segunda-feira, agosto 21, 2017

A FLOR, O CRIADOR E O FOCO

A FLOR, O CRIADOR E O FOCO


De todas as possibilidades possíveis, Ele criou a flor.
Como conseguiu se concentrar?
Como conseguiu formar a flor, tendo à disposição milhares de outras idéias?
Como conseguiu dedicar tanto carinho e perfeição para a flor, e também para aquela estrela, que Ele acabou de fazer nascer?
Ele é o cara!
Porque entre a criação de uma estrela e a formação da flor, Ele ainda olha e sorri para mim.
O Rei da concentração e da criação.
Entre tudo aquilo que Ele tem para fazer, ainda arruma tempo para falar comigo.
Não diz nada e fala tudo.
Sorriso! Existe comunicação mais exata?
Se o sorriso fosse um número, seria infinito...
Queria ter escrito algo quando O vi, mas, no momento em que mais precisei, não havia caneta nem papel comigo.
Por que será que, nos momentos mais belos das nossas vidas, não carregamos com a gente uma máquina fotográfica, um gravador ou uma caneta? Piada divina!
Ele realmente é o cara!
E, quem sou eu?
De todas as possibilidades, escolhi criar quem eu sou.
Como consegui me concentrar?
Como consegui formar meu caráter, tendo à disposição milhares de outros personagens?
Da mesma forma que Deus criou a flor: Foco!
Contudo, entre trancos, vidas e barrancos - todos sabem -, é difícil manter o foco.
Impossível se concentrar. Será?
Temos todas as possibilidades de nos tornarmos quem quisermos...
Ou fazer se tornar realidade todos os sonhos possíveis.
Mas por que demoramos tanto?
Ou por que, às vezes, temos a impressão de que nunca chegaremos lá?
Falta de foco! Por isso não somos o cara!
Não dedicamos carinho aos nossos projetos. Falta amor e dedicação.
Por isso nossas vidas são imperfeitas.
Não estamos trabalhando com aquilo com que viemos aqui para fazer, pois perdemos o foco.
E se, em lugar de todo aquele tempo gasto com picuinhas, tivéssemos nos dedicado totalmente ao grande projeto das nossas vidas?
Onde estaríamos agora?
Será que já não teríamos criado a nossa flor?

sexta-feira, agosto 18, 2017

A FACE DE GHANDI

Centenas de turistas se aglomeravam para ver o lugar onde Ghandi fora assassinado. A chuva fina de agosto era cenário perfeito para que o guia explicasse com tristeza na voz, como e quando ocorreu o trágico evento que retirou do mundo esse homem.



Indianos e turistas de toda parte do mundo olhavam com atenção cada detalhe do lugar e ouviam a explicação do guia como se pudessem sentir, mesmo que por um instante, a figura de Ghandi naquele lugar.

- Essa flor nesse lugar representa esse fantástico homem que mudou a história desse país - dizia o guia - E é possível senti-lo por aqui e refletir sobre o seu trabalho no mundo.

O lugar era tão bonito, tanto quanto as palavras do guia, mas discordei calado: afinal não sentia a presença dele ali, e sim em cada criança sorrindo com os pés descalços na lama; criança com a mão segura pela mãe de sari brilhante e olhar cansado, que segue o marido, que por sua vez olha meio desconfiado para aquele rapaz que parece indiano, mas que age como estrangeiro.

Queria poder lhe explicar que nem sou indiano nem sou estrangeiro; mas fico calado, enquanto observo com o meu bloco de notas na mão o moleque sorrindo para meu rosto tão estranho e ao mesmo tempo tão conhecido.

Ghandi estava ali com ele.

Ghandi estava com ele, muito mais do que no memorial que fizeram para ele ou nas cédulas de rúpias que andam de mãos em mãos, de bolso em bolso indianos; ou nas fotos que todas as pessoas e políticos famosos tiraram ao seu lado e que são expostas no mundo inteiro como se a pessoa sorridente ao lado daquele homem franzino realmente o conhecesse a fundo e compartilhasse da mesma virtude que o fez tão querido; mas arrisco a dizer que ninguém o conhecera tanto quanto o povo sofredor, que se sentia mais gente ao vê-lo passar, porque ele os via como eles são de verdade: seus semelhantes.

