quinta-feira, setembro 15, 2005


Eu e meu Sobrinho Lucas Posted by Picasa

O que é, o que é?

Domingo à tarde em São Paulo, estou voltando do cinema com o meu sobrinho Lucas.

Dentro da lotação, somos dois garotos, um de 31 e outro com quase 8, discutindo o filme que vimos e brincando de “o que é, o que é?”

- O que é, o que é, Tio? É o animal mais forte que existe? – ele pergunta,olhos brilhando, não da nenhuma pista, mas essa eu sei.

- O Elefante! – respondo e o garoto gargalha.

- Errou feio, Tio. É a baleia!

Olho para as pessoas na lotação e torço para que ninguém tenha ouvido o moleque dando uma surra no tio.

- Ok! 1 a 0, Lucas. – digo e preparo a minha pergunta:

- o que é, o que é? Parece estrela, mas não tem luz própria?

- A lua! – responde o moleque – 2 a 0!

Enquanto Lucas ria, notei que a Lotação começava a ficar cada vez mais abarrotada de gente e não demorou muito para que um principio de confusão surgisse. O motorista fechara a porta, antes de um rapaz descer. O rapaz começou a xingar e logo outras pessoas se uniram a ele e começaram a bater nas portas e janelas. Preocupado, temi que o pior pudesse acontecer, ainda mais quando começou um empurra-empurra. Porem, Lucas, estava completamente calmo e sorrindo me perguntou:

- O que é, o que é, Tio? Seria o animal mais inteligente da terra, se tivesse mais paciência?

Nem preciso dizer que o moleque ganhou de 3 a 0...

Frank

quarta-feira, setembro 14, 2005


Por do sol no Nilo Posted by Picasa

Ser e Deixar Por vir

A verdade do universo é tão simples quanto um mais um; o problema é que esquecemos como somar.

Não há mistérios, nem formulas complexas para descobrirmos porque estamos aqui; o problema é que ignoramos as lições das flores e não sabemos apenas ser e deixar o depois por vir.

Poderíamos alcançar a jóia sem precisar esticar o braço; mas preferimos usar bússolas, mapas, guias para chegarmos onde os olhos não podem ver, onde a razão não pode entrar.

Somos uma mistura bem interessante de bicho; temos asas que nos remetem as alturas e rabos que nos deixam presos na terra; mas o Criador foi tão inteligente que criou um paraíso que existe tanto em cima quanto em baixo;burros somos nós que apontamos pra cima, o que na verdade é portátil.

Eu queria ver a tua cara quando você descobrir que sempre esteve onde desejava tanto estar; por isso te escrevo essas linhas; não pra te ensinar,mas para que eu mesmo possa ler e lembrar que é melhor experimentar o seguir do que se preocupar em chegar.

Frank

14 de Setembro 2005

sábado, setembro 10, 2005


Dancarino Dervishe  Posted by Picasa

O Dançarino na Praça

Sexta-feira, uma da tarde; o sol ameaça com seus raios o dia que nascera frio e começara a esquentar. A Praça do Carmo, no centro de Sampa, esta repleta de gente que olha curiosa um Dançarino Sufi girando sem parar.

A musica islâmica se propaga pela praça.

Alah grita mais alto que Jeová, fazendo o protestante se calar, fechar a bíblia e também olhar curioso pro dançarino, que sendo observado por olhos estrelas, gira como planeta, na órbita da Estrela Maior.

Através dos movimentos repetitivos, o Sufi parece estar em transe e sua dança hipnotiza os curiosos, faz sorrir as crianças e leva ao transe alguns olhares que enxergam alem da dança, do Sufi, a porta para o Divino dos muitos nomes, de muitos caminhos.

Os movimentos do dervishe giratório vão cessando, enquanto o musica vai diminuindo; as pessoas vão despertando e trocam o silencio pela salva depalmas. O Dançarino abre os olhos e planeta se torna novamente estrela,agradecendo a platéia que durante a dança, eram apenas uma só constelação,onde até o protestante volta pra praça, mais inspirado, para continuar a evangelizar.

Frank

26 de Augusto de 2005

Notas: A apresentação do Dançarino Sufi ocorreu no pátio do Poupa Tempo, naPraça do Carmo, centro de São Paulo, nessa sexta-feira. A dança levou muito dos presentes a lagrimas, a maioria, gente bem simples, que nem sabia ao certo, a historia, o misticismo e religiosidade dos gestos sufis. Para eles,a beleza da dança bastava. Para eles a magia de observar algo tão diferentee envolvente, bastava.

sexta-feira, setembro 09, 2005

A Dona de uma Gaiola sem Grades

Era uma gaiola sem grades com dois passarinhos.

Suas asas não estavam cortadas e eles nem tão pouco pareciam serdomesticados. Não sou um especialista em aves, mas podia jurar que eles tinham a cor do céu e cantavam com sotaque de liberdade, pois seu canto não lembrava nada aquele velho cantar de cativeiro.

A Dona da gaiola não era necessariamente a dona do casal de passarinhos e sim uma amiga que servia comida e água e em troca os pássaros retribuíam comcanto.Jamais tinha visto gaiola assim.

Já tinha visto cativeiros com grades douradas e gaiolas de madeira nobre com poleiro de marfim. Já tinha visto cativeiros gigantes que “abrigavam” centenas de passarinhos e gaiolas tão pequenas que o passarinho mal conseguia pular de um canto pro outro. Mas nunca havia visto gaiola com grades de vento, onde os pássaros tinham o direito de ficar ou partir; de ir e vir.

- Voa tudo por aqui – disse Dona Joana – Canarinho, Sabia, Pardal e de vez em quando tem ate beija-flor. É uma benção, não é?

