O Rio Amazonas tinham dado lugar a um córrego pequeno que esperava ansioso pelas chuvas que agora só caiam no inverno. De alguma forma, ele sabia que cada árvore derrubada influenciara na transformação da floresta em cerrado.

Lagrimas caiam do seu rosto ao compreender finalmente o papel do povo ribeirinho. Eles estavam ali para mostrar o mundo que era possível viver na floresta sem destruí-la. Era possível viver em harmonia com a natureza. Para viver na terra, os seres humanos precisavam compreender que destruir o meio ambiente era assinar sua própria carta de extinção. Ele tinha visto isso no cerrado deserto ocupando o lugar da floresta recheada de vida.

A sensação de pertencer a tudo se foi quando ele ouviu o grito do supervisor da empresa de madeira gritando seu nome:

- Acorda, Sebastião! Temos trabalho a fazer!

Tendo despertado do transe, ele olhou uma vez mais a árvore; mas em seguida ligou a moto serra e começou seu trabalho. Toda aquela "viagem" devia ter sido causada pelo calor, ele pensou, afinal algumas árvores não fariam diferença naquele oceano verde que era o Amazonas; alem disso, dez bocas o esperavam aquela noite e ele não as desapontariam.


Frank
26 de Outubro de 2005

sábado, outubro 15, 2005

Professores e Alunos

Dedicado a Vera, grande alma, grande professora.

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Professores e Alunos


Há professores e alunos, há mestres e aprendizes; mas o pior erro que
podemos cometer é não enxergarmos esses mestres e professores no rosto
daqueles que chamamos de você.

Informação se aprende e se esquece; conhecimento se adquire e se perde; mas
a sabedoria de um sorriso e as lições de respeito permanece cicatrizado no
peito e edifica nossos passos aqui ou em casa, multiplicados em quem caminha
do nosso lado.

Vera, a gente acerta, a gente erra. Inicia caminhos, sente medo de conhecer
o que há alem das montanhas e por vezes, tropeça; mas são pessoas como você
que nos ensinam a ter coragem e força de vontade pra continuar, independente
das circunstancias, independente da idade, rumo a onde queremos chegar.

Você foi a nossa instrutora nessa empresa* e quem conseguiu ver em seus
ensinamentos mais que números e produtos, mais que palavras e letras; vai
carregar consigo adiante, não como fé, mas como certeza; que podemos ser
profissionais competentes sem tratar os outros como números, sem tratar os
outros com frieza.

A vida é curta e nem sempre conseguimos manter do lado, aqueles que nos são
queridos. Pessoas passam, rostos são esquecidos; mas as lições que
aprendemos um com o outro fica pra sempre conosco; por isso obrigado Vera,
obrigado amigos.


Frank


* Participei de um treinamento recentemente numa empresa e tive a chance de
conhecer a Vera. Dessa experiência, o que ficou foi muito mais que
conhecimento sobre produtos ou serviços. Dai essa homenagem nesse dia tão
importante para esses almas tão bondosas e pacientes.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Armado de Risada

Diante de uma arma apontada para a minha cabeça, senti o quanto frágil era a
minha vida e o quanto eu tinha medo de morrer. Anos e anos de estudos
espirituais eram folhas de outono caídas na estação do meu medo.

Tudo tinha cara de primeira vez. Meu algoz tremia e não era pelo frio,
parecia mesmo que ele nunca tinha roubado alguém à mão armada; eu,por outro lado,nunca tinha sido roubado antes com uma arma tão próxima,tão perto que
dava para ver o cano brilhando, as curvas do revolver novo.

Dizem que você vê toda a sua vida passar a sua frente, quando se esta cara a
cara com a morte; eu vi a vida que não viveria; o próximo segundo que aquela
arma me roubaria se fosse disparada tão perto.

Ele só queria minha carteira, eu só queria continuar vivo. Ele tremia e eu
continuava orando aos céus para que ele não abrisse a carteira, pois veria
que só havia dois reais e trinta centavos que mal pagavam à bala que ele
usaria na minha cabeça se descobrisse quanto eu tinha.

Passei minha carteira em câmera lenta e ele acertou meu rosto em câmera
rápida. Ele fugiu com meus trocados e ficará eternamente humilhado por ter
se arriscado por tão pouco; assim como eu ficarei eternamente humilhado por
ter pedido carona no ônibus para voltar pra casa.

O orgulho doía mais que o meu rosto. Então, dentro do ônibus, ensaiei minha
vingança, imaginei os detalhes. Não adiantava correr atrás do ladrão que
roubara meus dois reais e trinta centavos; mas eu conhecia alguém que
conhecia outro alguém que tinha um amigo que vendia armas.

Precisava me armar. Precisava me defender. O próximo ladrão que tentasse
roubar esse neguinho franzino teria uma grande surpresa.

Visualizei a cena, atuei como Charles Bronson e Clint Eastwood; o ladrão
sentiria o gosto do meu Dirty Harry. Ri sozinho, como um desses gênios
diabólicos dos desenhos animados que querem conquistar o mundo; mas a
historia foi mudando e contra a minha vontade, cenas novas foram surgindo.
Virei uma marionete, um ator nas mãos de um roteirista moralista e
implacável que escrevera um final alternativo para a minha historia de
vingança. O meu justiceiro caiu no chão e o ladrão ganhou a batalha. Não
morri (mocinho não morre), mas a arma continuou na mão do ladrão, fazendo
vitimas que não tiveram a mesma sorte que o mocinho; que de certa forma,
passou a ser tão responsável quanto o bandido, pelo sofrimento ou pela morte
do outro.

A verdade é que não sou um justiceiro e nem farei parte desse ciclo. Sei que
a arma só me fará mais vitima do que já sou. A carteira se foi, mas eu
continuo vivo e isso é o que basta. Tenho o meu segundo de vida que pedi a
Deus e não vou desperdiçá-lo ajudando a colocar mais uma arma na rua que
cedo ou tarde acabará nas mãos de um criminoso.

Foi pensando nisso que me dei conta algo que havia esquecido: eu ja estava
tendo a minha vinganca. Lembrei novamente do ladrão e subitamente meu rosto
sério e abatido foi dando lugar a um semblante bem descontraído. A cara de
criança emburrada que perdeu um brinquedinho foi dando lugar a um sorriso
peralta.

Quem me visse no ônibus jamais imaginaria que eu tinha acabado de ser
roubado, pois até chegar em casa, fui dando gargalhadas ao imaginar a cara
do ladrão olhando a carteira roubada com meus dois reais e trinta centavos.


Frank

29 de Setembro de 2005
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