Ghandi nunca morreu, e ele ainda se encontra nas ruas da Índia e do mundo, estampado no rosto do povo como esperança de que um dia o mundo seja uma única nação, sem castas e sem donos, compartilhando a única terra onde não existem fronteiras: a Terra da Compaixão.

- Frank -

quinta-feira, agosto 17, 2017

A DIFÍCIL TAREFA DE FAZER UM BUDA DAR RISADAS



As bandeirinhas coloridas contrastam com o céu azul da praça do "Buda que tudo vê". Depois de vinte minutos de caminhada do centro de Katmandu até ali, Auri (minha esposa) e eu chegamos no topo do monte, onde o famoso templo dos olhos do Buda que tudo vê observa a cidade lá embaixo, todos os peregrinos, devotos e turistas que vão até ali orar ou apenas tirar umas fotos do templo do mestre da paz.

Algumas pessoas cantam mantras perto das estátuas dos mil e um bodhisattvas (1), e eu escolhi um deles para lhe contar uma piada.

Não estou sendo sarcástico nem brincando com coisa séria, é que o olhar sereno da estátua me deu tanta paz e calma, que decidi lhe retribuir o favor e fazê-lo dar risada. Troca justa, afinal não é sempre que você chega num lugar e é envolvido por uma aura de tranqüilidade que lhe dá uma clareza mental tão intensa que você começa a lembrar-se até da data em que se casou.

Não sou budista, mas é inegável que ali sinto uma sensação tão boa que parece que posso abraçar o mundo e tocar cada coração.

O templo famoso e cartão postal do Nepal parece tocar o céu azul, e os olhos do Buda que tudo vê olham de um jeito que você precisa passar a mão no corpo para ter certeza de que não está pelado ali na praça cheia de monges, turistas e macacos.

Fiquei muito contente de poder estar ali e experimentar algo tão bom, e como não sei os rituais de agradecimento budista, escolhi um bodhisattva e tentei retribuir o que senti.

Dirigi-me a ele com alegria:

"Amigo Budinha. Não sei como lhe agradecer, e como sei que você deve estar aí há séculos sem nenhum momento de lazer, vou contar-lhe uma piada."

Então, comecei a minha jornada em busca da risada do Buda. Tentei contar a do papagaio, a da loira, a do português, e confesso envergonhado que até contei algumas piadas bem sacanas e pesadas; mas nada do Buda reagir, pelo contrário, ele permanecia ali inalterado, com aquele meio-sorriso de quem está morrendo de vontade de rir, mas fica sério, ainda mais com tanta gente passando por ali e encostando a cabeça nos seus pés e jogando arroz na sua cara.

Quando pensei em lhe contar a piada infalível do gaguinho e do pássaro graúna, pérola memorável que o meu amigo Cláudio me contou aos 10 anos, e até hoje não consigo evitar o riso ao relembrá-la, passa um grupo de monges-criancinhas que saúdam o Buda e trocam murmúrios entre si, provavelmente tentando entender o que aquele marmanjo está fazendo ali rindo sozinho das suas próprias piadas em frente do Mestre. Então, percebo o ridículo do que estou fazendo e imagino que o Bodhisattva já deve estar perdendo a paciência e explodindo em mil pedaços, sem querer mais ajudar a humanidade. Peço desculpas ao meu amigo, olho fixo em seus olhos e lhe digo:

"Obrigado, amigão, por não desistir da gente. Desculpa aí as piadas, não sou muito bom nisso. Mas não leva a mal não, mas será que posso lhe pedir um favor?"

Não houve resposta, mas depois de tanto tempo ao seu lado, senti que já éramos íntimos o suficiente para uma conversa franca, e quem sabe pedir uma ajudinha.

Disse-lhe novamente:

"Não tem como você da uma ajudinha? Não tem nenhum jeito de ir mais rápido? Quero dizer, estou meditando há anos, faço mantras todos os dias, e até agora nenhum mini-samadhinho (2); não tem por aí um expresso Nirvana? (3)"

Ele continuou imóvel, mas senti que sua fisionomia tinha mudado um pouco, o olhar sereno tinha mudado para um tipo de olhar que só posso traduzir como o olhar de quem faz forca para não dar risada. Mas não teve jeito, e a estátua era mais resistente do que eu pensava, acabei desistindo e decidi ir embora antes que aquelas nuvens que tapavam o céu azul virasse uma enxurrada na cabeça. Porém antes de ir embora, dei uma ultima olhadinha para o meu amigo, e "o Buda que tudo vê" não me deixa mentir, mas posso jurar que enquanto eu olhava para o céu o bodhisattva deu risada.