Sim, era uma benção, mas vinha da terra, do lugar onde vivem os homens que prendem animais em jaulas, pássaros em gaiolas e uns aos outros com o laço do egoísmo, sob a desculpa do “prender para cuidar”.

- Eu gosto muito de passarinho e ao perceber que muitos deles passavam aqui pelo quintal, pedi ao meu marido que fizesse essa gaiola sem grades – explicava Dona Joana, que morava até numa rua com nome de passarinho – Coincidência, não é?

Coincidência?

Não, Dona Joana!
Truque divino, para mostrar para a senhora e para esse peregrino que quem gosta de passarinho, não curte canto de presídio; pois canto livre de passarinho é muito mais bonito; não aceita algemas, grades, chantagens ou possessão; afinal, nada nem ninguém nos pertence e se tem algo que aprendi nessa estrada e que onde há coração há respeito, empatia e consideração. E isso não se aplica apenas para seres humanos, mas para todos os seres vivos que dividem esse planeta com a gente.

- A senhora nunca teve passarinho PRESO em gaiola? – perguntei, querendo saber o que não devia; querendo tentar ver alguma rachadura naquele jarro perfeito que era a Dona da Gaiola sem grades.

- Claro que já tive passarinho preso em gaiola. – explicou – Nasci e mecriei no interior; atirando pedra em passarinho, armando arapuca e dormindo sob um teto cheio de gaiolas com todo tipo de pássaro que a gente pegava no mato. A sorte dos passarinhos era que minha pontaria era terrível; o mesmo não podia ser dito sobre a pontaria do meu irmão que usava estilingue como ninguém.Um dia consegui acertar um passarinho.Era a primeira vez que eu acertava algo com o meu estilingue, mal podia acreditar na minha sorte; porem o bichinho morreu com o impacto da pedra e o seu corpinho ali no chao mexeu comigo.

Meu irmão pulava e ria, enquanto eu ajoelhada no chão, olhava o passarinho morto que até segundos atrás voava recheado com vida. Uma coisa é matar os bichos por necessidade, como fazem os índios; outra bem diferente é matar por maldade, sob a bandeira da ignorância e da imaturidade.

Naquele momento nasceu meu respeito pelos bichos e minha incapacidade de vê-los presos em cativeiro. Afinal, lugar de passaro é no céu, assim como o de peixe é no rio. Para mim, mais vale dois passarinhos no céu, que um preso nas mãos.

Frank

quinta-feira, setembro 08, 2005


Eu e meu Dedao Posted by Picasa

Rodeio ao Contrario



Levantem os chapéus para os bois e homenageiem os filhotes da égua, pois valentes mesmo são esses bichos que precisam dividir conosco o planeta Terra.

Como um Chiquinho de Assis; queria eu falar a língua dos animais para tentar explicar para eles o porquê da fama dos Peões e como os rodeios são tão populares. Mas como explicar algo inexplicável?

Como explicar a platéia lotada com tanta gente sorrindo com o que é feito para atrair e entreter a audiência? Como será Chiquinho, que eu explico pros bichos o que é ignorância?

Será que não há por ai um Sindicato dos Bichos, que explique para quem vai num rodeio ou num circo, o que ocorre com os animais em nome do show, em nome do riso?

Não, nem o sindicato, nem eu, nem o Chiquinho conseguiria convencer essa gente o quanto os bichos são mal tratados; afinal o importante é a diversão e é melhor ignorar, fingir não saber o que ocorre nos bastidores, no outro lado.

“Bicho nem tem alma!” Dirão os mais espertos” O que me importa se ele leva choque; pula tanto porque esta sofrendo ou se foi torturado?”

Ah, se eu pudesse falar a língua dos anjos ou dos homens, só pra dizer para essa moçada:

“Amigo do rodeio, moçada que adora a farra, deixa eu te contar algo novo, deixa eu te falar porque cada rodeio é uma roubada: a mesma vida que anima o boi ou da força ao cavalo, é a mesma vida que corre em suas veias e no coração dos seus amados.

Arrume uma desculpa para a carne na mesa ou pra jaqueta de couro no guarda-roupa, mas me diga será que esses bichos não merecem um pouco mais de respeito de quem tem alma? Será que é justo tanto sofrimento à toa?

É o seu ingresso que paga o rodeio, é o seu dinheiro que machuca o animal. Quer dançar, se divertir e usar roupa de boiadeiro, vá para uma fazenda, um show country, mas vê se para de aplaudir esse show onde à violência é o prato principal.”


Frank

quarta-feira, setembro 07, 2005

Bitucas

Bitucas

Ela deu uma ultima tragada.

Uma multidão subia pela escada do ônibus, enquanto ela tragava toda a nicotina que podia, como se aquele cigarro fosse o ultimo da sua vida; em seguida, jogou a bituca longe e sumiu dentro do ônibus, em meio uma cortina de fumaça que seu pulmão exalara.

Não sei o que houve com a moça, nem se aquela foi a sua ultima tragada; mas sei que fim levou a sua bituca de cigarro. Aquela mesma tarde, na mesma rua onde a vi entrar no ônibus, assisti pela TV, esgotos entupidos transformarem rua em rio; gente em peixe.

Culpam São Pedro, culpam o prefeito; mal desconfiam que o verdadeiro culpado foram os donos das bitucas, das latinhas, dos papeis de bala, dos jornais usados e das sacolas de plástico descartáveis que voam pela janela e entopem boeiros e fazem cair as lagrimas dos olhos de quem perdeu tudo, em mais uma enchente de verão na cidade grande.

Frank
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