Não tenho com provar, mas aquele sorriso tinha mudado com certeza. Não era mais meio-sorriso, e sim o sorriso franco de quem deu uma boa gargalhada.

Se algum dia desses eu voltar por aqui, não vou me surpreender se no lugar do Buda do meio-sorriso encontrar o Buda da eterna risada.

SOMOS TODOS UM SÓ!

quarta-feira, agosto 16, 2017

A DIFERENÇA QUE APROXIMA

Imagine aquele típico rosto nordestino, olhar cansado, pele enrugada na face, que conta mais experiências do que mil livros, chegando em casa com o alimento para a família, depois de um dia de trabalho ao sol de quarenta graus.



Enquanto a mulher prepara o jantar, ele toma um banho com a água do pote que a chuva ajudou a encher, troca de roupa e acende uma vela para a estátua de São Jorge, agradecendo por mais um dia de colheita.

Use mais uma vez a sua imaginação e troque a estátua do santo e ponha uma do Ganesha, o Deus hindu com cabeça de elefante no lugar. Troque o chapéu de palha do homem e ponha um turbante da cor que você imaginar. Troque a saia rendada e o pano na cabeça da mulher preparando a comida no forno de barro e ponha um sari colorido e pulseiras no braço. E você terá a visão típica de um indiano que vive no campo, além dos turistas, além dos gurus e loucos, além das confusões e das armas nucleares em conflitos que ele nem sabe por que razão se iniciaram.

Para ele, o que importa é o alimento da família, e todo o resto vira cenário, história em volta de fogueira que ilumina o campo onde a luz não chega.

Viajando pelo interior da Índia, cada vez mais percebo que somos realmente um só. Muda-se a fronteira, troca-se a língua, os costumes, e encontra-se o mesmo povo lutando pelas mesmas coisas que por lá tem um nome diferente.

O mesmo povo que sorri quando a chuva vem e chora quando ela se vai levando embora tudo o que eles tinham.

O mesmo povo de olhar expressivo e sorriso-pétala esperando um pingo de motivo para desabrochar numa linda risada.

O mesmo povo que com suas crenças, quer seja por santos, quer seja por deuses, vibra no peito uma paixão verdadeira pela própria existência.

Vim para a Índia encontrar o exotismo e diferença, e encontro tudo igual ao país em que nasci.

Não entendo a língua que eles falam, mas aprendi a ler olhares e traduzir sorrisos, por isso compreendo e os valorizo tanto quanto o povo da minha terra, ou o povo de outras terras, separados por fronteiras, mas unidos pelo mesmo coração que bate forte celebrando o sopro de vida que a cada dia habita em todos, quer seja no Brasil, quer seja na Índia.

SOMOS TODOS UM SÓ!

terça-feira, agosto 15, 2017

A ÁRVORE INABALADA

Uma árvore separa dois países.

Ela é apenas um ponto verde no mar dourado de areia que chamamos Saara, mas marca a fronteira entre o povo do leste e do oeste.

De um lado a conturbada Argélia, devastada por uma guerra civil e religiosa, onde mãos são cortadas para servir de mensagem ao governo, e do outro lado, a rica e fechada Líbia, onde o óleo enviado para o exterior fabrica marajás, que passam boa parte do seu tempo tentando encontrar um meio de gastar seus dólares.

A árvore ouve as notícias de guerra trazidas pelos ventos argelinos e as notícias de gastos inúteis dos ricos que os ventos da Líbia sussurram em suas folhas, mas ela continua inabalada.

Já testemunhou tanta coisa que entende que se preocupar, nada ajudará.

Ela já viu as tropas de Hitler sendo expulsas pelos aliados na Segunda Guerra Mundial, e agradeceu à Grande Força Divina por ter sido poupada e continuar apenas fazendo o seu trabalho por ali: mandar oxigênio ao mundo.

Às vezes as serpentes tentam envenená-la, tentando convencê-la que é apenas uma questão de tempo para que o deserto a cubra de areia ou sirva de fogueira para algum nômade em frias noites de inverno, e nunca ninguém notará que ela existiu. Ela escuta e permanece em silêncio, pois sabe que mesmo sendo a única árvore naquela terra ausente de verde, o seu trabalho faz toda a diferença.

Mesmo sozinha, ela continua fazendo a sua parte no auxílio à Mãe Terra em seu trabalho incansável de ainda ser palco de manifestação dos homens e animais. A sua sombra é apreciada e agradecida pelos viajantes que cruzam o deserto e param para tomar um chá e descansar da jornada.

Ela é sábia e paciente. Sabe que os ecos de guerra e o desperdício de riqueza passaram.

Suas ancestrais já lhe contaram sobre a queda de outros impérios e de tantas outras guerras travadas pelos homens em busca de riqueza e poder; esquecendo que a única coisa realmente valiosa no mundo é a própria vida, e o único poder que poderia conquistar todas as nações é o Amor.

Ela esta lá há quase um século e continuará por muito mais tempo representando a esperança de que um dia o homem transforme sua sede de morte em fome de viver.

Quem sabe nesse dia, os homens descubram que o mundo tem uma linguagem própria fácil de ser interpretada e consigam entender a mensagem que se esconde no fato de que o deserto já foi mar um dia.

Até lá, ela continua forte e convicta que está fazendo o melhor que pode, levando oxigênio tanto para quem a respeita quanto para quem tenta envenená-la, tanto para quem guerreia quanto para quem reza pela paz.

segunda-feira, agosto 07, 2017

Saúde Psíquica

Como anda a sua saúde psíquica? 


Não sabe o que é isso? Deixa eu explicar...

O que você pensa determina o que você sente. 

O que você sente determina o que você registra em sua memória.

O que você registra em sua memória determina os alicerces do que você manifesta em sua vida.

O que você manifesta em sua vida determina os alicerces da qualidade da sua vida. 

A qualidade da sua vida afeta a sua saúde física que afeta a sua saúde emocional que afeta a sua saúde mental/psíquica.

Logo, a saúde e a qualidade da sua vida depende do que você manifesta, sente, pensa... depende da sua saúde psíquica. 

A sua saúde psíquica é o grande gerente da sua vida. 

Se não está dando de conta, procura ajuda!!!

sexta-feira, agosto 04, 2017

Tempo de Areia



Houve um tempo em que nosso amor era água, com doces cantos de sereia; nossa relação, um barco que deslizava nas ondas; mas o tempo repleto de mágoas, transformou nosso amor que era mar em um deserto de areia. 

Sentindo a areia entre os meus dedos, às vezes, sinto falta da água corrente, desejo e devaneio, pois nosso barco que seguia fluindo, hoje está ancorado nessa duna de areia. 

Diante do deserto que já foi mar, me pergunto o que ainda faço aqui; não seria agora a hora perfeita pra sair daqui? Porém, o vento que fala que tudo muda, trouxe também o tempo, que veio me contar que depois de tanto intento em tentar transformar deserto de areia em água de mar, se eu prestar atenção, talvez eu veja, que nosso amor que agora é deserto de areia, tem outra cor, outro tom, e também se movimenta, pois ainda continuamos no nosso barco-relação, e esse barco se move pelas dunas de areia; empurrado pelo vento, transformado pelo tempo em outra coisa. 

Nosso barco continuar a navegar - hoje sei disso, pois ao passar tanto tempo querendo que nossa relação voltasse a ser mar, esqueci de observar que essa deserto de areia é uma outra fase de um amor que sempre se transforma e renasce; pois por não precisar ter formato, o nosso amor pode ser água, pode ser areia; e se eu não tentar controlar, nosso amor pode se transformar em qualquer outra coisa, quem sabe, pó de estrelas, que reflitam à noite nas areias do deserto, passando um filme sobre reencontros, pois não importa a forma, o cenário, as circunstâncias, o amor verdadeiro sempre encontra um meio de se manifestar além das aparências de deserto ou mar. 

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